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Celso Dias na água. Foto: Reprodução do Facebook do atleta
Celso Dias na água. Foto: Reprodução do Facebook do atleta

Raio-x da delegação brasileira: como é o atleta que participará da Rio 2016?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.jul.2016 | 16h12 |

Ele é homem, paulista, tem 27 anos, não participou dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012 e chega à Rio 2016, disputa internacional que começa na semana que vem, sem receber um tostão do Bolsa Pódio. O canoísta Celso Oliveira se encaixa com perfeição no perfil do atleta brasileiro médio que participará dos Jogos deste ano. Nasceu no estado mais rico do país, é jovem, não tem experiência olímpica nem contou com o alardeado apoio financeiro do programa federal Brasil Medalhas, que busca colocar o país entre os dez maiores do quadro de medalhas.

Dos 465 membros da delegação brasileira, listados no site do Comitê Olímpico Brasileiro, 162 (ou 34,8%) são – como Oliveira – naturais de São Paulo.

No levantamento feito pela Lupa como parte da série “Dados de Ouro”, o Rio de Janeiro aparece em segundo lugar no ranking das unidades da federação que mais contribuíram para a delegação olímpica brasileira. No grupo, há 92 atletas fluminenses.

Com 31 nomes, o Paraná fica em terceiro lugar. Minas Gerais, que tem a segunda maior população do país, aparece somente em quarto lugar, com 29 atletas.

Não há nenhum representante de três estados. Ficaram de fora dos Jogos atletas naturais de Acre, Sergipe e Tocantins. Mesmo assim, todas as regiões do país estarão representadas na disputa olímpica. Navegue pelo gráfico abaixo:

A idade média (aritmética) da delegação brasileira é de 27 anos, mas 25 é a idade mais frequente (moda) entre os atletas que defenderão o Brasil na Rio 2016.

A esportista mais velha da delegação é  Janice Gil Teixeira. Ela nasceu 20 de maio de 1962 e disputará tiro esportivo aos 55 anos. Janice foi prata nos Jogos Sul-Americanos de Medellín, em 2010. Será a primeira vez que ela competirá em uma Olimpíada. 

Bruna Takahashi, do tênis de mesa, está na outra ponta, como a atleta brasileira mais nova. Ela nasceu em 19 de julho de 2000 e tem 16 anos. Em 2015, a jovem foi campeã da Copa Latina. Neste ano já galgou o prêmio latino-americano em equipe.  

A Rio 2016 será mais uma edição dos Jogos Olímpicos em que a equipe feminina é inferior à masculina em número de atletas. No grupo de 465 participantes, 209 são mulheres e 256, homens. São 44,95% contra 55,05%. O número representa uma alta em relação a Londres 2012, quando 119 atletas participaram dos Jogos.

O canoísta Celso Oliveira se encaixa em ainda outro grupo que representa o atleta médio brasileiro: o dos que não competiram em Londres 2012. Dos 465 atletas brasileiros, 343 não participaram da disputa olímpica anterior. Apenas 26% da delegação nacional viveu a experiência britânica quatro anos atrás. 

O canoísta também engrossa a estatística dos atletas que chegam à Rio 2016 sem receber verba do Bolsa Pódio. Lançado em 2012 como parte do Plano Brasil Medalhas, criado pelo governo federal para ajudar o Brasil a ficar entre os dez maiores medalhistas da Rio 2016, a bolsa pódio consiste num auxílio financeiro proveniente do estado e que varia entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. É dado somente para esportistas de algumas modalidades pré-definidas. Chegam à Rio 2016 247 atletas que poderiam ter se beneficiado da bolsa por praticarem esses esportes. Em julho, no entanto, apenas 101 recebiam o benefício governamental.

O Ministério dos Esportes destaca, no entanto, que 70% da delegação recebe o Bolsa Atleta, uma modalidade de benefício inferior ao Bolsa Pódio e sem relação direta com a disputa olímpica. 

Analisando o perfil da delegação, vale ressaltar ainda que, curiosamente, 19 competidores são brasileiros naturalizados. Nasceram em países como Sérvia, Armênia, Estados Unidos, Cuba e China. Apenas na equipe de hóquei sobre grama há três holandeses, um inglês e um australiano.

MAIS SOBRE CELSO OLIVEIRA

Segundo seu perfil no site do COB, Oliveira começou na canoagem aos 12 anos, por meio do projeto Ayrton Senna, que acontece na USP e busca detectar novos talentos. Talvez Oliveira seja o único da delegação brasileira na Rio 2016 que tenha o pernil com mandioca como prato favorito, o skate como hobby e o Ken Wallace como ídolo. Mas em tudo ele se parece à maioria dos atletas que lutarão para conquistar medalhas para o Brasil.

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