questões cinematográficas

Cultura de contadores – o caso da Cinemateca Brasileira

A atual gestão do ministério da Cultura será lembrada por ter curvado a própria espinha diante da Controladoria Geral da União (CGU) e adotado critérios formais, de caráter administrativo e contábil, para justificar sua intervenção na Cinemateca Brasileira (CB).

Eduardo Escorel
11ago2013_15h31
Época
Época

A atual gestão do ministério da Cultura será lembrada por ter curvado a própria espinha diante da Controladoria Geral da União (CGU) e adotado critérios formais, de caráter administrativo e contábil, para justificar sua intervenção na Cinemateca Brasileira (CB).

A ministra Marta Suplicy preferiu a mediocridade à criatividade, a paralisia ao dinamismo, a inoperância à eficiência, o retrocesso ao aperfeiçoamento – opções que já causaram prejuízos consideráveis e põem em risco o mais valioso acervo de filmes brasileiros existente.

Essa é a conclusão a que se chega, lendo “A cinematográfica crise da Cinemateca Brasileira”, matéria assinada por Rodrigo Pereira, publicada na revista desta semana.

Quem depende dos diversos serviços prestados pela CB, acompanha sua atividade de difusão e está informado sobre seus diversos projetos, inclusive de restauro de filmes brasileiros, constata que, desde janeiro, depois da demissão do diretor Carlos Magalhães, a inação do Ministério da Cultura vem agravando o quadro, segundo alguns de maneira irremediável. Para lidar com o relatório da CGU, indicando questões formais que envolvem a CB e a Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), além da Secretaria do Audiovisual (SAv) do próprio Ministério da Cultura, em vez de examinar o mérito das alegações, a ministra Marta Suplicy resolveu primeiro matar o paciente – forma cômoda, e pouco responsável, de atuar.



A matéria da menciona que “possíveis irregularidades” teriam sido indicadas no relatório da CGU, mas “ninguém foi indiciado e tampouco há evidências de enriquecimento ilícito ou desvio de verba. A maior parte das responsabilidades, inclusive, parece recair”, afirma a , “sobre a SAv, [Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura] por não ter fiscalizado devidamente a parceria.”

Quem conhece as diretorias da CB e da SAC, assim como os membros dos Conselhos das duas instituições, e o corpo técnico da CB, confia que a auditoria encomendada, por inciativa própria, pela SAC à PricewaterhouseCoopers deixará tudo em pratos cristalinos. A tragédia é que, quando isso ocorrer, será tarde demais.

Não há quem faça cinema no Brasil que possa deixar de considerar a Cinemateca Brasileira como sendo sua casa. Pois o que ministério da Cultura está fazendo é arrasar nossa moradia. A ministra será lembrada para sempre por isso.

Eduardo Escorel

Eduardo Escorel, cineasta, diretor de Imagens do Estado Novo 1937-45

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