questões da sucessão

Após esfaquear Bolsonaro, agressor disse cumprir “ordem de Deus”

Policiais Federais que prenderam Adelio Bispo de Oliveira em Juiz de Fora imediatamente após o atentado afirmaram duvidar de sua “integridade psicológica”

Malu Gaspar
06set2018_17h58
REPRODUÇÃO

O homem que deu uma facada em Jair Bolsonaro enquanto o candidato a presidente do PSL fazia campanha em Juiz de Fora (MG) e identificado pela Polícia Federal como Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, afirmou, na hora em que era conduzido pelos policiais, estar cumprindo uma “ordem de Deus”.

A informação é de Luis Boundens, presidente da Federação dos Agentes da Polícia Federal, a Fenapef. Ele conversou com seus colegas que estavam no local do ataque e não só tiveram de prender o agressor como conter a multidão que tentou linchá-lo após o atentado. “Os colegas disseram que ele imediatamente começou a dizer que estava em missão divina, o que levou o pessoal a duvidar da integridade psicológica dele”, disse Boudens.

Em sua página no Facebook, Bispo de Oliveira escrevia críticas a Bolsonaro e, com menor frequência, a outros políticos, como a candidata a vice-presidente na chapa do PSDB, a senadora Ana Amélia (PP-RS). A Maçonaria também era assunto de suas publicações: “Deveria serem (sic) todas lojas maçonicas (sic) do país incediadas por completo”. Bispo de Oliveira foi filiado ao PSOL de Uberaba, em Minas Gerais, entre maio de 2007 e 2014. A executiva estadual do PSOL de Minas Gerais divulgou nota em que afirma que a agressão é “um grave atentado à normalidade democrática e ao processo eleitoral” e disse repudiar “qualquer ação de ódio”.

Bolsonaro fazia um ato de campanha nos arredores do Parque Halfeld, local de grande concentração popular no centro de Juiz de Fora, no momento da agressão, e foi levado imediatamente para a Santa Casa da cidade. Ele estava nos ombros de apoiadores quando foi atacado. O candidato tinha em sua escolta quatro agentes da Polícia Federal. Segundo o presidente da Fenapef, Bolsonaro costumava cumprir as recomendações de segurança dos agentes. Desta vez, ele não usava colete a prova de balas.

 

Na Santa Casa de Juiz de Fora, Bolsonaro passou por uma laparotomia exploradora, para identificar a extensão das lesões. Esse procedimento foi adotado porque os exames de tomografia e ultrassonografia revelaram que a facada poderia ter atingido o fígado e o intestino.

Durante a cirurgia, constatou-se uma lesão da artéria mesentérica, que leva sangue para o intestino. Foi suturada. Houve também uma lesão transfixante no intestino grosso, e três no intestino delgado. As quatro foram cuidadas. A lesão do fígado não se confirmou. A cirurgia estancou o sangramento que ele apresentava ao chegar ao hospital, e que provocou uma situação clínica instável e um quadro de pressão arterial muito baixa. Ele recebeu duas bolsas de 300 mililitros de sangue. A cirurgia acabou pouco antes das 20 horas, e o candidato foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva, para estabilizar seu quadro clínico.

Os quatro policiais federais que fazem a guarda de Bolsonaro acompanharam a cirurgia “aos prantos”, dentro do hospital, por, nas palavras de um agente em contato com eles, “amarem” o candidato.

A equipe que protege Bolsonaro costumava dizer que ele é, entre os candidatos à Presidência, o que mais tem disposição, apesar dos 63 anos de idade. “O pessoal costumava dizer que só Fernando Collor, em sua época, enfrentava agendas tão intensas”, contou Boudens, que afirmou ter a informação de que Oliveira está isolado em uma sala da Superintendência da Polícia Federal.

*

Errata: Versão anterior deste texto informou incorretamente que Bolsonaro vestia um colete a prova de balas, o que não se confirmou.

Malu Gaspar (siga @malugaspar no Twitter)

Malu Gaspar, repórter da piauí, é autora do livro Tudo ou Nada: Eike Batista e a Verdadeira História do Grupo X, da Editora Record

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