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Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil
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UPP da Maré: da promessa de oito unidades ao adiamento indefinido

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.mar.2016 | 19h21 |

No dia 13 de novembro de 2013, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, concedeu uma entrevista ao RJTV (a partir de 1min 50seg) e, nela, anunciou que o Complexo da Maré, conjunto de favelas situado na Zona Norte do Rio, receberia quatro Unidades de Polícia Pacificadora (UPP):

“Vão ser quatro UPPs, em quatro áreas. Ela (a região) é muito grande (para uma UPP só)”.

Quase um ano mais tarde, no dia 18 de agosto de 2014, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), dobrou a meta de Beltrame.

Em plena campanha pela reeleição, Pezão disse em entrevista ao RJTV (a partir de 1min 30 seg) que instalaria “oito Unidades de Polícia Pacificadora no Complexo da Maré até o fim daquele ano”.

No dia 24 de fevereiro de 2015, já reempossado no Palácio da Guanabara, Pezão voltou a falar da promessa. Disse que cerca de 2 mil policiais militares seriam deslocados para o Complexo da Maré para substituir a Força de Pacificação que o Exército havia mobilizado para atuar na região um ano antes.

De acordo com o governador, até o fim de junho de 2015, a UPP da Maré já estaria instalada e funcionando.

“A Maré é nossa próxima entrada com as UPPs. Existe um calendário que traçamos com o governo federal e que vamos cumpri-lo mês a mês”

FALSO

Nesta segunda-feira, depois de participar de uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, desconstruiu todas as promessas e os prazos apresentados anteriormente. Na saída do evento, disse textualmente:

“A UPP da Maré não vai ser feita”.

E sua assessoria de imprensa confirmou a informação minutos mais tarde, acrescentando que a promessa de UPP para a Maré, alardeada desde 2013, está adiada pelo menos até o ano que vem.

O orçamento da Secretaria de Segurança Pública do RJ teve um corte de 35%. Este seria, segundo o secretário Beltrame, o motivo do adiamento da instalação da prometida Unidade de Polícia Pacificadora.

Pezão está internado desde o dia 12 de março e não se pronunciou ainda sobre o assunto.

Segundo a Anistia Internacional no Brasil, o Complexo da Maré reúne 16 comunidades e aproximadamente 132 mil habitantes. Trata-se de um conjunto de favelas localizado entre as vias que ligam o Rio ao aeroporto internacional. “É uma comunidade diversa, com histórico de organização comunitária, acesso precário a serviços públicos e convivência diária com facções do crime organizado e milícias”.

Em maio do ano passado, o Exército divulgou um balanço de sua atuação no complexo de favelas. Em pouco mais de um ano de presença na região, foram feitas “75 mil ações, entre prisões e apreensões”. O balanço revela que o Exército fez “583 prisões, 251 apreensões de menores e 1.340 apreensões de drogas, armamentos, munição, veículos, motos e materiais diversos”.

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