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Três mil pessoas se reúnem no Loring Park, em Orlando, no dia 12 de junho de 2016. Foto: Fibonacci Blue/Flickr
Três mil pessoas se reúnem no Loring Park, em Orlando, no dia 12 de junho de 2016. Foto: Fibonacci Blue/Flickr

Hashtags contra o terror perderam força entre ataques de Paris e Orlando

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.jun.2016 | 09h00 |

Às 21h40 do dia 13 de novembro do ano passado, três homens desembarcaram de um Volkswagen preto no 11º arrondissement de Paris e entraram na casa de shows Bataclan, abrindo fogo contra cerca de 1.500 pessoas que assistiam a um show de rock da banda Eagles of Death Metal. Oitenta e nove morreram ali. Outros 41 foram assassinados em outras partes da capital francesa como parte de uma série de atentados cometidos naquela noite por membros do Estado Islâmico.

Na madrugada do domingo dia 12, o americano Omar Saddiqui Mateen, de 29 anos, agiu de forma semelhante. Entrou armado numa boate gay de Orlando e disparou contra aqueles que ali se divertiam. Matou 50 a sangue frio e feriu pelo menos 53, antes de ser morto pela polícia local.

Mateen entrou para a história como o responsável pelo maior massacre cometido nos EUA depois do 11 de Setembro. Os terroristas do Bataclan serão lembrados como os autores do pior ataque realizado na França desde a Segunda Guerra Mundial. Nas redes sociais, no entanto, a diferença entre os dois atentados é gritante: Paris comoveu bem mais do que Orlando.

Um levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas a pedido da Lupa revela que, no Twitter, o ataque francês teve uma adesão duas vezes maior do que o americano. Estariam os internautas anestesiados? Teriam perdido força as hashtags antiterror? Afinal, o que há de tão diferente assim entre a boate de Paris e a de Orlando?

Na última semana, a DAPP se debruçou sobre o volume total de hashtags e tuítes surgidos nas 24 horas posteriores a ambos os atentados em busca de algumas respostas. Descobriu que o massacre de Paris teve – somando todas as hashtags criadas – 13 milhões de menções, 51% a mais do que as 6,33 milhões registradas nas primeiras 24 horas pós-terror em Orlando.

Quando observada apenas a principal hashtag de cada atentado, a diferença entre os dois casos fica ainda mais surpreendente. O #PrayForParis teve 7,46 milhões de menções no Twitter. O #Orlando, apenas 2,1 milhões – 71,8% a menos.

No estudo de tuítes por mil habitantes, a DAPP/FGV chegou a um ranking interessante. As cidades de Orlando e Miami apareceram em primeiro e segundo lugares, como as que mais comentaram o caso, sendo seguidas por Washington, a capital americana. Paris ficou em quarto, passando à frente de outros grandes municípios dos EUA como Los Angeles, Chicago e até mesmo Nova York.

Na lista das 11 cidades que mais aderiram às hashtags de Orlando, Rio de Janeiro e São Paulo tiveram destaque. Aparecem em 10º e 11º lugares, respectivamente, no ranking de tuítes por mil habitantes. Vale destacar que, apesar de ter uma população inferior à paulista, o Rio foi quase duas vezes mais ativo no episódio Orlando do que São Paulo. Não foi possível georreferenciar as menções ao episódio francês pelo tempo decorrido do evento.

Para Lucas Calil, pesquisador da DAPP, é importante destacar que diversas causas podem estar por trás do abismo que separa a adesão digital ao luto de Paris e de Orlando. Uma delas é a hora e o dia da semana em que os dois atentados foram perpetrados. O massacre de Orlando ocorreu na madrugada de sábado para domingo, enquanto os EUA ainda dormiam. Já os de Paris ocorreram na noite de sexta-feira, quando tanto a Europa quanto os EUA estavam ativos e poderiam se pronunciar.

Esta checagem foi publicada pela revista Época no dia 17 de junho de 2016.

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