Igualdades

Epidemias diferentes numa mesma pandemia

Camille Lichotti, Plínio Lopes e Renata Buono
23mar2020_13h18

A pandemia do novo coronavírus continua testando os governos de todas as partes do mundo. Pelo menos 340 mil pessoas foram infectadas e 14,7 mil morreram até esta segunda-feira (23). Enquanto alguns países optam por um modelo mais restritivo para combater o vírus – fechamentos de províncias inteiras e acompanhamento de todas as pessoas que tiveram contato com os casos –, outros optam pelo isolamento social e pela testagem apenas de casos graves. O =igualdades desta semana mostra as diferentes estratégias adotadas pelos países no combate ao coronavírus durante a epidemia.

A China teve 81 mil casos do novo coronavírus e 3,2 mil mortes –  mortalidade de 4% – em 60 dias, desde o primeiro caso de transmissão comunitária até sexta-feira (20). Na Itália, são 47 mil casos e 4 mil mortes – taxa de 8,5% – em 28 dias desde 20 de fevereiro (primeiro caso de transmissão comunitária) até 20 de março. 

A China optou por uma estratégia de supressão: casos suspeitos já eram separados da família e isolados em unidades próprias, separados por idade e sexo. A Itália usou inicialmente a estratégia de mitigação: casos suspeitos ficavam em quarentena doméstica, sob o mesmo teto que o resto da família.

Um aspecto que ajuda a entender a diferença na letalidade da Covid-19 na China e na Itália é a composição etária da população. Na Itália, 23 a cada 100 habitantes têm mais de 65 anos; na China, são 11 a cada 100. Nos dois países, idosos são vítimas mais frequentes da doença, mas, na Itália, frente à falta de respiradores artificiais, a prioridade foi dada aos mais jovens. Na China, 51% dos mortos por Covid-19 têm mais de 70 anos. Na Itália, 86% dos mortos pela doença têm mais de 70 anos.

Na China, no grupo de pacientes de mais de 70 anos infectados pelo coronavírus, 9,8% morreram. Na Itália, entre os pacientes com mais de 70 anos, 19% morreram.

Testar em massa foi a principal recomendação da Organização Mundial da Saúde para dimensionar o avanço do vírus e conter a transmissão. Coreia do Sul e Estados Unidos registraram o primeiro caso confirmado no dia 20 de janeiro. Nas sete semanas seguintes, até dia 08 de março, o país asiático realizou 188.518 testes3.651 por milhão de habitantes –, e os EUA, 13.515 testes – apenas 41 por milhão. Ou seja: a Coreia do Sul fez 89 vezes mais testes,  proporcionalmente à população, do que os EUA.

Em 8 de março, 48º dia da epidemia nos dois países, a Coreia do Sul registrou 367 novos casos, enquanto os Estados Unidos, apenas 76. Passados doze dias, a Coreia do Sul controlou o ritmo da doença e confirmou apenas 87 casos novos em 20 de março. Já os EUA registraram, na mesma data, 5.315 casos novos.

A Coreia do Sul realizou 5.946 testes para cada 1 milhão de habitantes, do início da epidemia até 19 de março. A Itália fez 3.423 testes até a mesma data. Já o Japão, às vésperas das Olimpíadas, tem realizado poucos testes: 117 para cada 1 milhão de habitantes. 

 

FontesThe COVID Tracking Project; Centers for Disease Control and Prevention; Korea Centers for Disease Control and Prevention; Ministério da Saúde do Japão; Ministério da Saúde da Itália; Banco Mundial; Universidade John Hopkins.

             

Camille Lichotti (siga @camillelichotti no Twitter)

Estagiária de jornalismo na piauí

Plínio Lopes (siga @Plluis no Twitter)

Repórter freelancer, trabalhou na Agência Lupa e é especializado em jornalismo de dados e fact-checking

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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