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Os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) discutem na comissão (Pedro França/ Agência Senado)
Os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) discutem na comissão (Pedro França/ Agência Senado)

Lindbergh, Caiado e a guerra pelos microfones do impeachment no Senado

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
06.maio.2016 | 20h08 |

A Comissão Especial de Impeachment instalada no Senado debateu ao longo de nove sessões – ou 75 horas e 30 minutos – a abertura do processo de cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff. A última reunião ocorreu na tarde desta sexta-feira (06), com a aprovação do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que se posicionou de forma favorável à instauração do processo. 

Tomando como base as notas taquigráficas do Senado, a Lupa fez um levantamento sobre como os 21 titulares e os 21 suplentes da comissão especial fizeram uso da palavra nas nove reuniões do grupo. Quem foram os protagonistas? Quem silenciou?

O estudo mostra que os parlamentares fizeram uso da palavra (de forma oficial) 3.790 vezes, o que daria uma média de 92 falas por senador (entre titulares e suplentes) ao longo de todo o processo. No entanto, só 15 dos 42 parlamentares atingiram esse nível. O senador Romário (PSB-RJ) foi o titular que menos se pronunciou, com apenas 20 intervenções em todo o período. 

O levantamento da Lupa revela ainda que o principal enfrentamento foi mesmo travado pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Na última segunda-feira (2), o petista acusou Caiado de mentir, e o senador do DEM chegou a se dirigir a Lindbergh, propondo que os dois resolvessem “lá fora”, num entrevero que levou à interrupção dos trabalhos. No ranking de falas, Lindbergh usou a palavra 416 vezes, seguido bem de perto por Caiado, que se pronunciou um total de 392 vezes.

O ranking dos dez senadores que mais falaram ao longo das nove sessões mostra ainda que alguns suplentes participaram ativamente das sessões, ocupando espaço de fala semelhante ou mesmo maior do que de diversos titulares. Foram eles: Fátima Bezerra (PT-RN), que falou 280 vezes; Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que se pronunciou 230 vezes; e Magno Malta (PR-ES) que teve direito à palavra em 194 oportunidades.

No grupo dos dez que mais usaram os microfones do Senado de forma oficial, quatro votaram contra o processo de impeachment de Dilma, e seis, a favor.

Ao longo das reuniões da comissão, os integrantes se dividiram em seis blocos de atuação, repetindo a organização de suas bacadas no plenário do Senado. A divisão da quantidade de falas por bloco mostra que a disputa entre governistas e opositores também foi acirrada. O bloco de apoio ao governo ficou em primeiro lugar, com 1.353 intervenções, contra 1.089 falas dos integrantes do bloco opositor. 

O relator da comissão, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), não teve tanto protagonismo. Usou o microfone de forma oficial 105 vezes, pouco acima da média de 92 falas por senador.

Não falaram nenhuma vez os suplentes: Acir Gurgacz (PDT-RO), Davi Alcolumbre (DEM-AP), João Alberto Souza (PMDB-MA), Otto Alencar (PSD-BA), Paulo Bauer (PSDB-SC) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Confira aqui as notas taquigráficas de cada sessão: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.

*Nota 1: A ausência de fala não significa que o senador não estava presente na sessão. A Lupa não compilou todas as faltas por que, até a publicação deste post, o Senado não havia disponibilizado o dado referente à ausência de parlamentares em todas as sessões.

*Nota 2: O presidente da comissão especial, o senador Raimundo Lira (PMDB-PB), foi o senador que mais obteve “aberturas de fala”, mas, como tinha a missão de coordenar os trabalhos, ele foi excluído do levantamento. Os senadores que ocuparam a presidência temporariamente também não tiveram as falas desse período de interinidade computadas pelo mesmo motivo, tratavam-se apenas de colocações voltadas à organização da comissão como um todo.

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