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Delcídio do Amaral: Dilma trocou presidente de Furnas indicado pelo PMDB

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.mar.2016 | 12h50 |

Na delação premiada que fez para o Ministério Público Federal e que foi homologada na terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Delcídio do Amaral (sem partido/MS) afirmou que, em 2011, logo no início de seu mandato, a presidente Dilma Rousseff fez mudanças na diretoria da empresa Furnas Centrais Elétricas devido a “negócios suspeitos”. Esta parte do relato de Delcídio pode ser lida aqui, na página 140:

“Que em relação a Furnas, Dilma teve praticamente que fazer uma intervenção na empresa para cessar as práticas ilícitas, pois existiam muitas noticias de negócios suspeitos e ilegalidade na gestão da empresa”

Em outro trecho, situado logo depois, o senador acrescenta:

“Que questionado até quando durou o esquema de ilegalidades de Furnas, respondeu que até uns quatro anos atrás, quando Dilma mudou a diretoria, ou seja, até a penúltima diretoria; Que esta mudança na diretoria de Furnas foi o início do enfrentamento de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, pois este ficou contrariado com a retirada de seus aliados de dentro da companhia”

A Lupa foi aos documentos oficiais de Furnas para checar as mudanças realizadas na diretoria da empresa em 2011. Não analisou se há ou não ilegalidades motivando essas trocas.

De acordo com o relatório de administração publicado pela empresa naquele ano e disponível em seu site, a presidente Dilma Rousseff escolheu o engenheiro Flavio Decat de Moura para assumir o cargo de diretor-presidente de Furnas no dia 15 de fevereiro de 2011. Ele substituiu Carlos Nadalutti Filho, que estava à frente da empresa desde 2008.

Na mesma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), também foi alterada a composição do Conselho de Administração de Furnas. Armando Casado de Araújo deixou o cargo de presidente do conselho e foi substituído por Márcio Pereira Zimmermann.

Menos de um mês antes, em janeiro de 2011, o jornal “O Globo” havia publicado reportagens denunciando uma série de irregularidades na Hidrelétrica de Simplício, erguida por Furnas na divisa dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ela acumularia um sobrepreço de 100%. Em entrevista ao jornal carioca, Carlos Nadalutti Filho confirmou que havia chegado ao cargo de diretor-presidente de Furnas por indicação política do PMDB.

Naquele ano, ainda foram feitas outras mudanças em Furnas.

Em junho de 2011, segundo o relatório anual, houve trocas na composição do Conselho Fiscal da empresa. Marisete Fátima Dadald Pereira foi substituída por Ticiana Freitas de Sousa.

Em agosto, uma nova Assembleia Geral Extraordinária determinou que Márcio Pereira Zimmermann deixaria a presidência (e qualquer outro cargo) do Conselho de Administração e seria substituído por José da Costa Carvalho Neto.

Também em agosto, o Conselho de Administração alterou a composição da Diretoria Executiva.

Luiz Henrique Hamann foi substituído por Nilmar Sisto Foletto. Mário Márcio Rogar, por Márcio de Almeida Abreu. E Márcio Antônio Arantes Porto, por Olga Côrtes Rabelo Leão Simbalista.

Desde 2011, o cargo de diretor-presidente é ocupado por Flávio Decat, e a atual diretoria teve apenas duas mudanças em relação à composição empossada em agosto daquele ano.

A presidência do Conselho de Administração também segue sob o comando de José da Costa Carvalho Neto.

O Conselho de Administração de Furnas é a instância máxima da administração da empresa, sendo composto por até seis membros, brasileiros, acionistas, que devem ser eleitos pela Assembleia Geral. Uma vez escolhido o grupo, os membros designarão o Presidente do Conselho, todos com prazo de gestão de um ano, admitida a reeleição. Um dos integrantes do conselho  é escolhido para assumir o cargo de Diretor-Presidente da empresa. Um dos membros do conselho é indicado pelo Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão e outro é eleito como representante dos empregados, escolhido pelo voto direto dos funcionários  ativos e em eleição organizada pela empresa.

*Nota da redação: tendo em vista que a análise foi feita com base não apenas em um frase, como de costume, mas num longo trecho de depoimento transcrito em discurso indireto, a Lupa optou por não aplicar uma etiqueta nesta checagem. Apenas mapeou as trocas.

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