Festival Piauí GloboNews de jornalismo

festival 2015 | Jorge Lanata fala da tensão entre o governo argentino e a imprensa

19out2015_19h25
Foto: Tuca Vieira
Foto: Tuca Vieira

O argentino Jorge Lanata foi o primeiro jornalista a subir ao palco do II Festival Piauí Globo News de Jornalismo, em São Paulo, no sábado, dia 10 de outubro. Colunista do Clarín, radialista na Radio Mitre e apresentador de tevê no Canal 13, Lanata é um dos jornalistas investigativos mais respeitados da Argentina. Os mediadores Fernando de Barros e Silva, da revista Piauí, e Sylvia Colombo, da Folha de S.Paulo, começaram a conversa com perguntas sobre a relação do governo de Cristina Kirchner com a imprensa. Lanata respondeu que o atual governo decidiu encarar os meios de comunicação como um inimigo comum a fim de conquistar apoio popular. Ele acrescentou que a Argentina trava uma briga populista com a imprensa. O jornalista negou que faça oposição: disse que apenas faz seu trabalho de jornalista ao apresentar fatos que desagradam ou comprometem o governo. Segundo Lanata, jornalismo militante é filosoficamente contrário à profissão.  Ele acrescentou que os governos do casal Kirchner se assemelham ao peronismo em seu caráter personalista e autoritário.

Da tensa relação do governo argentino com a imprensa, a conversa caminhou na direção da Leis dos Meios. Lanata disse que em alguns casos é preciso desconcentrar os monopólios de mídia, mas argumentou que o Clarín não representa um monopólio. “O governo quer criar audiência com decreto, mas audiência se conquista com talento”, declarou o jornalista, que também criticou o fato de Cristina ter feito 44 depoimentos em cadeia nacional em um ano.

Apresentador de populares programas jornalísticos no rádio e televisão, Lanata falou da mistura do jornalismo com humor e comentou o caso do jornal francês Charlie Hebdo. Para ele, é importante combater, por meios legais, a injúria, danos e calúnias cometidos por jornalistas. Ao mesmo tempo, disse ser contrário a uma lei específica que regule a imprensa. “Quem tem que controlar a imprensa é o público. Isso não cabe ao Estado”.

Uma das maiores audiências do país no rádio e na televisão, Jorge Lanata declarou que a última temporada do programa de TV dominical que apresenta, o Periodismo para todos, irá ao ar neste ano.  O programa trata o noticiário político com humor. O conteúdo jornalístico desperta o descontentamento oficial, a ponto de o governo, que detém os direitos de exibição do futebol, marcar as partidas de futebol para o mesmo horário do programa de Lanata. “Rir do poder põe em questão a autoridade dos poderosos.”

Leia Também

Últimas Mais Lidas

Acompanhe a transmissão ao vivo da segunda Maratona Piauí CBN de Podcast

Encontro está sendo transmitido em áudio e em vídeo nos sites e redes sociais da piauí e da CBN

A história e os bastidores do Foro de Teresina

Apresentadores relembram início do programa, que completa um ano esta semana

Conteúdo patrocinado e anunciantes estão entre os principais modelos de financiamento

Diretor da CBN diz que programas em áudio são caminho para formar novos ouvintes

Interação com o público ajuda a ganhar e manter audiência

Fidelidade de ouvintes pode se transformar em financiamento coletivo e ajudar a manter podcasts

Os desafios e a rotina de contar histórias em podcast

Roteiro capaz de amarrar narrativas é segredo para um bom programa; dificuldade de financiamento é cotidiana

Mais textos
2

Resultado de teste de covid-19, só um mês depois do enterro

Se Brasil repetir padrão chinês, hospitalizações por síndromes respiratórias graves apontam para 80 mil casos no país

3

Não tenho resposta para tudo

A vida de uma médica entre seis hospitais e três filhos durante a pandemia

4

Direito à despedida

As táticas de médicos e famílias para driblar a solidão de pacientes de covid-19 nas UTIs

6

Onze bilhões de reais e um barril de lágrimas

Luis Stuhlberger, o zero à esquerda que achava que nunca seria alguém, construiu o maior fundo multimercado fora dos Estados Unidos e, no meio da crise, deu mais uma tacada

8

E se ele for louco?

Suspeitar da sanidade mental de Bolsonaro não permite encurtar caminho para afastá-lo; saída legal é o impeachment

9

Separados pelo coronavírus

Ao falar contra isolamento, Bolsonaro surpreende até Bannon, favorável à quarentena total; no Brasil, cúpula do Congresso teme autoritarismo e evita confronto direto

10

Uma esfinge na Presidência

Bolsonaro precisa do impeachment para fazer sua revolução