Encontrada personalidade que não opinou sobre a reforma gráfica de O Globo

01ago2012_17h59

JARDIM BOTÂNICO – Destacada diariamente em letras de fôrma no jornal O Globo, a reforma gráfica do jornal O Globo foi alvo de intensos debates no jornal O Globo. Anunciado desde junho, o redesenho do jornal mobilizou colunistas, editores, repórteres, estagiárias, ministros, arquitetos, artistas, empresários, garçons do Lamas, parlamentares, ex-BBBs, prefeitos, governadores, ativistas, jornaleiros, calígrafos, cirurgiões dentistas, coveiros, mulheres ricas e Barack Obama. Todos, sem exceção, foram chamados a opinar sobre a nova configuração.  "Achei o jornal mais leve, as páginas mais bem arrumadas. Um brinde ao novo!", disse Zeca Pagodinho. Hillary Clinton concordou, destacando os vários níveis de leitura. “Dependendo da minha agenda, entre uma reunião com Netanyahu e uma descompostura na Merkel, posso me inteirar das notícias lendo apenas o antetítulo, o título ou o subtítulo.”

A única voz dissonante foi a de Sérgio Guerra, presidente do PSDB: "Olha, veja bem, ficou até direitinho, mais atraente. Mas o destaque desproporcional dado ao assunto tem o claro interesse de desviar o foco do julgamento do mensalão", obtemperou.

Internamente, todos os colunistas foram convocados a emitir seu parecer: Joaquim Ferreira dos Santos evocou os vendedores de mate da praia do Leblon, o biscoito Globo, os garçons do Bracarense e o Fla-Flu para dizer que a essência carioca permanece impressa nas páginas do jornal. Arnaldo Jabor foi enfático: "No Rio de Janeiro que eu vivi não havia reformas gráficas, e nós, que amávamos tanto a Revolução, julgávamos toda a beleza uma afetação burguesa. A única exceção eram as pernas da Norma Bengell, que nós, babacas, admirávamos quase tanto quanto os filmes de Godard”. Merval Pereira salientou que o uso acentuado do azul e amarelo livrou o projeto dos grilhões do petismo dominante, observando, entretanto, que a nova paginação em uma só coluna o obrigará a desenvolver raciocínios mais sintéticos do que os que está acostumado desde que leu Os Irmãos Karamazov. "A reforma é um marco da liberdade de imprensa", reforçou em discurso na Academia de Letras. Emocionada, Cora Ronai publicou um texto em que descrevia como a nova tipologia agradou em cheio aos seus gatos. Jorge Bastos Moreno declarou que a beleza do novo jornal o aproxima das covinhas estonteantes de Mariana Ximenes. Já Caetano Veloso, que permaneceu opinando até o fechamento desta edição do piauí herald, destacou: "É uma coisa tão linda a transmutação midiática. É como perceber a ação do tempo sobre as ladeiras do Pelourinho". Todas as opiniões foram republicadas no Blog do Noblat.

Após doze horas de extenuante jornalismo investigativo, a equipe do piauí herald conseguiu, finalmente, encontrar uma pessoa que não emitiu seu parecer sobre a reforma do jornal O Globo. "Estou muito atarefado com as olimpíadas. Mas, me disseram que está parecido com o jornal O Dia", disse Edir Macedo.

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