questões eleitorais

Eleições: “Se a gente não confiar, acabou o Brasil”, diz Mourão

Vice de Bolsonaro afirmou acreditar no processo de votação deste domingo

Fabio Victor
07out2018_15h33
FOTO: PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS

Candidato a vice de Jair Bolsonaro, o general Hamilton Mourão disse, na tarde deste domingo, que acredita no processo eleitoral e no resultado que vier das urnas. “Se a gente não confiar nisso aí [no processo eleitoral], acabou o Brasil”, afirmou, no saguão do aeroporto de Brasília, onde votou. Em entrevista em 28 de setembro, Bolsonaro havia afirmado que não aceita “resultado diferente da minha eleição”. Depois, o presidenciável do PSL voltou atrás e disse que acataria o resultado apurado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Mourão conversou com jornalistas antes de embarcar para o Rio de Janeiro, onde vai acompanhar a apuração do resultado com Bolsonaro.

O general da reserva também falou sobre a expressão “branqueamento da raça”, que ele usou para dizer que seu neto era “um cara bonito”, na tarde deste sábado, véspera do primeiro turno. “Branqueamento foi uma brincadeira, eu brinco e as pessoas não entendem o que é brincadeira”, afirmou Mourão, neste domingo. “Sou sincero, é o meu jeito. Tenho 65 anos e jamais vou mudar.”

O vice de Bolsonaro comentou o que acredita ser o papel da imprensa e sua relação com os veículos de comunicação. “Não sou inimigo da imprensa. A imprensa é para os governados, não para os governantes”, disse, antes de embarcar. “Podem bater à vontade. A carcaça é boa.”

 

Ao chegar ao Rio, Mourão afirmou à piauí que um dos seus papéis na campanha é apanhar no lugar do cabeça de chapa, e que os dois têm papéis complementares. “Como vice, serei espada e escudo do Bolsonaro, vou defender e vou atacar. Enquanto esteve no hospital, ele quase não apanhou, eu que apanhei para ele. Nenhum outro vice apanhou tanto quanto eu”, disse Mourão.

Ao longo da campanha, o militar deu declarações que o obrigaram a se explicar em seguida, por causa da repercussão negativa causada. Defendeu uma nova Constituinte sem participação popular (feita por um “conselho de notáveis” e só então submetida a plebiscito), se queixou de como o 13º salário é oneroso para o setor produtivo, definiu como “fábrica de desajustados” famílias pobres lideradas por mães e avós, associou índios a “indolência” e negros a “malandragem”, além do comentário sobre o “branqueamento da raça”.

Mourão afirmou que a imprensa exagera o que ele diz, e atribuiu a situação ao “politicamente correto” na campanha. Neste domingo, acrescentou que procuram jogá-lo contra Bolsonaro, mas em vão. “Tem havido uma certa tentativa de nos separar, dizem que um general nunca vai obedecer a um capitão. Isso é intriga. Desde 1990, quando ele se tornou deputado, ele tem precedência sobre mim”, disse Mourão.

“Temos estilos diferentes que se complementam, somos faces de uma mesma moeda.” Segundo o vice, quando a repercussão é maior, Bolsonaro o procura e pede com jeito para que ele tenha mais cuidado.

O general votou pela manhã em Brasília, onde morava até março e onde vivem seus filhos. Seu voto foi para o general da reserva Paulo Chagas (PRP), que terminou em quarto lugar, com 7,35% dos votos. “Amigo vota em amigo”, justificou.

No Rio, onde vive atualmente – é presidente licenciado do Clube Militar –, o general acompanhou a apuração na casa de Bolsonaro, na Barra da Tijuca. Ao chegar ao condomínio onde mora o companheiro de chapa, no início da noite, Mourão foi festejado pelas dezenas de apoiadores que se aglomeravam no local.

Um engarrafamento se formou neste trecho da avenida, porque os partidários de Bolsonaro tomaram as ruas, festejando, num clima de Carnaval. Camelôs vendiam bandeiras do Brasil e bonecos do “pixuleco” (do ex-presidente Lula vestido de presidiário). Uma caixa de som ecoava o Hino Nacional. Em um dos cartazes exibidos pelos manifestantes estava escrito: “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”

*

Esta reportagem foi atualizada às 21h53 de domingo, 7 de outubro.

Fabio Victor (siga @fabiopvictor no Twitter)

Fabio Victor é repórter da piauí. Na Folha de S.Paulo, onde trabalhou por vinte anos, foi repórter especial e correspondente em Londres

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