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Marcelo Freixo, Pedro Paulo, Molon e Crivella (Divulgação)
Marcelo Freixo, Pedro Paulo, Molon e Crivella (Divulgação)

Crivella estudou na África do Sul? Pedro Paulo, na UFF? Freixo indiciou 200 milicianos?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.ago.2016 | 08h52 |

A corrida eleitoral deste ano começou no último dia 16, e os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro já colocaram no ar seus sites oficiais de campanha. Nos últimos dias, a Lupa se debruçou sobre as informações que eles oferecem nesses espaços para conferir o grau de veracidade de algumas delas. Veja abaixo o resultado:

MARCELO CRIVELLA

O senador e candidato do PRB à prefeitura do Rio, Marcelo Crivella, informa em seu site de campanha que, em sua formação educacional, tem:

Master Degree in Civil Engineer – University of Pretoria/South Africa. (Doutorado em Engenharia Civil – Universidade de Pretória/África do Sul)

FALSO

A Lupa entrou em contato com a Secretaria de Pós-graduação e de Graduação em Engenharia da Universidade de Pretória e foi informada de que não há registros da passagem de nenhum aluno com o nome e a data de nascimento do candidato do PRB pela instituição.

Procurado, Crivella informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “houve um erro na tradução do certificado emitido pela Universidade de Pretória” (ao converter “master degree” para doutorado) e que a instituição sul-africana apenas “revalidou o diploma de engenheiro” dele. A campanha acrescenta que o dado já foi corrigido no site. Veja aqui.


PEDRO PAULO 

Ao apresentar sua biografia em seu site oficial de campanha, o deputado federal e candidato do PMDB à prefeitura do Rio, Pedro Paulo, afirma que cursou:

“Mestrado em Política Aplicada, em Madri (Espanha) e mestrado em Economia Regional, na UFF”

EXAGERADO

A Lupa procurou a Universidade Federal Fluminense para confirmar a informação e também rastreou o banco de teses da biblioteca da instituição com o intuito de localizar a dissertação de mestrado do candidato, mas não identificou nenhum trabalho no nome de Pedro Paulo Carvalho Teixeira. Por nota, a assessoria do candidato informou que “ele cursou, mas não entregou a tese”. 

Em seu perfil público no Linkedin, Pedro Paulo informa que, entre 1999 e 2000, fez mestrado de Política Aplicada em Madri. Mais à frente, no mesmo perfil, diz que foi chefe de gabinete do então deputado Eduardo Paes no mesmo período: com a ida de Eduardo Paes para Brasília, após a eleição para deputado federal, me tornei seu chefe de gabinete na Câmara Federal. Em Brasília, tive uma experiência enriquecedora com a participação ativa do deputado nas comissões da Reforma Tributária e do Salário Mínimo”.

A Lupa procurou a assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados e foi informada de que Pedro Paulo esteve lotado no gabinete do ex-deputado Eduardo Paes entre os dias  1º de janeiro de 1999 e 30 de setembro de 1999 e entre 13 de julho de 2000 e 31 de dezembro de 2000. Pedro Paulo teria tido, portanto, apenas o primeiro semestre de 2000 para estar na Espanha e realizar seu mestrado.

A Lupa tentou contato com a La Fundación Internacional y para Iberoamérica de Administración y Políticas Públicas (FIIAPP), onde ele disse ter feito o curso, mas não obteve resposta da instituição. A assessoria de imprensa do peemedebista confirmou por e-mail que ele fez o curso no exterior e que “ele não estava no gabinete no período em que esteve em Madri”.


MARCELO FREIXO

Em seu site oficial de campanha,  o deputado estadual e candidato do PSOL à prefeitura, Marcelo Freixo, afirma que:

“Em 2008, presidiu a CPI das Milícias que indiciou mais de 200 pessoas”

EXAGERADO

O candidato realmente presidiu a CPI das Milícias em 2008, mas as comissões parlamentares de inquérito não têm poder para indiciar investigados. Elas apenas sugerem o indiciamento. A assessoria jurídica da Alerj informou à Lupa que a “CPI da Alerj faz uma apuração dos fatos e encaminha recomendações em seu relatório final para os órgãos competentes. Ela sugere o indiciamento, geralmente para o Ministério Público, ou pede uma investigação mais aprofundada para a Secretaria de Segurança por exemplo”.

Portanto, a CPI não indiciou mais de 200 pessoas. No relatório da CPI das Milícias foram listados 225 nomes de pessoas investigadas por envolvimento com esse tipo de crime. Delas, 13 foram indiciadas pela PF, segundo o próprio documento. Ao fim dos trabalhos, o relatório da CPI foi entregue ao Ministério Público. A Lupa procurou o Ministério Público para saber quantas pessoas foram indiciadas ou processadas após a conclusão dos trabalhos da comissão, mas não obteve resposta. Procurado, o candidato Marcelo Freixo informou por meio de sua assessoria que ocorreu um erro na redação do site e que ele já foi corrigido. Veja imagem enviada pelos assessores.


