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Merenda em SP: Capez se contradiz

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.fev.2016 | 18h16 |

Em entrevista concedida na segunda-feira (15/2) ao jornal “Folha de S.Paulo”, o deputado estadual Fernando Capez (PSDB-SP), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), defendeu-se das acusações de envolvimento num esquema de superfaturamento de merendas escolares em seu estado.

A Polícia Civil investiga um contrato de R$ 8,5 milhões da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) com a Secretaria Estadual da Educação para compra de suco de laranja. A denúncia de ex-dirigentes da cooperativa indica que o governo estadual cancelou um primeiro contrato para fazer o que está sendo investigado, com valores mais altos – o que apontaria a existência de um esquema de corrupção. Na entrevista, Capez afirmou:

“A essência é que eu não tenho nenhuma relação com as pessoas da Coaf. Não interferi em favor da Coaf na Secretaria da Educação.”

CONTRADITÓRIO

Em 2012, quando estava em seu segundo mandato como deputado estadual e antes de ser presidente da Alesp, Fernando Capez foi um dos autores de uma moção endereçada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), pedindo a “redução ou isenção da carga tributária incidente sobre a cadeia produtiva do cultivo de laranja em nosso Estado”.

O texto também pedia “apoio à renegociação das dívidas dos agricultores” e a inclusão do produto como “item obrigatório na merenda escolar da Rede Oficial de Ensino”. O deputado destacou esta moção na página em que faz um balanço de seu mandato.

Esta moção afetaria diretamente a Coaf, cujo principal produto é o suco de laranja – estopim da denúncia de corrupção envolvendo a cooperativa e o deputado.

Segundo um  relatório feito pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDS) sobre a agricultura familiar em São Paulo, a cooperativa foi fundada em 2003 para comercializar suco de laranja.  No entanto, a entidade formada por agricultores familiares de Bebedouro e outros municípios da região de Ribeirão Preto, esteve fora do mercado durante sete anos devido a dificuldades financeiras. Em 2009, voltou à ativa ao firmar contrato com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para vender suco de laranja ao Programa de Aquisição de Alimentos.

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