questões cinematográficas

Cinemateca Brasileira – a que ponto chegamos

Vai transcrita abaixo carta aberta dos funcionários da Cinemateca Brasileira que vem de ser divulgada. Fica clara a ação nefanda do ministério da Cultura, primeiro forjando uma crise, depois agravando a situação com sua inoperância. O enigma que permanece é o motivo de tamanha mesquinharia pela qual a ministra Marta Suplicy e seu acólitos terão que responder.

Eduardo Escorel
19set2013_11h48
mon amour
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Vai transcrita abaixo carta aberta dos funcionários da Cinemateca Brasileira que vem de ser divulgada. Fica clara a ação nefanda do ministério da Cultura, primeiro forjando uma crise, depois agravando a situação com sua inoperância. O enigma que permanece é o motivo de tamanha mesquinharia pela qual a ministra Marta Suplicy e seu acólitos terão que responder.

“Diante da atual situação da Cinemateca Brasileira, deflagrada em janeiro do corrente ano, nós, trabalhadores, vimos a público expor a crise que vive uma das maiores instituições culturais do país.

Em fevereiro de 2013, a equipe técnica da Cinemateca Brasileira era composta por 124 trabalhadores, muitos desses na instituição há mais de uma década. As demissões e desligamentos ocorridos desde o início de março significam uma redução de mais de 52% do quadro funcional. A equipe remanescente conta com 22 funcionários públicos e 37 prestadores de serviços – estes possuem contratos que se encerram em no máximo dezembro deste ano.

O conhecimento acumulado e aprimorado ao longo de anos por nossa equipe é altamente especializado e corre o risco de se perder com o desligamento desses profissionais; isso se reflete diretamente na capacidade de resposta da Cinemateca às inúmeras demandas recebidas, na proposição de reflexão, no trabalho de formação de público, na promoção do espetáculo cinematográfico, assim como na preservação e difusão do patrimônio audiovisual brasileiro.

Nestes angustiantes 8 meses em que assistimos ao desmonte da instituição, as propostas emergenciais esboçadas pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura – SAv/MinC não se concretizaram, precarizando ainda mais o trabalho da Cinemateca.

Os cortes em custeio e investimentos, feitos pela SAv/MinC, que ocasionaram os desligamentos de equipes, atingem diretamente o atendimento ao público e o cumprimento da missão institucional da Cinemateca, prejudicando serviços como:

• a análise técnica de materiais do acervo e o monitoramento do seu estado de conservação;
• a atualização periódica das bases de dados internas e de acesso público;
• a produção de novas cópias digitais e em película com fins de preservação e difusão;
• a Biblioteca Paulo Emilio Salles Gomes deixou de prestar atendimento aos sábados, e continua aberta apenas por conta de uma parceria entre a Cinemateca e o Hospital Premier que se responsabilizou pelo pro labore do único bibliotecário de nosso quadro técnico;
• o setor de Pesquisa de Imagem encontra-se quase inoperante, afetando pesquisadores e o licenciamento de imagens para novas produções;
• o empréstimo de cópias a mostras e festivais nacionais e internacionais;
• o folheto de divulgação com a programação das salas, que foi cancelado;
• a assessoria de imprensa, que foi dispensada;

Dedicamo-nos diariamente para preservar e difundir o cinema brasileiro. Consideramos nosso dever e direito solicitar aos órgãos competentes ações que garantam que a Cinemateca Brasileira, fundada há mais de seis décadas, não tenha interrompida sua trajetória e se mantenha como referência no campo do audiovisual mundial. Defendemos a diversidade e a ampliação do acesso à cultura e manifestamos nossa preocupação com o futuro desta instituição.

Deixamos aqui expressa nossa solidariedade para com os trabalhadores desligados, cada um com seu período de dedicação à casa:

Maria Aparecida, 23 anos; Baltazar, 22 anos; Umberto, 15 anos; Giselda, 13 anos; Rodrigo, 12 anos; Thais, 11 anos; Walter, 11 anos; Maria Beatriz, 10 anos; Rafael, 9 anos; Pedro, 8 anos; Ivan, 7 anos; Karina, 7 anos; Leandro, 7 anos; Luiz, 7 anos; Rosemary, 7 anos; Tathiana, 6 anos; Vivian, 6 anos; Pamella, 6 anos; Vivianne, 6 anos; Cecília, 5 anos; Deigmar, 5 anos; William, 5 anos; Cesar, 4 anos; Ingrid, 4 anos; Sergio, 4 anos; Daniel, 4 anos; Rayane, 4 anos; Gilvando, 4 anos; Marcela, 3 anos; Virginia, 3 anos; Marilia, 3 anos; Victor, 3 anos; David, 3 anos; Lila, 3 anos; Paula, 3 anos; Eliana, 3 anos; Eny, 3 anos; Renata, 2 anos; Marco, 2 anos; Maria, 2 anos; Daniel, 2 anos; Daniela, 2 anos; João, 2 anos; Andréa, 1 ano; Antônio, 1 ano; Marcio, 1 ano; Rodrigo, 1 ano; Rodrigo, 1 ano; Valéria, 9 meses; Carlos, 6 meses; Cauê, 6 meses; Fabiano, 6 meses; Gabriel, 6 meses; Tamara, 6 meses; Emilio, 5 meses; Natalia, 5 meses.

Assembleia Geral de Funcionários da Cinemateca Brasileira
São Paulo, 11 de setembro de 2013."

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Eduardo Escorel

Eduardo Escorel, cineasta, diretor de Imagens do Estado Novo 1937-45

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