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A tragédia de Juliana Marins, momento a momento

Como uma família tentou impedir sua caçula de ser engolida por um abismo na Indonésia

06jan2026_13h44

A turista espanhola Olivia de Olmedilla subia o Monte Rinjani, um vulcão ativo na Ilha de Lombok, na Indonésia, quando ouviu alguém gritar: Help, help! Ela parou e avistou uma mulher caída na encosta interna da cratera, no que lhe pareceu ser uns 200 metros de distância da borda da trilha.

 

O guia Ali Musthofa informou o nome da moça que havia deslizado na encosta: Juliana Marins, uma brasileira. Olmedilla e seu grupo procuraram pistas no Instagram. Encontraram uma Juliana Marins que viajava pela Ásia e enviaram mensagens para os contatos dela, sobretudo para aqueles com o mesmo sobrenome que comentavam suas postagens. O pai, Manoel Marins, a irmã Mariana e pelo menos três primas receberam alertas. Naquele momento, só Mariana viu. No Brasil, era a noite de 20 de junho de 2025, sexta-feira.

 

Os próximos quatro dias seriam marcados por acontecimentos confusos, embaralhados por um fuso horário de onze horas de diferença e por diferenças culturais. De um lado, na Indonésia, a jovem brasileira deslizava abismo abaixo enquanto equipes de resgate se atrapalhavam para prestar qualquer socorro. Do outro, em um pequeno apartamento em São Paulo, a família tentava, desesperadamente, fazer algo para evitar que ela escorregasse mais, em direção a um abismo que terminava no fundo da cratera.

 

 

 

  Os Marins iniciaram uma mobilização para socorrer a jovem, enfrentando a morosidade da administração do Parque Nacional do Monte Rinjani. Pediram ajuda à embaixada brasileira em Jacarta, dispararam posts nas redes sociais, que já pegavam fogo, indignadas com a demora no resgate e a falta de comunicação entre autoridades dos dois países. A imprensa brasileira entrou em alerta.

 

Juliana Marins, de 26 anos, estava no quarto mês de um mochilão pelo Sudeste Asiático. As imagens da jovem, feitas por um drone, caída em uma língua de areia vulcânica logo se espalhariam pela internet.

 

Apenas no dia 23, segunda-feira, os socorristas conseguiram encontrar Juliana Marins, que não havia resistido à queda. Na piauí deste mês, Angélica Santa Cruz reconstitui em detalhes essa tragédia que comoveu o Brasil e deixou as autoridades da Indonésia de cabelo em pé. “As pessoas se aproximavam da gente e pediam desculpas pela morte dela”, lembra Sady Neto, primo de Juliana, que foi até o país asiático com o pai da jovem, Manoel Marins.

 

 

 

O resgate do corpo foi complexo. Na noite de 24 de junho, um grupo de socorristas acampou a 3 metros dele, para evitar que deslizasse e voltasse ao ponto em que caíra. Quando ele foi enfim levado para a base do parque, o pai e dois primos de Juliana já estavam lá, depois de uma viagem que durou quase quarenta horas.

 

Ali mesmo, fizeram o reconhecimento, dentro de uma ambulância. E, em duas reuniões, souberam dos detalhes de descalabro que resultou na morte da brasileira – uma série de erros que incluiu um falso check-out feito na portaria do parque, socorristas aparecendo com cordas curtas demais e divulgação de informações falsas. Acidentes graves haviam acontecido dias antes e se repetiram dias depois do de Juliana. Depois da repercussão da mobilização internacional feita pela família Marins, pelo menos, o parque foi obrigado a refazer todos os seus procedimentos de segurança.

 

Assinantes da revista podem ler a íntegra da reportagem neste link.

 

 

 

 

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