Igualdades

Bolsonário: entrevistas

Emily Almeida, Amanda Rossi e Renata Buono
09set2019_09h04

Desde que assumiu a Presidência até o fim de agosto, o presidente Jair Bolsonaro concedeu 73 entrevistas, entre exclusivas e coletivas. Foram 65,2 mil palavras proferidas, segundo levantamento realizado pela piauí. Ao longo dos meses, Bolsonaro passou a falar mais com a imprensa, e a quantidade de palavras ditas pelo presidente em entrevistas cresceu significativamente, registrando um pico no mês de julho. Deus foi citado acima de todos, mais que os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Já o vereador Carlos Bolsonaro, destaque no banco de trás do Rolls-Royce usado pelo presidente na cerimônia de posse, não teve o nome citado sequer uma vez, ao contrário dos irmãos políticos. De “cocô” a “tá ok”, o =igualdades analisa o dicionário do presidente nas entrevistas concedidas até agora. Nas próximas semanas, mais verbetes do Bolsonário.

O número de palavras ditas por Bolsonaro em entrevistas sextuplicou de janeiro para agosto, passando de 2.069 para 11.874.

 

O bordão “tá ok” foi dito 37 vezes. Já “isso aí”, 51 vezes

 

Deus foi citado acima de todos. Foram 54 referências a Deus, 47 a Paulo Guedes, 38 a Sergio Moro, 36 a Rodrigo Maia e 31 a Donald Trump

 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, que o presidente chama de zero três, foi o filho mais lembrado – teve o nome mencionado oito vezes. O senador Flavio Bolsonaro, filho zero um, apareceu duas vezes. Já o vereador Carlos Bolsonaro, o zero dois, não foi citado

 

A cada uma referência ao Partido Social Liberal (PSL) (2), sigla do presidente, Bolsonaro falou outras dez vezes do rival Partido dos Trabalhadores (PT) (20). 

 

Bolsonaro se referiu a armas 21 vezes. É sete vezes o número que disse a palavra “paz” (3).

 

A expressão “direitos humanos” só apareceu três vezes na boca do presidente. É quase o mesmo que “cocô” ou “nióbio”, mencionados duas vezes cada.

 

As menções de Bolsonaro a Venezuela e Cuba (66) foram quase tão frequentes quanto as citações aos Estados Unidos e China (62).

 

Assista ao vídeo:

Fonte: Transcrição de entrevistas de Jair Bolsonaro no site da Presidência da República

Dados abertos: O documento que serviu de base para a reportagem pode ser acessado aqui.



Emily Almeida (siga @emilycfalmeida no Twitter)

Repórter da piauí

Amanda Rossi (siga @amanda_rossi no Twitter)

Jornalista, trabalhou na BBC, TV Globo e Estadão, e é autora do livro Moçambique, o Brasil é aqui

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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