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Foto: Ricardo Porto / CBN
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Molon exagera gastos de propaganda da Prefeitura do Rio no ano passado

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.set.2016 | 13h26 |

Na manhã desta quarta-feira (21), o candidato da Rede à Prefeitura do Rio de Janeiro, Alessandro Molon, foi sabatinado pela CBN RJ. A equipe de jornalistas da Lupa acompanhou a entrevista, verificando o grau de veracidade das afirmações dele. Veja o resultado do trabalho – que também foi divulgado na CBN – logo abaixo.

Na entrevista, Molon falou sobre o investimento que teria que ser feito para atender à demanda por creches na cidade. Usando dados próprios, ele fez um cálculo sobre quanto custaria à cidade colocar as 25.500 crianças que procuraram e não encontraram vagas no sistema municipal neste ano.

“Seria R$ 133 milhões por ano. Isso é menos do que o prefeito Eduardo Paes gastou com propaganda no ano passado”

EXAGERADO

O candidato exagerou ao afirmar que esse valor – de R$ 133 milhões – seria menor do que aquilo que a prefeitura gastou em propaganda em 2015.

De acordo com o portal de Transparência da cidade, o Rio Transparente, a ação que engloba Publicidade, Propaganda e Comunicação Social da prefeitura do Rio em 2015 contratou serviços no valor total de R$ 127 milhões. Tecnicamente falando, esse foi o valor liquidado.

A Prefeitura até poderia ter gasto 133 milhões. Era o que tinha como orçamento empenhado, mas, segundo dados oficiais e públicos, não o fez.


Ao falar sobre mobilidade, Molon criticou as obras da atual administração e disse que:

“O asfalto no Elevado no Joá durou 10 dias”

VERDADEIRO

O Novo Joá, que foi batizado como Elevado Presidente Itamar Franco, foi inaugurado no dia 28 de maio, ligando São Conrado e a Barra da Tijuca, mas, no dia 7 de junho, 10 dias depois, ele já tinha pelo menos três buracos em seu asfalto, obrigando os motoristas a diminuir a velocidade e desviar deles.

O assunto foi reportagem no RJTV e repercutiu em diversos jornais da cidade. Na época, o prefeito disse que considerava a situação “inaceitável” e que cobraria dos responsáveis pela obra os reparos devidos.

A obra do Novo Joá foi realizada pela Odebrecht e custou cerca de R$ 500 milhões.


Molon também falou sobre sua saída do PT, no ano passado. Lembrou o último Congresso que o PT fez em 2015 e disse que nele apresentou uma carta pedindo que o partido reconhecesse seu erros. O candidato afirmou ainda que o documento nem chegou a ser votado e que ficou decepcionado com isso. Em seguida, explicou sua saída da sigla:

“Enquanto achava que era possível recuperar (o PT), eu fiquei. Quando cheguei à conclusão de que não era mais possível, (…) deixei o partido”

VERDADEIRO, MAS

Molon, de fato, foi ao congresso do PT em junho de 2015 e pediu que o partido reconhecesse seus erros. Ele, no entanto, se desfiliou da sigla em 24 de setembro de 2015, bem perto do prazo final fixado pela lei da época para que eventuais candidatos à eleição deste ano escolhessem seus partidos.

De acordo com a Lei das Eleições de 1997, quem quisesse participar da corrida eleitoral de 2016 deveria estar filiado a sua sigla até, no máximo, o dia 2 de outubro de 2015 – um ano antes do primeiro turno. A entrada de Molon na Rede aconteceu uma semana antes desse prazo final.

Vale destacar ainda que a lei mudou. Desde 29 de setembro do ano passado, o prazo de filiação é de seis meses antes do pleito.

(Com Marina Estarque)

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A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
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Não há dados públicos que comprovem a informação
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