=igualdades

Churrasco mais magro no Sul

Luiza Ferraz e Renata Buono
18set2020_19h13

No Sul, o churrasco, prato típico da região, ficou mais salgado com a alta no preço dos alimentos. Em agosto de 2019, se uma moradora de Florianópolis utilizasse 100 reais para comprar carne, conseguiria assar 4 quilos. Mas em agosto deste ano, com os mesmos 100 reais, só conseguiria 3 quilos. Isso porque o preço do quilo de uma carne como patinho ou coxão mole foi de 23,80 para 32,92 – um aumento de 38,3%. O valor subiu até mesmo em comparação a fevereiro, quando a pandemia ainda não tinha chegado com força no país e não estávamos em isolamento social. Naquela época, o quilo custava em média 29,73. Uma das possíveis explicações para a alta no preço da carne é o aumento da exportação desse produto por causa da pandemia. A capital da Bahia foi a que mais sofreu com o aumento no preço. Na cidade nordestina, o quilo da carne custava aproximadamente 22,48 em agosto do ano passado. Mas no mesmo mês deste ano, ela ficou quase dez reais mais cara – 30,74 reais. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que monitora mensalmente o preço dos itens da cesta básica em 17 capitais brasileiras.

Uma das explicações para a alta no preço da carne, assim como dos demais alimentos da cesta básica brasileira, é o aumento das exportações desses itens. Enquanto o churrasco por aqui fica mais magro, lá fora fica mais gordo. De janeiro a agosto de 2020, o Brasil exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne congelada, 22% a mais que no mesmo período do ano passado – quando exportou pouco mais de 822 mil toneladas. Em termos financeiros, a indústria movimentou 1,2 trilhão de dólares a mais do que no ano anterior segundo dados da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Luiza Ferraz (siga @lz_ferraz no Twitter)

Estagiária de jornalismo na piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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