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Notas de R$ 50 e de R$ 100 em alta - Crédito: Brasil.gov
Notas de R$ 50 e de R$ 100 em alta - Crédito: Brasil.gov

Falta troco? Checamos a circulação de dinheiro

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.abr.2016 | 16h31 |

O caixa do supermercado já arredondou sua conta para cima e ficou “lhe devendo uns centavos”? Os taxistas que cruzaram seu caminho recentemente perguntaram se “você tinha uma nota menor” para pagar a corrida? E você já deixou de comprar algum produto por que o vendedor não tinha como aceitar sua nota de R$ 50? Foi por situações assim que, nas últimas semanas, a Lupa procurou o Banco Central, querendo saber o que acontece no “meio circulante” (a disponibilidade de moedas e cédulas) do país. Falta troco?

Com a ajuda do site do BC a Lupa elaborou uma série histórica de 22 anos (1995 a 2016) sobre o dinheiro disponível no Brasil. Foi utilizado como base o dia 20 de março de cada um dos anos pesquisados.

O levantamento mostra que, nas últimas duas décadas, as notas de valor mais alto foram ficando cada vez mais presentes no bolso do brasileiro, em detrimento das cédulas de valores mais baixos.

E mais: desde 2014, a produção de cédulas como um todo vem sofrendo uma forte desaceleração. Esses dois fatores poderiam explicar a falta de troco. Entenda:

Em 1996, o Brasil produzia cinco cédulas: de R$ 1, R$ 5, R$ 10, R$ 50 e R$ 100. Veja quantas de cada uma delas estavam em circulação no dia 20 de março daquele ano:

Note: as notas de R$ 50 e de R$ 100 eram bem menos frequentes do que as demais. Percentualmente, equivaliam a menos de 7% do montante total disponível naquele dia. Mesmo somadas, todas as notas de R$ 50 e R$ 100 juntas não representavam nem um terço do total de cédulas de R$ 5, a terceira mais presente nos bolsos dos brasileiros há 20 anos.

Um década mais tarde, em 2006, o Brasil já tinha mais duas cédulas em circulação: as de R$ 2 e as de R$ 20, lançadas três anos antes. Eram sete notas no “meio circulante”. Veja agora como elas se distribuíam no dia 20 de março daquele ano:

Agora, em 20 de março de 2016, as sete cédulas de real em circulação se distribuíam assim:

Observe: as notas mais populares são as cédulas de valores mais altos. Entre 1996 e 2016, a circulação de notas de R$ 5 cresceu 312%. No mesmo período, a de notas de R$ 50 subiu 3.732%. E as de R$ 100, 15.595%.

Veja agora a situação das moedas:

Em 1996, o Brasil produzia moedas de R$ 0,01; R$ 0,05; R$ 0,10; R$ 0,25; R$ 0, 50; e R$ 1.  Veja quantas delas circulavam pelo país no dia 20 de março daquele ano:

Assim como ocorre com as notas, em 1996, as moedas com valores mais altos (R$0,25, R$ 0,50 e R$ 1) eram as menos frequentes no montante total. Somadas, elas não correspondiam nem a um quarto do total circulante.

Vinte anos mais tarde, em 20 de março de 2016, no entanto, as três moedas de valores mais alto já tinham ganhado preponderância frente às de valores menores. Somadas, as moedas de R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1 respondiam por mais de um quarto da circulação total de moedas no país.

A produção de moedas, assim como de cédulas, também enfrenta retração desde 2014. Em 20 de março do ano passado, havia no Brasil 23.277.289.019 moedas. Em 20 de março deste ano, 23.936.893.913.

E o troco – ou a falta dele – vai se transformando num problema rotineiro.

O Banco Central, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma que o planejamento da circulação é feito com “modelos matemáticos de projeções do comportamento do meio circulante”. A justificativa para a circulação de uma moeda de determinado valor em detrimento de outra estaria ligada à “demanda do público” e também a outras questões de curto prazo como o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação e a taxa de juros.

A Lupa também questionou o motivo da desaceleração na produção geral de moedas e notas. O BC afirma que ela é decorrente da redução da despesa pública no âmbito federal. Mesmo assim, a instituição informa que está se esforçando “para administrar os estoques disponíveis com a finalidade de atender de forma mais equânime possível às demandas em âmbito nacional”.

Confira aqui o “meio circulante” nos dias 20 de março de 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004,2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 20152016.

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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