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Kennedy esquece quem pagou o seu carro

No momento em que se celebra os cinquenta anos de um dos eventos mais traumáticos do século XX, o assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, o documento reproduzido nesta página permite evocar sua figura aos trinta e oito anos, quatro antes de ser eleito presidente dos Estados Unidos. Filho de um empresário milionário que havia sido embaixador dos Estados Unidos na Inglaterra logo antes da guerra, Kennedy, apelidado Jack, foi o presidente eleito mais moço e o primeiro e único católico.

| 19 nov 2013_23h37
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No momento em que se celebra os cinquenta anos de um dos eventos mais traumáticos do século XX, o assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, o documento reproduzido nesta página permite evocar sua figura aos trinta e oito anos, quatro antes de ser eleito.

Filho de um empresário milionário que havia sido embaixador dos Estados Unidos na Inglaterra logo antes da guerra, Kennedy, apelidado Jack, foi o presidente eleito mais moço.

O jovem Kennedy havia se casado com uma das moças mais bonitas e glamurosas dos Estados Unidos, Jacqueline Bouvier, depois conhecida como Jackie Kennedy. Formavam juntos um casal que logo impressionou o resto do mundo, pois a elegância de Jackie e a boa aparência de Jack ajudaram a criar uma mística em torno da Casa Branca, cuja memória marcou gerações e perdurou por décadas.

Este documento é uma carta dirigida a Kennedy pelo advogado e administrador de seu pai, Thomas Walsh, que supervisionava as finanças da família. Walsh submete a Kennedy as despesas dos primeiros nove meses do ano de 1955: as quantias são altíssimas, pois um dólar de 1955 é equivalente a mais de 20 dólares atuais em ternos de poder aquisitivo.

As despesas médicas são as mais elevadas, acima de vinte mil dólares (o equivalente hoje a cerca de quatrocentos mil), pois a saúde de Kennedy era delicada e suas costas o fizeram sofrer toda a vida, após um acidente grave durante a Segunda Guerra Mundial.

A segunda despesa mais alta é de “lojas de departamentos”. Pode-se imaginar que a jovem Jackie gastasse livremente em roupas, sapatos e acessórios e teria dispendido assim o equivalente a quase duzentos e cinquenta mil dólares em nove meses.

Mas a despesa que mais surpreende é a do automóvel, que custou na época menos de dois mil e quinhentos dólares, o equivalente hoje a cinquenta mil.

Kennedy faz uma observação manuscrita ao lado da menção da compra do carro, pois parece lembrar-se que a desembolso não foi dele: “Tom, isto está errado. Acredito que papai já tenha dado um cheque para pagá-lo. Jack”.

Aparentemente, Kennedy lembrou-se que seu pai já lhe havia dado de presente o carro que usava e que essa despesa deveria ser descontada da relação de seus gastos até setembro de 1955.

Kennedy já era senador e pode-se imaginar que com sua confortável fortuna não medisse despesas para satisfazer os caprichos de Jackie ou os gastos  que sua condição de saúde lhe impunha, mas é curioso que não tenha sequer certeza de quem pagou seu automóvel.

Os documentos escritos ou assinados por Kennedy têm sido cobiçados por muitos colecionadores desde a sua morte, mas tornaram-se mais abundantes nas últimas décadas, à medida que morriam seus correspondentes e suas cartas eram oferecidas no mercado.

São hoje bastante mais comuns, mas aquelas de conteúdo mais interessante ainda suscitam disputa em leilões.

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