JANDIRA FEGHALI

A deputado federal e postulante do PCdoB à prefeitura do Rio, Jandira Feghali, informou em seu site de campanha que: 

Foi relatora da Lei Maria da Penha, que combate a violência doméstica no Brasil e é considerada pela ONU uma das legislações mais modernas do mundo. Nos últimos 7 anos, 300 mil mulheres já foram salvas por conta desta lei.

VERDADEIRO, MAS

De acordo com a Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 4559 que se transformou na Lei 11.340/2006, mais conhecida como a Lei Maria da Penha, teve quatro relatoras ao longo de sua tramitação. Na Comissão de Seguridade Social e Família, que avaliou o mérito, a relatoria foi a deputada Jandira Feghali. Mas o projeto ainda esteve na Comissão de Finanças e Tributação, com relatoria de Yeda Crusius e, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, com relatoria de Iriny Lopes. No plenário, a relatoria coube à deputada Luiza Erundina.

Sobre a quantidade de mulheres salvas pela Lei Maria da Penha, a Lupa procurou a candidata para saber de onde ela havia retirado o dado sobre a quantidade de vidas salvas por conta da legislação. A assessoria de Jandira informou por nota que as estatísticas citadas foram “dadas pela ministra Eleonora Menicucci em 2013”.

A Lupa então procurou a ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres para saber de onde vieram as informações, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Em outubro de 2013, Eleonora Menicucci disse, em entrevista à Folha, que “nós temos mais de 300 mil medidas preventivas, protetivas, expedidas. A lei já salvou mais de 300 mil vidas.” Eleonora, no entanto, também não citou a origem da informação.

A Lupa também perguntou à Secretaria de Mulheres do Ministério da Justiça se existia uma levantamento sobre o assunto, mas não obteve resposta. No ano passado, o IPEA divulgou um estudo de avaliação da aplicação da Lei Maria da Penha, mas o instituto informou somente uma estimativa de redução de 10% dos homicídios no período posterior à implementação da lei. No estudo não há uma quantificação do total de vidas salvas.


CARLOS OSORIO

Em sua página oficial no Facebook, o deputado estadual e candidato do PSDB à prefeitura do Rio de Janeiro, Carlos Osorio, apresenta sua biografia. Nela, afirma que:  

“Foi eleito deputado estadual com 70.835 votos para a 11ª Legislatura que se iniciou em 2015. O deputado foi o quarto mais votado do PMDB e o primeiro na capital”

VERDADEIRO, MAS

De acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele realmente obteve 70.835 votos na eleição de 2014 em todo o estado. Dentro de seu partido, ele ficou em quarto lugar, atrás de Paulo Melo (125.391 votos), Fábio Silva (82.168 votos) e Jorge Picciani (76.590 votos). Mas Osorio só foi “o primeiro na capital” se levada em consideração a performance de sua legenda. O ranking dos deputados estaduais mais bem votados no município do Rio em 2014 é o seguinte:

1- Marcelo Freixo (PSOL) – 250.345
2- Wagner Montes (PSD) – 113.341
3- Flavio Bolsonaro (PP) – 100.453
4- Jucélia Freitas (PRB) – 69.230
5- Dionísio Lins (PP) – 68.075
6- Lucia Helena Barros (PSDB) – 64.060
7- Carlos Osorio (PMDB) – 62.437


ALESSANDRO MOLON

Em sua página do Facebook, o deputado federal e candidato da Rede, Alessandro Molon, fala de sua biografia:

“Por voto popular, fui escolhido pelo Prêmio Congresso em Foco o deputado que mais combateu o crime organizado”.

VERDADEIRO, MAS

Alessandro Molon realmente já foi eleito por voto popular como o deputado que mais combateu o crime organizado, mas isto ocorreu em 2013, na legislatura anterior, quando ele ainda era deputado pelo PT. Na última edição da premiação, feita em 2015, o congressista ficou em quinto lugar, com 3.207 votos. Na sua frente, apareceram Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), com 16.769 votos; Chico Alencar (PSOL-RJ), com 6.755 votos; Aécio Neves (PSDB-MG), com 3.426 votos; e Ivan Valente (PSOL-SP), com 3.286.

*Nota: A equipe da Lupa continua checando as biografias oferecidas pelos demais candidatos a prefeito do Rio de Janeiro. Esta reportagem poderá ser atualizada a qualquer instante.

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
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A informação está comprovadamente incorreta
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