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Reprodução/GloboNews
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Temer nomeou para os Correios após ‘paralisar’ escolhas políticas

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.jun.2016 | 08h25 |

Na noite desta terça-feira (21), o presidente da República em exercício, Michel Temer, deu entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, na GloboNews, e foi questionado sobre a nomeação do vice-presidente do PSD, Guilherme Campos, para a presidência dos Correios. Na pergunta, Roberto D’Avila lembrou que Temer havia dito que aguardaria o Congresso analisar (e ontem o Senado aprovou) um projeto de lei que fixa regras técnicas para a escolha daqueles que serão diretores e presidentes em estatais e fundos de pensão. O jornalista quis saber se Temer não achava incoerente a escolha de Campos diante desse cenário.

Ao defender a nomeação que fez para os Correios, Temer foi enfático:

“Muito antes de eu pronunciar uma palavra, uma declaração no sentido de que aguardaria esta decisão (a votação sobre o projeto de lei), eu já havia assinado o ato do presidente dos Correios. O ato foi praticado antes”

A Lupa checou a informação e verificou que ela é :

FALSO

No dia 6 de junho, Michel Temer fez uma comunicação pública no Palácio do Planalto informando que havia paralisado naquele dia “toda e qualquer nomeação ou designação para diretoria ou presidência de estatal, de empresa estatal, ou fundo de pensão, enquanto não for aprovado o projeto que está na Câmara dos Deputados, já tendo sido aprovado pelo Senado Federal, e que dispõe de maneira muito objetiva que só serão indicadas ou nomeadas pessoas com alta qualificação técnica. A afirmação do presidente pode ser vista no vídeo a seguir:

Três dias depois, em 9 de junho, o Diário Oficial da União publicou o ato de nomeação do vice-presidente do PSD, Guilherme Campos, para a presidência dos Correios. A decisão, segundo informa o documento oficial, foi tomada pelo presidente no dia 8 de junho, dois dias depois do anúncio no Planalto. Campos tomou posse nos Correios no mesmo dia da publicação do D.O.U.


Na entrevista à Roberto D’Avila, Michel Temer também falou sobre a liberação de novos contratos para estudantes junto ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Nessa parte da entrevista, Temer afirmou que:

“Houve uma queda muito grande do ano passado para este ano em relação às bolsas do Fies, uma queda substanciosa. O que fizemos? Na quinta ou quarta (da semana) passada, o ministro Mendonça Filho comunicou a abertura de 75 mil novas bolsas”

A Lupa constatou que o dado é:

VERDADEIRO, MAS

Na quinta-feira (16), Temer e o ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciaram a autorização de 75 mil novos contratos para estudantes junto ao Fies. Em 2014, foram 732.510. Em 2015, o número caiu para 278.040 – uma redução de 62%.

Apesar das “bolsas” anunciadas, o número total de novos contratos liberados para 2016 representa uma redução de 20% frente à quantidade que foi oferecida em 2015. No primeiro semestre deste ano, de acordo com o Ministério da Educação, foram criadas 147.407 “bolsas”. Com as novas 75 mil, o total chega 222.407.


Mais adiante, na entrevista, Temer afirmou que defende a doação de empresas em campanhas eleitorais, desde que cada PJ destine verbas para apenas um partido.

“Eu, pessoalmente, não tinha objeções a doações de empresas desde que fosse para um partido só (…) Se uma empresa resolve apoiar um partido, entrega o dinheiro para um. Quando opta, é um gesto de opinião”

A Lupa classifica esta frase como:

VERDADEIRO, MAS

Em 2014, em uma mesa de debates, o então vice-presidente mostrou posicionamento semelhante. Na ocasião, defendeu que, ao permitir que uma empresa doasse somente para um partido, o Brasil evitaria possíveis trocas de favores.

“Quando (a doação) for empresarial, o que penso é que o empresário deverá fazer é optar por apenas um partido político. Ele não deve doar para todos. Isso é que gera a ideia de que está dando dinheiro porque depois quero receber”.

Mas esta posição se modificou ao longo dos últimos anos. Em um editorial escrito por ele mesmo e publicado no jornal Folha de S. Paulo em abril de 2000, Temer defendeu o financiamento público de campanha e teceu argumentos contra as doações de empresas. Ele não falou sobre a possibilidade de uma PJ destinar verba a apenas um partido político e criticou:

“O financiamento privado, como dito, facilita a violação do princípio da igualdade de oportunidade, alicerce do Estado de Direito”.


Ainda na mesma entrevista, Temer sustentou que seu partido deu base às duas eleições da presidente afastada, Dilma Rousseff, e afirmou que esse apoio diminuiu substancialmente nas fileiras do PMDB entre a eleição de 2010 e a realizada dois anos atrás.

Para exemplificar este movimento, citou as convenções que lhe colocaram como candidato à vice-presidência, formando chapa com o PT:

“Na primeira convenção, tivemos quase 90% (de aprovação para a aliança com o PT). Na segunda, tivemos 59%”.

O dado é:

VERDADEIRO

A primeira convenção realmente aprovou a indicação de Temer para a chapa de Dilma com ampla maioria. De acordo com o site do PMDB, a convenção contou com 660 votantes e Temer teve 560 votos. Isto representa um apoio de 84% dos presentes, seis pontos percentuais a menos do que foi mencionado pelo peemedebista.

Já o percentual referente à campanha de 2014, que reconduziu a chapa Dilma-Temer à reeleição, está correto. Segundo o site do PMDB, Temer contou com menos apoio nesta recondução, atingindo 59% dos votantes presentes no encontro.

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