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revista piauí

Elas na sala de aula

12mar2021_17h26
Amanda Gorziza, Antonio S. Piltcher e Renata Buono

O Brasil é um país de professoras: elas são 81% dos docentes escolares, mas a presença de mulheres diminui à medida em que avança o nível das etapas de ensino. E, apesar de as escolas brasileiras terem proporções equilibradas de matrículas entre meninos e meninas, a desigualdade de gênero no ambiente educacional persiste. Os dados do Censo Escolar de 2020 mostram que, enquanto na educação infantil as mulheres correspondem a 96% dos docentes, no ensino médio o percentual diminui para 58%. A desigualdade também se reflete no salário: os professores ganham 12% a mais que as professoras. Em Minas Gerais, a disparidade salarial é a maior do país: homens têm remuneração média mensal 35% maior que as mulheres. As informações sobre a educação básica foram destrinchadas pela equipe do Pindograma, site de jornalismo de dados. Veja os detalhes no =igualdades desta semana:

 

 

A desigualdade de gênero na educação básica é algo recorrente em muitos países pobres. No entanto, as escolas brasileiras têm proporções equilibradas de meninos e meninas matriculados. Na educação infantil e no ensino fundamental, há ligeira predominância de garotos e, no ensino médio, de garotas.

 

 

 

Nas escolas regulares, técnicas e EJA, as mulheres são maioria no corpo docente. No total, 81% dos professores são mulheres, e 19%, homens. 

 

 

 

 

Com a evolução das etapas de ensino, a presença de professoras diminui. Mulheres correspondem a 96% dos professores da educação infantil. No ensino fundamental I e II, elas representam, respectivamente, 88% e 67% dos docentes. No ensino médio, o percentual diminui para 58%.

 

 

A desigualdade também se reflete no salário dos docentes: no Brasil, uma professora recebe, em média, R$ 3.294, enquanto um professor ganha R$ 3.706 – 12% a mais. A disparidade de salários é causada principalmente pelo fato de as mulheres estarem mais presentes em níveis escolares mais baixos e regiões com salários menores.

 

 

 

Em Minas Gerais, a disparidade salarial é ainda maior: as mulheres têm remuneração média mensal de R$ 3.072, enquanto os homens recebem, em média, R$ 4.157 – 35% a mais. Já o Acre é o estado com a maior igualdade salarial no sistema de educação básica. Homens e mulheres ganham, respectivamente, R$ 3.349 e R$ 3.358, em média.

 

 

 

 

Na separação por gênero, estado e etapa de ensino, a categoria mais bem paga é a de uma professora do ensino médio de Roraima. Ela ganha, em média, R$ 9.600 – seis vezes mais que um professor do ensino fundamental II alagoano, que recebe R$ 1.502. No total, são 831 professoras no recorte de Roraima e 1.032 professores no de Alagoas.

 

 

No Enem, a diferença do desempenho de homens e mulheres é maior entre os mais pobres. Dos candidatos que declararam ser de família “sem renda”, os homens obtiveram onze pontos a mais na média geral; entre os mais ricos, a diferença foi de apenas um ponto.

 

 

Fontes: Censo Escolar 2020; Relação Anual de Informações Sociais 2019; Enem 2019, compilados pelo Pindograma via Base dos Dados Mais

 

 

 

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