Igualdades

As moedas da corrupção na Petrobras

Emily Almeida, Amanda Rossi e Renata Buono
12ago2019_09h03

Desde 2015, a Petrobras tem sido palco de um dos maiores escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro já investigados no país. Até agora, R$ 3,2 bilhões retornaram aos cofres da estatal por meio de acordos de colaboração firmados entre investigados e o Ministério Público Federal do Paraná, no âmbito da Operação Lava Jato. A primeira devolução foi feita em 2015 por Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras. Barusco é também a pessoa física que mais ressarciu a estatal até agora, devolvendo R$ 239 milhões. Além dele, 53 pessoas e nove empresas já devolveram dinheiro. O total de R$ 3,2 bilhões representa apenas uma parcela do que foi desviado da Petrobras, já que nem todos os investigados e condenados firmaram acordos de colaboração e os valores não correspondem necessariamente ao que foi subtraído. Nesta semana, a seção =igualdades dimensiona os montantes que já foram devolvidos à estatal, destacando alguns personagens-chave do caso.

Uma moeda do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró vale R$ 2 milhões – valor devolvido por ele à empresa.

 

Paulo Roberto da Costa, também ex-diretor, devolveu R$ 90 milhões, e sua moeda vale 45 moedas de Nestor Cerveró.

 

Já a moeda de Pedro Barusco, ou seja, o que ele devolveu, vale R$ 239 milhões – aproximadamente, a soma de 2 moedas de Paulo Roberto da Costa mais 29 moedas de Cerveró.

 

Os R$ 3,2 bilhões que voltaram aos cofres da Petrobras equivalem a 13 vezes o valor ressarcido por Barusco, mais 34 vezes a devolução de Cerveró.

 

As devoluções de Paulo Roberto Costa somaram R$ 90 milhões. A quantia se aproxima do valor ressarcido pela empresa Rolls-Royce em acordo de leniência firmado em 2017, de R$ 87 milhões.

 

A petroquímica Braskem foi a empresa que devolveu o maior valor à Petrobras. Ao todo, foram R$ 858,5 milhões, em valores corrigidos pela inflação. O ressarcimento equivale à soma de 2 vezes a devolução de Barusco mais 4 vezes a de Paulo Roberto da Costa, mais 10 vezes a de Nestor Cerveró

 

Estimativas de 2005 feitas por Polícia Federal, Tribunal de Contas da União e Ministério Público apontam que o valor desviado no mensalão, esquema ilegal de financiamento político ligado ao PT, chegou a R$ 101 milhões. Em valores atuais, a soma representa R$ 210 milhões. É um montante equivalente à soma de duas vezes a devolução de Paulo Roberto Costa mais 15 vezes o que foi devolvido por Cerveró.

 

A empresa de engenharia Technip devolveu, em 2019, R$ 313 milhões à Petrobras. A quantia se aproxima do valor ressarcido por Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, juntos.

 

Em julho, a Petrobras anunciou a venda de ações da BR Distribuidora por R$ 9,6 bilhões. Dessa forma, a subsidiária se tornou uma empresa majoritariamente privada. O valor da venda corresponde a 3 vezes o total ressarcido à Petrobras até o momento e equivale a 40 moedas de Barusco.

 

Fontes: Ministério Público Federal no Paraná; Petrobras.

Nota: Os valores ressarcidos à Petrobras desde 2015 foram corrigidos pela inflação medida pelo IPCA (IBGE).

Emily Almeida (siga @emilycfalmeida no Twitter)

Repórter da piauí

Amanda Rossi

Jornalista, trabalhou na BBC, TV Globo e Estadão, e é autora do livro Moçambique, o Brasil é aqui

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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