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Foto de Bruno Ciampi, do Flickr @Cristianhold
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Das 24 milhões de árvores prometidas ao COI, Rio plantou cerca de 9 milhões

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.jul.2016 | 12h45 |

Quando pleiteou ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o comitê do Rio listou no dossiê de candidatura promessas para um Plano de Ação Sustentável. Essas propostas tinham como objetivo não poluir a cidade durante as competições e equilibrar as emissões de gás carbônico. Na página 98 do documento, a candidatura defendeu a:

“Criação do Parque do Carbono, onde mais de 24 milhões de árvores serão plantadas”

FALSO

A quantia apresentada foi inicialmente calculada como o total necessário para compensar as emissões de CO2 geradas pelo megaevento.

Faltando um mês para o início dos Jogos, a Lupa ​foi conferir o andamento da promessa apresentada ao COI e constatou que a meta ­ de responsabilidade compartilhada pelo governo do estado do RJ e pelo Comitê Rio 2016 ­ ainda não foi atingida.

O Parque do Carbono foi oficialmente lançado em 4 de fevereiro de 2011 pelo então secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele fica no Parque Estadual da Pedra Branca, na Zona Oeste do Rio. Mas nele não foram plantadas as 24 milhões de árvores prometidas.

A Secretaria Estadual de Ambiente (SEA) informa que, no processo de compensação carbônica dos Jogos, foram restauradas “áreas correspondentes a 3.275 hectares”, mas não revela quantas árvores ou mudas foram plantadas nesse mesmo território.

Em 2013, a SEA informou que, para compensar as emissões geradas pela Rio 2016, seria necessário o plantio de 18 milhões de árvores, o que implicaria “na restauração de 6.500 hectares de áreas degradadas”.

Baseada nessa proporção (18 milhões de árvores em 6.500 hectares), pode ­se concluir que, em 3.275 hectares, o estado provavelmente plantou cerca de 9 milhões de árvores.

Isso representa 37,5% do prometido em 2009 e 50% do que, em 2013, foi anunciado como necessário para compensar o impacto ambiental.

Na última semana, a SEA emitiu uma nota afirmando que as emissões de carbono dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio haviam sido estimadas em 3,6 milhões de toneladas e que o projeto de mitigação, que seria realizado somente por meio do plantio de árvores, havia sido diversificado a partir de janeiro de 2013 para incluir outras ações que proporcionassem a retirada de carbono da atmosfera.

Do total de 3,6 milhões de toneladas de carbono que precisam ser compensadas no ambiente, 1,6 milhão de toneladas (46%) era de responsabilidade do estado do Rio e 2 milhões de toneladas (54%) do Comitê Rio 2016.

Até a última semana, segundo a SEA, o RJ já havia compensado 1,1 milhão de toneladas (68,7% do total sob sua responsabilidade) por meio do plantio de árvores. As 500 mil toneladas restantes seriam obtidas através “de doações de créditos ambientais de carbono por instituições interessadas em participar de forma proativa na responsabilidade da compensação das emissões”.

O Comitê Rio 2016, por sua vez, não informou quantas das 2 milhões de toneladas de carbono já conseguiu compensar. O órgão disse que foi moldado um programa de mitigação conduzido pela Dow, patrocinadora mundial e companhia química oficial dos Jogos Olímpicos. Entre as ações, estão projetos de recuperação ambiental na Bahia, agricultura de precisão e recuperação de pasto degradado em Mato Grosso, ações de estímulo para adoção de tecnologias eficientes no setor construção civil e também investimento no uso de energia gerada por biomassa na área industrial, entre outras.

Esta checagem fez parte da série de reportagens que a CBN colocou no ar no sábado dia 2 de julho de 2016. Ouça abaixo:

Parte 1

Parte 2

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