A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Quais são os riscos e os mitos em torno da Lupa e do fact-checking?

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.out.2015 | 09h06 |

Três riscos rondam diariamente a vida de um fact-checker. O primeiro – e maior – deles é a pressa. Quando a velocidade e a busca pelo furo jornalístico é o que importa, o checador tende a publicar uma informação rasa. Pode etiquetar uma frase como sendo verdadeira ou falsa, sem ter levado em consideração o cenário mais amplo em que ela se encaixa. E a perda do contexto é sempre perigosa.

O segundo risco do fact-checking tem a ver com o uso de dados imprecisos ou desatualizados. Ao ajustar o grau de veracidade de uma afirmação, o checador deve recorrer a fontes fidedignas e de atestada respeitabilidade. Por vezes, no entanto, pode terminar usando bases de dados desatualizadas e cometendo erros. Checar e rechecar é a única solução.  

O terceiro risco do fact-checking é parecer partidário e pouco transparente. A Lupa não apoia nem se associa a nenhum partido político ou organização sindical. Checa governo e oposição, em níveis federal, estadual e municipal, de forma consistente. Sabe que o grau de exposição dos mais diversos grupos políticos do país é diferente (quem está no poder costuma falar mais), mas assume o compromisso público de seguir todos eles com atenção e rigor.

A Lupa mantém entre seus princípios uma política de contratação que estimula a diversidade étnica e de gênero. Na conclusão do processo de contratação, os funcionários da agência assinam um termo jurídico em que se comprometem a seguir os cinco princípio éticos da International Fact-checking Network (IFCN), bem como a se abster de integrar partidos políticos ou entidades político-partidárias. São também oficialmente desaconselhados a manter qualquer posicionamento público frente a polêmicas envolvendo política, economia ou sociedade.

Veja a seguir alguns mitos em torno da Agência Lupa – e o posicionamento oficial da empresa sobre cada um deles.

A Lupa é financiada por George Soros?
Não. Em março de 2021, a Lupa tinha três fontes principais de receita – nenhuma delas relacionada a George Soros. A primeira delas é a comercialização de checagens para veículos jornalísticos no modelo de agência de notícias, que a Lupa mantém desde sua fundação, em 2015. A segunda, oficinas e treinamentos (individuais e empresariais) dentro do braço educacional da empresa, o LupaEducação, que atua desde 2017. Por fim, a Lupa estabelece parcerias com plataformas digitais em projetos especiais de combate à desinformação pelos quais recebe valores para executar produção de conteúdo e/ou treinamentos para fins específicos. Por aproximadamente três anos, até outubro de 2018, a agência contou com um investimento mensal da Editora Alvinegra, que publica a revista piauí. Esse valor foi integralmente gasto na manutenção do escritório e na contratação da equipe da Lupa.

A Lupa é da Folha / do UOL / da Globo / da piauí?
Não. A Lupa é uma sociedade anônima registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro e tem como fundadora a jornalista Cristina Tardáguila. A Lupa está hospedada no site da revista piauí e, por sua vez, dentro do site do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL. Não há, no entanto, qualquer relação editorial ou administrativa entre essas empresas. Como agência de notícias, a Lupa tem (ou teve) em sua carteira de clientes diversos veículos de comunicação nacionais e regionais, entre eles Folha de S.Paulo, UOL, revista Época e os portais Terra, Yahoo! e Metrópoles. Dentro das parcerias relacionadas à área de educação, a Lupa já trabalhou com o Canal Futura, com os Consulados e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e com o Tribunal Superior Eleitoral, por exemplo. Também é parceira de plataformas digitais como Facebook e Google. Nenhum desses parceiros e/ou clientes tem ingerência editorial sobre a produção de conteúdo e os treinamentos ministrados pela Lupa.

A Lupa não diz que determinado político mente?
Desde sua fundação, a Lupa costuma usar o verbo “erra” no lugar de “mente” por não saber a intenção do político (ou de qualquer outro) quando pronuncia uma determinada frase. Por princípio, ao identificar uma informação falsa proferida por algum ator político, a agência pressupõe que houve um engano, em vez de pensar que a pessoa checada deliberadamente mentiu à população. A Lupa segue aplicando essa avaliação, porém, desde janeiro de 2021, no contexto de polarização política e de repetição de informações equivocadas por parte de atores públicos no Brasil, se reserva o direito de “apontar mentiras”. A decisão foi anunciada em editorial

A Lupa não usa a expressão fake news?
A Lupa acredita que a melhor expressão para identificar as informações equivocadas que circulam em diferentes mídias, plataformas de redes sociais e aplicativos de mensagem atualmente seja desinformação. No entanto, entende que a expressão “fake news” se popularizou de tal forma que a sociedade não abre mais mão de seu uso. Por isso, busca equilibrar o emprego das duas formas de identificar os conteúdos falaciosos, sempre lembrando que: a) a expressão “fake news” é contraditória (se é “fake” não pode ser “news”) e b) a expressão é usada por políticos e outros atores públicos para deslegitimar a atuação jornalística e acusar jornalistas de forma indevida. A Lupa não usa a expressão “fake news” em títulos, mas pode, eventualmente, usá-la em publicações em redes sociais, de forma a facilitar a compreensão do público sobre o tema.

