anais das redes

Bolsonaro e Haddad vão ao JN, bombam no Twitter e crescem

Jornal Nacional foi evento mais tuitado das campanhas dos candidatos do PSL e do PT; apresentadores viraram o assunto após as entrevistas

Marcella Ramos
18set2018_00h06
ILUSTRAÇÃO: PAULA CARDOSO / REPRODUÇÃO TV GLOBO

As entrevistas de Fernando Haddad e de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional foram as aparições públicas mais comentadas das campanhas de ambos no Twitter até agora. O candidato do PSL bateu recorde de citações de seu nome nesta corrida eleitoral, com 1,3 milhão de menções na rede. A entrevista do candidato do PT, em sua primeira aparição como cabeça de chapa, recebeu 266 mil menções no Twitter em 12 horas, a segunda mais comentada da série com os presidenciáveis. Coincidentemente ou não, após as entrevistas, as intenções de votos dos dois candidatos com os eleitores mais críticos à emissora aumentaram. De acordo com um levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getulio Vargas, as protagonistas da sabatina não foram as propostas dos candidatos. E sim os entrevistadores.

Nas palavras de Bolsonaro, entrevistado em 28 de agosto, a bancada do JN parecia “uma plataforma de tiro e artilharia” e, por isso, ele se sentia “confortável”. A condução dos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos, naquele dia, foi o assunto relacionado à entrevista mais comentado no Twitter. Foram 185 mil comentários a respeito da postura dos jornalistas, em especial a de Vasconcellos. A fala do deputado sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, e a réplica da jornalista provocaram ampla discussão na rede. A forma de conduzir a entrevista também foi o assunto mais comentado durante a sabatina de Ciro Gomes, a primeira da série, em 27 de agosto. Foram 60 mil menções ao tema, e o protagonista das associações era William Bonner, acusado de interromper demais as falas do candidato.

Na sabatina de Haddad, Bonner e Vasconcellos só não foram mais comentados que Lula, citado no Twitter mais de 98,3 mil vezes. A condução dos entrevistadores gerou 89 mil tuítes. Num dos momentos discutidos nas redes após a entrevista, o candidato declarou que, assim como a ex-presidente petista Dilma Rousseff era investigada, como Bonner havia acabado de dizer, a Rede Globo também era.

A postura dos jornalistas também foi o segundo assunto mais comentado durante a entrevista de Marina Silva, da Rede, e de Geraldo Alckmin, do PSDB. Atrás de citações à biografia da candidata, feitas 18 mil vezes, a condução da entrevista gerou 15 mil publicações no Twitter. Segundo o relatório da DAPP-FGV, os usuários comentaram que houve mudança na postura de Bonner, que, de acordo com os tuiteiros, teria se apresentado “menos combativo por receio de ser acusado de interromper excessivamente uma mulher”. O tom moderado também foi a reclamação mais frequente de quem assistiu à entrevista com Alckmin. A maneira como os apresentadores conduziram a entrevista com o tucano foi o segundo assunto mais comentado sobre o tema, com 9,5 mil tuítes.

 

Antes da entrevista no JN, Bolsonaro aparecia com 18% a 20% das intenções de votos na pesquisa Ibope de 20 de agosto. Depois da entrevista, em 5 de setembro, Bolsonaro aparece com 22%. Na pesquisa mais recente, feita após o atentado que o candidato sofreu em 6 de setembro, ele tem 26%. A trajetória de Haddad não é muito diferente. Em 20 de agosto, estava com 4% de intenção de votos e, menos de um mês depois, quando sua candidatura foi oficializada, em 11 de setembro, tinha o dobro disso. Uma pesquisa Datafolha do dia 14, feita antes da entrevista na Rede Globo, já apontava 13% de intenção de votos para Haddad. Desde então, nenhuma outra pesquisa dos dois institutos foi divulgada. A próxima pesquisa Ibope sai nesta terça-feira, e o próximo Datafolha na quarta. No sábado, uma pesquisa CNT/MDA apontou 18% das intenções de voto para o candidato petista.

Segundo o levantamento da DAPP-FGV divulgado nesta segunda, Haddad acumulou 303,3 mil engajamentos no Facebook, superior ao dia em que foi oficializado candidato. A entrevista, inclusive, garantiu 49 mil novas curtidas em sua página oficial, que tem média baixa de engajamento e curtidas por dia. Durante todo o ano, a entrevista foi o que gerou o melhor desempenho do petista nas redes sociais.

Da bancada do JN, o petista só não provocou mais citações no Twitter do que Bolsonaro. Até 6 de setembro, quando foi vítima do atentado em Juiz de Fora, a sabatina no telejornal era o assunto mais comentado sobre o candidato do PSL, muito maior do que qualquer debate. A entrevista na Globo continua sendo o assunto que mais conquistou curtidas para a página oficial do candidato no Facebook: 159 mil novos likes para Bolsonaro de terça a sexta-feira da semana em que apareceu no telejornal. Nem o atentado conseguiu esse feito.

Atrás de Haddad e Bolsonaro, Ciro Gomes foi o terceiro candidato com maior número de citações nas redes durante sua entrevista no JN, com 107 mil menções. O dia em que o candidato do PDT foi mais citado, no entanto, ainda é 10 de agosto, dia seguinte ao primeiro debate presidencial, na Band – quando o candidato do Patriotas, Cabo Daciolo, citou uma possível relação de Ciro com a Ursal e o Foro de São Paulo, o que gerou muitas piadas e 212 mil menções ao candidato.

Marina, cuja entrevista no JN foi citada 82 mil vezes, chamou mais atenção no dia do debate da RedeTV, em 17 de agosto, quando protagonizou um embate com Jair Bolsonaro. O episódio rendeu à candidata 90 mil menções. Alckmin, que teve 45 mil menções a sua ida à Rede Globo, registrou mais interações em 9 de agosto, durante o debate da Band, quando foi citado 112 mil vezes.

Durante as entrevistas de todos os candidatos, Bolsonaro foi o mais citado em conjunto com o adversário que estivesse na bancada. Com Haddad, por exemplo, o candidato do PSL foi mencionado 38 mil vezes. No dia da entrevista de Ciro, Bolsonaro foi comentado em 8,4 mil tuítes; na de Marina, 6 mil; e na de Alckmin, 7 mil.

Na entrevista de Haddad, Lula foi o principal subtema da sabatina. A principal hashtag associada ao tema foi #HaddadÉLulanoJN, que manteve o engajamento por parte da militância do PT (62,3 mil ocorrências no Twitter). Outras variações que apareceram foram #haddadnojn, #haddadnojornalnacional e #haddad13éLula13noJN. Entre opositores do PT, a hashtag #bolsonaropresidente17 teve 1,7 mil recorrências em associação ao debate sobre a sabatina de Haddad e ficou entre as dez principais hashtags engajadas sobre o evento.

Marcella Ramos (siga @marcellamrrr no Twitter)

Marcella Ramos é repórter e checadora de apuração da piauí

Leia também

Últimas Mais Lidas

Foro de Teresina #48: O avanço da Previdência, os ataques de Carluxo e a redução da pena de Lula

Podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

“PSL é a Geni do governo Bolsonaro”

Líder do partido no Senado diz que ministros são mal-educados com a base e que nunca falou com Santos Cruz

Sob Bolsonaro, militares perdem popularidade

Pesquisa inédita do Ibope revela queda de 13 pontos na preferência por governo militar entre brasileiros

Operação cerca-índio

Grilagem, desmatamento e perseguição a líderes assombram territórios indígenas em Rondônia

Há vagas, só não são boas

De cada 200 empregos criados em 2018, 171 pagavam até dois salários mínimos

Maria vai com as outras #7: Rugas de preocupação

Uma professora de inglês e uma física falam sobre como envelhecer afetou suas carreiras, suas vidas pessoais, a maneira como se apresentam e o que escolhem para vestir

Foro de Teresina #47: Bolsonaro joga diesel na crise, deputada é ameaçada, e STF embarca na censura

Podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

Delação financiada

Pressionada pela Lava Jato, CCR decide pagar 71 milhões de reais para demitir executivos e transformá-los em delatores; acionistas minoritários protestam

A guerra perdida de Toffoli

Embate no Supremo mostra sucessão de equívocos, avalia professor da FGV

Mais textos
1

Delação financiada

Pressionada pela Lava Jato, CCR decide pagar 71 milhões de reais para demitir executivos e transformá-los em delatores; acionistas minoritários protestam

3

A guerra perdida de Toffoli

Embate no Supremo mostra sucessão de equívocos, avalia professor da FGV

4

O apocalipse dos insetos

O futuro sinistro de um mundo sem mosquitos nem abelhas

5

Foro de Teresina #47: Bolsonaro joga diesel na crise, deputada é ameaçada, e STF embarca na censura

Podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

6

A metástase

O assassinato de Marielle Franco e o avanço das milícias no Rio

7

Sob Bolsonaro, militares perdem popularidade

Pesquisa inédita do Ibope revela queda de 13 pontos na preferência por governo militar entre brasileiros

8

Há vagas, só não são boas

De cada 200 empregos criados em 2018, 171 pagavam até dois salários mínimos

9

O chanceler do regresso

Os planos de Ernesto Araújo para salvar o Brasil e o Ocidente

10

Ordem no bandejão

Universitários se reúnem para celebrar o conservadorismo