=igualdades

529 mil pensionistas do governo custam mais que 14,7 milhões de beneficiários do Bolsa-Família

Taís Seibt, Bernardo Baron, Maria Vitória Ramos e Renata Buono
12jul2021_09h31

Em 2020, o governo federal pagou pensões a 529 mil dependentes de servidores do Executivo federal. São benefícios pagos, em geral, a parentes de servidores que morreram, tanto civis quanto militares. Essas pensões somaram o valor líquido de R$ 36,6 bilhões. É mais dinheiro do que há no orçamento do Bolsa Família, que no ano passado consumiu R$ 32 bilhões para atender a um grupo muito maior de pessoas: 14,7 milhões de famílias. Se cada uma dessas famílias tiver um filho apenas – estimativa conservadora –, o Bolsa Família tem, portanto, ao menos 29,4 milhões de beneficiários diretos e indiretos.

Os dados sobre pensionistas do governo federal foram divulgados no Portal da Transparência no final de junho, após a agência de dados Fiquem Sabendo cobrar reiteradamente o Tribunal de Contas da União (TCU), que já havia determinado, em janeiro de 2020, que o governo tornasse públicas essas informações. Num primeiro momento, o governo fez uma divulgação apenas parcial dos dados, deixando de fora a maior parte dos militares vinculados ao Ministério da Defesa – que respondem, justamente, pela maior fatia das pensões. Dezenove meses depois, finalmente, esses dados foram disponibilizados.

Fontes: Agência Fiquem Sabendo, com dados do Portal da Transparência; Caixa Econômica Federal; Ministério da Cidadania.

Taís Seibt

Repórter e gerente de projetos da Fiquem Sabendo, agência de dados independente especializada no acesso à informação. Foi repórter e editora do Zero Hora, colaborou com diversos veículos e lidera a iniciativa Afonte Jornalismo de Dados, que promove o conhecimento sobre dados no jornalismo

Bernardo Baron

Cientista de dados da Fiquem Sabendo, agência independente especializada no acesso à informação. Também trabalha na Impulso Gov e é embaixador de tecnologia cívica da Open Knowledge Brasil

Maria Vitória Ramos

Cofundadora e diretora da Fiquem Sabendo, agência de dados independente especializada no acesso à informação. Foi repórter da Ponte Jornalismo e é autora de Indigentes: o Estado que enterra sem avisar

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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