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Ricardo e Emanuel receberam o Bolsa Pódio mas não vão aos Jogos
Ricardo e Emanuel receberam o Bolsa Pódio mas não vão aos Jogos

Quatro em cada dez atletas beneficiados pela Bolsa Pódio não vão aos Jogos

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.ago.2016 | 15h28 |

Anunciada em 2012 como parte do Plano Brasil Medalhas, pacote de incentivos do governo federal para ajudar o país a ficar entre os 10 principais medalhistas da Rio 2016, a Bolsa Pódio foi criada para agraciar atletas já consolidados. Só os vinte primeiros colocados no ranking mundial de cada modalidade tiveram direito a pleitear o benefício. A depender de sua classificação no top 20, o desportista recebe uma verba que varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil por mês. Alguns esportes coletivos como futebol, vôlei e basquete, por exemplo, foram excluídos do benefício por já receberem financiamento público através de empresas estatais. A concessão da bolsa vem sendo reavaliada anualmente, a depender da classificação do atleta brasileiro.

Desde seu início, em abril de 2013, até julho deste ano, 201 atletas receberam a bolsa. Contudo, apenas 123 deles conseguiram vaga no Time Brasil deste ano, ou seja 61,1% do total dos beneficiados. Se considerarmos somente os bolsistas deste ano, dos 117 agraciados pelo apoio governamental no mês que antecede os Jogos Olímpicos, 13 não obtiveram marcas para participar do evento, numa taxa de 88,9%.

Este é o caso da dupla de vôlei de praia Ricardo e Emanuel. Campeões olímpicos em Atenas em 2004 e atuais campeões brasileiros, a dupla voltou a se juntar após nove anos separada com o objetivo de competir na Rio 2016. Apesar do incentivo financeiro, acabaram ficando de fora.

Na luta, o bolsista Davi Albino, primeiro brasileiro a figurar no ranking no estilo greco-romano, também não representará o Brasil nesses Jogos. Ex-morador de rua e flanelinha, Albino passou a frequentar o centro olímpico por causa do lanche oferecido após os treinos. Em 2015, depois de conquistar a medalha de prata no Campeonato Pan-Americano de Santiago, passou a figurar na vigésima posição entre os melhores do mundo. Apesar do feito, não conseguiu se classificar nas seletivas olímpicas. Confira aqui a relação dos atletas que receberam o benefício e não vão aos Jogos.

Os 123 membros da delegação que contaram em algum momento com essa ajuda financeira representam 26,5% do universo de 465 atletas que representarão o Brasil nos Jogos. Se considerarmos apenas os atletas das modalidades contempladas pela bolsa, isto é, 246 dos 465 que vão aos Jogos, constataremos que metade não obteve o benefício.

Os números endossam a crítica feita ao programa federal desde sua concepção. Ao apostar em nomes já consolidados, a bolsa deixou de lado talentos em evolução, que conseguiram índices mesmo sem apoio do governo. Na natação, por exemplo, dos 34 atletas brasileiros representando a modalidade na Rio 2016, 8 usufruíram do benefício, e 26, não. Nomes consagrados como César Cielo e Felipe Ferreira Lima foram dois que, apesar do incentivo, ficaram de fora da Rio 2016.

Confira aqui a relação dos atletas que vão aos Jogos e receberam o benefício e alista daqueles que também vão competir mas não tiveram este estímulo financeiro

Nota 1: O levantamento só considera os atletas olímpicos. Se for levado em conta os competidores paralímpicos, o número total de bolsas sobe para 319.

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