A Lupa quer censurar o discurso público?
De jeito nenhum. Pelo contrário. É missão da Lupa estimular o debate público, mas a agência defende que, para isso, sejam utilizados dados e informações precisas – ou seja, baseados em fontes oficiais que possam ser checadas. Ao classificar uma frase com uma etiqueta negativa, a Lupa não quer desclassificar seu autor nem calá-lo. Busca apenas ressaltar que uma determinada informação não está 100% correta.

A Lupa é petista / tucana / apoia o governo / é contra o governo?
Não. A Lupa é um dos membros verificados da International Fact-checking Network. Como tal, passa por auditorias independentes todos os anos e precisa comprovar que cumpre os cinco pontos do código de ética da rede internacional de checadores, entre eles o apartidarismo. Neste processo, todos os colaboradores da Lupa assinam um termo de compromisso, garantindo não se envolver em atividades político-partidárias. Ao passar por essa longa e cara auditoria, a Lupa mostra a avaliadores independentes que checa informações oriundas de todos os lados do espectro político e que não está nem a favor nem contra ninguém. Desde sua criação, a Lupa checou governos federais, estaduais e municipais e diferentes atores públicos, como congressistas, magistrados e influenciadores. 

O veículo que compra o conteúdo da Lupa pode editar a reportagem/checagem?
Não. As colunas da Lupa não podem ser alteradas pelo cliente da agência – e isso está previsto em contrato. Ao encerrar uma apuração, a agência redige a versão final de seu texto e encaminha a reportagem fechada a seus clientes. Se houver a necessidade de reduzir ou ampliar o espaço/tempo ocupado pela coluna, a Lupa é novamente acionada e faz os cortes ou ampliações que considerar necessários. Ainda vale ressaltar que os clientes da agência não pautam a produção de conteúdo. Todas as reportagens da Lupa começam na reunião de pauta semanal feita no escritório da agência.

Qual é a relação da Lupa com o Facebook?
O Facebook já apoiou diversos projetos do LupaEducação, entre eles, as oficinas de checagem da edição de 2017 do Festival piauí GloboNews de Jornalismo e do Circuito Abraji – Lupa. A plataforma também apoiou o Projeto Lupe!, para criação de um bot de checagem e de uma série de vídeos que acompanhou o período eleitoral de 2018. No mesmo ano, a Lupa se tornou parceira do Facebook no projeto mundialmente conhecido como Third Party Fact Checking Program (3PFC). Desde então, os checadores da agência analisam posts feitos na rede social e reportados por seus usuários como potencialmente falsos, apontando seu grau de veracidade. A Lupa também mantém parceria com o WhatsApp, que é parte do Facebook, para identificação de informações falsas enviadas por leitores através do aplicativo de mensagens.

Qual é a relação da Lupa com o Google?
O Google já apoiou diversos projetos do LupaEducação, entre eles a produção de uma série de memes para o site FakeouNews.org. Em 2017, 2018 e 2019, o GoogleNewsLab também patrocinou ações do Festival 3i, organizado pela Lupa ao lado de outras plataformas de jornalismo digital do país. Em 2020, o Google News Initiative apoiou projetos da Lupa para o combate à desinformação em torno do novo coronavírus e foi um dos parceiros no desenvolvimento da aplicação No epicentro, vencedora do Digital Media Awards 2020 como melhor visualização de dados da América Latina e medalha de bronze do Best of Digital News Design da SND.

Quem checa os checadores?
Você. Como um dos membros verificados da International Fact-checking Network (IFCN), a Lupa é obrigada a ser totalmente transparente com relação às fontes de informações que usa em suas checagens. Assim sendo, todos os textos publicados pela agência em seu site contém hiperlinks que permitem que qualquer um refaça o caminho da apuração e entenda como a agência chegou a uma determinada conclusão/etiqueta. Ainda vale ressaltar que a Lupa tem uma política pública de correção para eventuais erros e que, por determinação da IFCN, deve cumpri-la sempre que detectar uma falha de apuração. Durante as eleições de 2018, a Lupa manteve uma ombudsman, que profissionalizou o recebimento de críticas. No período anterior e posterior, a agência mantém ativo o canal lupa@lupa.news para qualquer comunicação de erro.

(Atualização feita em 1º de março de 2021)

Mas há espaço para contestações e correções?

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo