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Dilma Rousseff e Eduardo Paes no lançamento do VLT (Divulgação)
Dilma Rousseff e Eduardo Paes no lançamento do VLT (Divulgação)

Paes entrega no domingo menos de um quinto do VLT que foi prometido

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.jun.2016 | 18h31 |

No próximo domingo (5), a prefeitura do Rio de Janeiro vai inaugurar o primeiro trecho do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da cidade. O contrato para construção desse meio de transporte foi assinado pelo prefeito Eduardo Paes com um consórcio composto por seis empresas há três anos, em uma cerimônia que contou com a presença da presidente da República afastada, Dilma Rousseff.

Em 2013, na ocasião do lançamento do projeto orçado em R$ 1,164 bilhão (R$ 532 milhões do governo federal e R$ 632 milhões do município), a prefeitura destacou que o VLT conectaria a Região Portuária, o centro financeiro da cidade e o Aeroporto Santos Dumont. Estavam previstas, segundo o site da própria prefeitura“seis linhas com 42 paradas (quatro delas em estações na Rodoviária, Central do Brasil, Barcas e aeroporto) distribuídas por 28 km de vias.” Todo o VLT estaria “concluído” até o fim do primeiro semestre de 2016.

Em 2014, ao apresentar o protótipo do VLT em novo evento público, a prefeitura divulgou um mapa ainda mais amplo, que mostrava um trajeto composto por 44 paradas, e não mais por 42. 

FALSO

Na inauguração prevista para ocorrer no próximo domingo, serão entregues à população somente oito paradas. Esses pontos representam 18% do total prometido em 2014 e que deveria ter ficado pronto até o fim deste semestre.

Até o fim do mês a prefeitura promete ter em funcionamento um total de uma estação (onde será possível comprar passagens) e 18 paradas. Esses 19 pontos representam 43% do que foi prometido há dois anos.

Confira abaixo a imagem do traçado original (divulgado em 2014) e aqui uma versão amplificada dele:

mapa-vlt

 

Na imagem a seguir, que mostra o traçado final do projeto, é possível identificar que 14 paradas prometidas em 2014 deixaram de existir desde então. São elas: Nabuco de Freitas, Barão de Mauá, Garcia Pires,  Buenos Aires, Antonio Lage, Sousa e Silva, Barão de Tefé, América, Duque de Caxias, Campo de Santana, Carioca (na rua da Carioca), Carmo, Misericórdia e Rivadávia Correa.

Constata-se que outras sete paradas mudaram de nome, e que uma foi criada: a Antônio Carlos.

O mapa abaixo (do projeto final) foi fornecido à Lupa pela Secretaria Municipal de Transportes:

VLTARRUMADO

A partir de domingo, quando o prefeito Eduardo Paes inaugurar o que chama de Etapa 1 do VLT ao lado do presidente da República em exercício, Michel Temer, o trecho que aparece em azul escuro na imagem abaixo entrará em funcionamento. A segunda parte, que aparece pontilhada de vermelho, deverá ser aberta paulatinamente, semana a semana, até o fim de junho.

Veja versão ampliada da imagem abaixo:

Mapa-VLT-primeira-fase

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Transportes do Rio, o projeto todo só deverá estar pronto em 2017. Quando isso ocorrer, o VLT terá um total de três estações (onde se compra passagem) e 28 paradas. Mas esses 31 pontos também estarão abaixo da promessa feita pela prefeitura em 2014. Representará apenas 70% das 44 paradas anunciadas. Ainda assim, o VLT carioca terá, ao todo, 28 quilômetros de extensão, conforme previsto no projeto original.

AS ETAPAS

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes do Rio, até o fim de 2016, será inaugurada a Etapa 2, que conectará a parada Vila Olímpica, a Central do Brasil com a Praça XV (Barcas) e a Gamboa com a Parada dos Navios.

No ano que vem, outras quatro paradas serão abertas, ligando a Central à Candelária e São Diogo – Praia Formosa.

O novo cronograma difere, portanto, do que foi prometido. No anúncio do VLT, a prefeitura informou que a construção do trecho Vila Olímpica – Santo Cristo – Praça Mauá – Cinelândia teria como prazo para conclusão o segundo semestre de 2015. O trecho Central – Praça XV, Santo Cristo – Central – Candelária, América – Vila Olímpica e Praça XV– Santos Dumont só seria concluído no primeiro semestre de 2016.

Do orçamento de R$ 1,164 bilhão, a prefeitura informou à Lupa que gastou até o momento  R$ 1,157 bilhão.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Procurada, a Secretaria Municipal de Transportes do Rio disse que o conceito de linhas do VLT foi substituído pelo de serviço. Sobre a redução do número de paradas de 42 para 31, a SMTR informou que a mudança “se deu após conclusão do projeto executivo, que levou à configuração atual mantendo distância média entre as estações de 400 metros e intervalos de 3 a 15 minutos”.

A secretaria informou ainda que não houve atraso no início da obra. “As intervenções começaram mesmo antes com a execução do Túnel Ferroviário sob o Morro da Providência e da preparação das calhas do eixo de passagem do VLT na implantação das vias do Porto Maravilha. Houve impacto sobre o cronograma em alguns trechos porque a concentração do eixo de passagem do sistema no Centro Histórico do Rio de Janeiro, área de prospecção e pesquisa arqueológica obrigatória, gerou tempo maior que o previsto até a liberação desses trechos para as obras” diz a nota.

Segundo a SMTR, na primeira fase de operações, os trens farão o transporte de passageiros entre 12h e 15h. Até os Jogos Olímpicos, o VLT deve funcionar diariamente das 6h à meia-noite. No período de adaptação do novo sistema não haverá cobrança de tarifa e agentes da concessionária darão explicações aos passageiros sobre trajetos e procedimentos no novo transporte.

O consórcio Carioca reúne as empresas Actua – CCR (24,4375%), Invepar (24,4375%), OTP – Odebrecht Transportes (24,4375%), Riopar Participações, sócia do Grupo CCR na CCR Barcas (24,4375%), Benito Roggio Transporte (2%) e RATP do Brasil Operações (0,25%), que serão responsáveis pelas obras de implantação, compra dos trens e sistemas, operação e manutenção do VLT por um período de 25 anos.

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