Tem certeza que deseja sair da sua conta?
Grupo de oração na Câmara dos Deputados/Divulgação FB
Grupo de oração na Câmara dos Deputados/Divulgação FB

Deputados mencionaram ‘Deus’ 2.868 vezes nos últimos 15 meses

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.maio.2016 | 17h00 |

O Brasil é um país laico por lei, mas menções a “Deus” têm sido frequentes em momentos decisivos da política nacional. No dia 17 de abril, quando a Câmara dos Deputados votava sobre o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a evocação divina chamou a atenção e acabou virando notícia.

Lupa recorreu então às notas taquigráficas feitas pela Casa naquela tarde e também à ferramenta lançada pelo jornal digital Nexo, que compilou as falas e intervenções realizadas por todos os parlamentares entre janeiro de 2015 e abril de 2016, e, nesse processo, a Lupa concluiu que, em 15 meses, os deputados citaram “Deus” 2.868 vezes. Abril de 2016 foi justamente o mês em que os parlamentares mais evocaram “Deus” em todo esse período.

VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT NA CÂMARA

Na votação do impeachment, 57 dos 513 deputados pronunciaram a palavra “Deus”. Juntos, foram 73 vezes. Desse grupo, 52 parlamentares usaram “Deus” ao justificar seu voto. Cinco citaram o divino ao criticar as menções religiosas feitos pelos demais. Ainda teve o relator da comissão especial, Jovair Arantes (PTB-GO), que mencionou “Deus” duas vezes na leitura que fez, e ainda sete líderes de partido que usaram o mesmo termo ao orientar suas bancadas (PP, PSD, PSB, PRB, PTB , PSC e PHS).

Os deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que presidia a Casa naquele dia, e Cabo Daciolo (PTdoB-RJ) foram os que mais vezes evocaram “Deus” na sessão do impeachment na Câmara. Cada um utilizou esta palavra quatro vezes. Cunha fez a citação divina na abertura da sessão, ao iniciar a votação, durante a declaração de seu voto e no encerramento dos trabalhos do dia. Já o deputado Cabo Daciolo só teve uma oportunidade de discursar, durante seu voto. Foi nele que fez todas as menções a “Deus”.

Ao longo da votação, os deputados da bancada do PMDB foram os que mais recorreram à citação divina. Da bancada de 68 peemedebistas, que faz dela a maior da Casa, nove falaram em Deus. Dos sete partidos que citaram “Deus” em seu encaminhamento de voto, seis acabaram se posicionando de forma favorável ao impeachment de Dilma. Só o PHS votou contra.

Os deputados petistas Luis Sérgio (PT-RJ), Wadih Damous (PT-RJ), Margarida Salomão (PT-MG), Patrus Ananias (PT-MG) e Moema Gramacho (PT-BA) também citaram “Deus”, mas para criticar a evocação feita pelos colegas de plenário. Todos eles foram contra a abertura do processo.

No Brasil, a Constituição Federal estabeleceu que o Estado não possui uma religião oficial. Além disso, o artigo 19 do documento proíbe a União, estados e municípios de estabelecer cultos religiosos ou igrejas, uma vez que a ampla liberdade religiosa é outro direito dos brasileiros estabelecido na Carta Magna.

Confira a lista completa dos deputados que mencionaram “Deus” na sessão.

*Nota: O levantamento de dados feito pela Lupa nesta checagem serviu de base para a reportagem que a Revista Época publicou na edição do dia 9 de maio de 2016, intitulada “Como os evangélicos abençoaram Temer”.

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo