Igualdades

Lixo, doce lixo

Luigi Mazza e Renata Buono
01abr2019_10h00

Se lixo fosse um produto de exportação brasileiro, venderia mais do que café e açúcar – mercados dos quais o Brasil é líder mundial. São dezenas de milhões de toneladas de resíduos por ano. O Brasil é o quarto país do mundo que mais descarta lixo plástico, à frente de economias desenvolvidas como o Japão; por outro lado, os japoneses reciclam quase o triplo do que os brasileiros.

Em 2017, o Brasil produziu 78,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos – ou seja,  o lixo doméstico e comercial das cidades. Esse volume corresponde a mais que o triplo de todo o açúcar de cana que o país exportou nesse mesmo ano (23,3 milhões de toneladas).

Só de lixo plástico, foram 11,3 milhões de toneladas em 2016 – 59% a mais do que o Japão  (7,1 milhões de toneladas).

O volume de lixo plástico reciclado no Brasil (145 mil toneladas em 2016) é menos da metade do reciclado no Japão (405,8 mil toneladas).

No período de um ano, a cidade do Rio de Janeiro coleta tanto lixo quanto o Brasil produz café: são aproximadamente 3,6 milhões de toneladas de resíduos – equivalente à safra de café de 2018.

A cidade do Rio coleta 10 mil toneladas de lixo por dia. Se esse volume fosse empilhado durante quatro anos e quatro meses, seria suficiente para preencher o equivalente a dois morros do Pão de Açúcar.

No verão, a cidade do Rio coleta nas praias uma média de 3,7 mil toneladas de lixo por mês. É como se os garis coletassem um peso equivalente a 3 estátuas do Cristo Redentor.

 

Fontes: Abrelpe; Ministério da Economia; WWF; Comlurb; IBGE; cálculo do professor da Coppe/UFRJ Maurício Ehrlich.



Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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