Festival Piauí GloboNews de jornalismo

Ciro Gomes: “O Brasil vai ter que escolher entre a minha elegância e a do João Doria”

Pré-candidato à presidência da República em 2018 pelo PDT, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, foi entrevistado pela jornalista Daniela Pinheiro, da piauí, no evento “Conversa com a Fonte”, dentro do Festival Piauí GloboNews de Jornalismo.

09out2016_15h43
FOTO: TUCA VIEIRA
FOTO: TUCA VIEIRA

Pré-candidato à presidência da República em 2018 pelo PDT, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, foi entrevistado pela jornalista Daniela Pinheiro, da piauí, no evento “Conversa com a Fonte”, dentro do Festival Piauí GloboNews de Jornalismo.

Ao comentar sua relação com a mídia, na primeira intervenção, Ciro se definiu como “um produto da imprensa”. “Nasci filho de dois funcionários públicos. Tudo que tenho é minha língua. E a imprensa reverbera isso.” Mais adiante, afirmou que “a grande mídia brasileira é nepotista. São cinco famílias que pensam a mesma coisa. E agora uma igreja” [referindo-se à Universal, que é dona da Rede Record]. Ele defendeu a necessidade de se estimular a mídia regional e se colocou contrário a qualquer tipo de regulação estatal do setor: “Sou a favor do controle remoto, da liberdade de mudar de canal”. Ciro também disse que, há muito tempo, não cultiva mais o hábito de ler jornal. “Costumo me informar pela internet. Leio o UOL e acompanho o que é postado no Facebook.”

Durante uma hora e meia, o pré-candidato disparou críticas para todos os lados da esfera política: “Michel Temer é um golpista salafrário”, “Fernando Henrique fez o governo mais ruinoso da história republicana brasileira. E a Dilma, nesse quesito, é candidata a vice”, “O Lula se descolou da realidade, começou a brincar de Deus e se queimou”, “Qual foi a reforma que o Lula propôs para todo o país fora a tomada de três pinos?”, “Freixo é um moralista pequenininho demais para governar o Rio de Janeiro”, “Eu morro dizendo que o José Serra não gosta de pobre. Ele é o fim da picada. E, para piorar, está senil”. Dos políticos com mandato, poupou Fernando Haddad, o prefeito petista de São Paulo: “É um puta de um cara. Não se produz um cara assim com facilidade. Mas ele não tem temperamento, não tem agressividade”.

Indagado se o seu temperamento explosivo pode atrapalhá-lo na corrida à Presidencia, Ciro respondeu: “Eu chamei o Eduardo Cunha de ladrão a quatro metros dele quando a população ainda não sabia quem ele era. É o tipo de confronto que eu faço. O Brasil vai ter que escolher entre a minha elegância e a do João Doria. Não vou vender minha alma para ser presidente do Brasil”.

Entrevistado pela repórter Julia Duailibi ontem, no mesmo “Conversa com a Fonte”, João Doria, prefeito eleito de São Paulo, afirmou: “Algum dia, quem sabe, todos os brasileiros poderão usar Polo Ralph Lauren”. Ciro se mostrou preocupado com a frase: “Isso é muito sério”, repetiu duas vezes.

Ele também criticou a recorrente negação da política: “Negar a política é sinônimo de fascismo. A população está sendo enganada pela ideia de que a política se faz por não políticos”. Disse, ainda, que a direita tem saído cada vez mais do armário. “Bolsonaro pegou 8% do eleitorado fascistoide que votava escondido no PSDB e agora vota nele.”.

Quando Daniela Pinheiro lhe perguntou o que faria a partir de amanhã se fosse eleito presidente do Brasil, Ciro brincou: “Ia na igreja rezar”. Em seguida, defendeu a conciliação dos interesses de múltiplos setores em torno de um projeto de desenvolvimento nacional. “Qual foi a nação que conseguiu protagonismo em tecnologia, por exemplo, sem convergência entre o Estado e o setor privado? Não conheço nenhuma.”

 

 



Leia Também

Últimas Mais Lidas

Acompanhe a transmissão ao vivo da segunda Maratona Piauí CBN de Podcast

Encontro está sendo transmitido em áudio e em vídeo nos sites e redes sociais da piauí e da CBN

A história e os bastidores do Foro de Teresina

Apresentadores relembram início do programa, que completa um ano esta semana

Conteúdo patrocinado e anunciantes estão entre os principais modelos de financiamento

Diretor da CBN diz que programas em áudio são caminho para formar novos ouvintes

Interação com o público ajuda a ganhar e manter audiência

Fidelidade de ouvintes pode se transformar em financiamento coletivo e ajudar a manter podcasts

Os desafios e a rotina de contar histórias em podcast

Roteiro capaz de amarrar narrativas é segredo para um bom programa; dificuldade de financiamento é cotidiana

Mais textos
4

Acabou a palhaçada

O circo mais tradicional dos Estados Unidos baixa a lona

6

Base aliada quer implantar modelo da Santíssima Trindade

CÉU – A pedido de José Sarney, Michel Temer, Valdemar Costa Neto e seus correligionários comunistas do PC do B, a base aliada enviou ontem uma missão exploratória ao Paraíso com a intenção de estudar o caso da Santíssima Trindade, cujas características estruturais são julgadas de extremo interesse a uma futura recomposição ministerial. “Foi a bancada evangélica que nos deu o toque”, disse o chefe da missão, senador Romero Jucá, visivelmente impressionado: “Com essa história de trocar de ministro toda semana, cada partido tenta emplacar o seu candidato e isso tem gerado muita briga interna. Foi daí que o pastor Manoel Ferreira puxou da Bíblia e sugeriu: ‘Por que não seguir o caminho do Senhor?’”

10

As quatro voltas – redescoberta do cinema

Uma particularidade notável de As quatro voltas – tradução infeliz de Le quattro volte, que deveria ter sido traduzido por As quatro vezes –, exibido na mostra Foco Itália do Festival do Rio, é a sintonia perfeita entre tema e estrutura narrativa. Registro acurado da vida em um vilarejo isolado no alto de uma montanha, só identificado nos créditos finais como sendo Caulonia, na Calábria, o filme dirigido por Michelangelo Frammartino trata de ciclos vitais narrados de forma cíclica.