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Parque Olímpico do Rio (Foto: J. P. Engelbrecht)
Parque Olímpico do Rio (Foto: J. P. Engelbrecht)

O Brasil de hoje é o que foi prometido ao Comitê Olímpico na candidatura de 2009?

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.abr.2016 | 17h11 |

Em 2009, quando disputava a chance de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil apresentou ao Comitê Olímpico Internacional (COI) um dossiê de candidatura. No documento oficial, defendia as razões pelas quais o Rio de Janeiro merecia hospedar o evento e fazia projeções sobre o país que os atletas e os turistas encontrariam sete anos mais tarde.

Na página 58, o dossiê de candidatura da Rio 2016 – que começará daqui a 100 dias – projeta o panorama econômico do Brasil. Textualmente, o documento destaca, por exemplo, que:

“A previsão de taxa de câmbio em 2016 será de R$ 2,32”

“A previsão da taxa de inflação brasileira, com base na meta de inflação do Banco Central (4,5%) para 2009 e 2010, é de 3,5% para o período de 2011-2016”

Veja:

COI dólar e inflação

A 100 dias dos Jogos Olímpicos,  a Lupa se debruçou sobre o documento e cruzou essas informações com a realidade refletida tanto pelos dados do Banco Central quanto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A conclusão é que algumas projeções levadas ao COI ficaram muito distantes da realidade de 2016.

A cotação do dólar nesta quarta-feira (27) é  de R$ 3,52 (para venda) e de R$ 3,53 (para compra).

Já a taxa de inflação, de acordo com a série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), disponível para consulta no site do IBGE, mostra que, em 2011, o índice foi de 6,50%. Em 2012, chegou a 5,84% e subiu para 5,91% em 2013. Foi para 6,41% em 2014. Em 2015 pulou para 10,67%. Nestes três primeiros meses de 2016, a variação acumulada do índice está em 2,62%.

O último boletim do IBGE,  divulgado no dia 8, revela que a variação de março de 2016 foi de 0,43%, a menor para este mês desde 2012, mas que, nos últimos doze meses, a taxa fica em 9,39% – bem acima da previsão.

A meta de inflação do BC para o período que vai até 2017 é de 4,5%. Há uma margem de variação de dois pontos para cima ou para baixo.

INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

Na página 46, o dossiê de candidatura também apresentou ao COI os dados sobre o volume de investimentos estrangeiros no Brasil à época e afirmou que:

“O país vem atraindo constante investimento estrangeiro, atingindo US$ 33,7 bilhões em 2007”

O Brasil realmente conseguiu aumentar seu investimento no período. De acordo com o BC, na série anual sobre o Investimento Estrangeiro Direto (IED), o Brasil alcançou, até o final de 2007, o total de US$ 34,5 bilhões. Até 2014, chegou a U$ 62,4 bilhões.

Confira no gráfico os valores:

Desde 2007, o Brasil teve um aumento significativo no IED, sobretudo depois de 2009, após receber das agências de crédito internacionais o “grau de investimento” ou o chamado selo de “bom pagador”. A Standard & Poors deu o grau de investimento ao Brasil em 2008 e, logo depois, a Fitch subiu o nível de crédito do país, inserindo-o no grupo de nações para indicação de investimento. Em 2009, foi a vez da Moodys elevar o Brasil ao “grau de investimento”, alegando que o país estava com uma economia forte. Nos últimos meses, o país perdeu esse nível.

De acordo com  Gilberto Braga, pesquisador de Economia do Ibmec-RJ, o IED, de modo geral, era o índice utilizado para medir quantas empresas internacionais passaram a ter escritórios/fábricas no país ou mesmo quando os investidores compravam ações na bolsa brasileira. A queda em 2009 está ligada ao cenário internacional que enfrentava uma crise financeira.

O BC informou à Lupa que, a pedido do Fundo Monetário Internacional, desde março do ano passado o cálculo anual do IED foi substituído pelo cálculo anual de Investimentos Diretos no País (IDP). Os dados de 2015 já são realizados por meio desse novo método, que também foi repetido para os anos anteriores.

Confira como ficou  o período no novo cálculo:

Segundo o relatório de investimento mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado em junho de 2015, o Brasil ficou em sexto lugar no ranking mundial em 2014, com um US$ 62 bilhões.

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