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Candidatos de São Paulo derrapam ao falar de Ideb, ensino fundamental e orçamento

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.set.2016 | 08h44 |

As prefeituras são responsáveis por administrar toda a rede de ensino pública local e atender às crianças entre os primeiros anos do ensino infantil e os últimos anos do ensino fundamental, ou seja, cuidam da maior parte da vida escolar da população. Diante da enorme responsabilidade que recai sobre os prefeitos, a Lupa decidiu conferir  o que os candidatos a administrar a cidade de São Paulo sabem sobre a educação da cidade.

Nos últimos dias, uma equipe de jornalistas observou de perto as informações que eles deram em seus sites de campanha, em suas redes sociais e em entrevistas – sempre em busca de votos. Veja o resultado abaixo:

Fernando Haddad (PT)

Em seu site de campanha, o prefeito de São Paulo e candidato do PT à reeleição, Fernando Haddad, comemorou os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015, divulgados na semana passada. Em um encontro com especialistas e educadores, ele afirmou:

“Nós estamos colhendo o fruto de um esforço de quatro anos, sendo a capital que mais avançou no principal indicador de qualidade do País (Ideb)”

FALSO

Segundo dados do Ministério da Educação, há outras capitais com desempenho semelhante ou melhor do que São Paulo.

Manaus, capital do Amazonas,  avançou, entre 2011 e 2015, 1,3 ponto no índice relativo aos anos iniciais do ensino fundamental, indo de 4,1 para 5,4 pontos. São Paulo teve crescimento inferior, de 1 ponto. Foi de 4.8 para 5.8 no mesmo período e no mesmo segmento.

Já os anos finais do ensino fundamental, enquanto a capital paulista ficou estagnada em 4,3  pontos entre 2011 e 2015, Manaus passou de 3.1 para 4.3, numa alta de 1,2 ponto. Nesse quesito, Manaus ultrapassou até mesmo sua meta, que era de 4,3.

Outro exemplo é Rio Branco, capital do Acre, que também avançou 1 ponto nos anos iniciais do ensino fundamental entre 2011 e 2015, passando de 4,8 para 5,8, O crescimento da nota da cidade foi o mesmo observado em São Paulo. Vale ressaltar, por outro lado, que não há dados do Ideb de Rio Branco para os anos finais do ensino fundamental. Nele, como já dito, a capital paulista ficou estável.

Procurada, a campanha de Fernando Haddad ajustou o discurso. Afirmou que São Paulo é “uma das capitais que mais avançou” nesse período. Confira a nota na íntegra.


Celso Russomanno (PRB)

O candidato do PRB à prefeitura de São Paulo tem falado tanto em seu site quanto em suas redes sociais sobre a necessidade de ampliar vagas na educação infantil e no ensino fundamental.

No Facebook, disse: “Muitas famílias perderam renda e poder de compra em razão da crise econômica que atingiu o país. Isso tem afetado diretamente a educação. Muitos pais são obrigados a retirar os filhos do ensino particular para matriculá-los na rede pública. Infelizmente, temos problemas de vagas, estrutura precária e falta valorizar nossos professores. “

Em seu site, afirmou que vai: “Ampliar o número de CEUs/CEMEIs e melhorar a qualidade do ensino na rede municipal; construir novas creches, incluindo creches verticais, assim como ampliar as vagas nas EMEIs e no Ensino Fundamental.”

DE OLHO

Para Celso Russomanno, a questão de vagas nos ensinos básico e infantil é um dos problemas da educação na capital de São Paulo. A Prefeitura admite que, até meados deste ano, havia uma considerável demanda por vagas em creche: 106.930 crianças.

Contudo, não há demanda de vagas nos ensinos fundamental e médio. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, não existe aluno nessa faixa escolar na fila e à espera de matrícula. O ensino fundamental é compartilhado entre o estado e o município, e os alunos são alocados em escolas através de um sistema eletrônico único.

O movimento Todos Pela Educação corrobora a informação oficial. Diz que, de 2014 para 2015, houve até uma queda no total de matrículas na rede privada, mas que, mesmo assim, as redes públicas municipal e estadual não inflaram. O total de matrículas nela chegou a decrescer: 13 mil e 52 mil a menos, respectivamente. Ainda de acordo com a entidade, há uma diminuição na população na faixa etária escolar por conta de um efeito demográfico – as gerações atuais tem menos filhos do que as anteriores, logo, parece que há espaço para reacomodação. Não há, portanto, informações públicas sobre a necessidade de abertura de vagas no ensino fundamental no município de São Paulo.


Luiza Erundina (PSOL)

Em entrevista ao jornal O Globo, a candidata do PSOL à prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina afirmou:

“Temos que voltar a destinar 30% da receita líquida do município para a educação.”

FALSO

Com auxílio do movimento Todos pela Educação, a Lupa verificou que a Lei Orgânica do Município, em seu Artigo 208, já estabelece a obrigatoriedade de destinar 31% das receitas líquidas do município para a Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE).

No exercício de 2015, além disso, o percentual de receitas aplicadas em MDE pela Prefeitura de São Paulo foi de 34,21%. Confira na página 5 do documento.

Procurada, a campanha informou que pretende investir mais na educação municipal e que a prefeitura contabiliza como gasto em educação os relativos a MDE mais os de educação inclusiva, atingindo assim a porcentagem citada. Confira a nota na íntegra.

(Com Marina Estarque)

*Esta reportagem foi publicada na edição do jornal Folha de S.Paulo no dia 16 de setembro de 2016.

** A equipe de jornalistas da Lupa continua analisando as informações oferecidas pelos candidatos de São Paulo. Este levantamento poderá ser atualizado a qualquer momento.

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DE OLHO
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