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Crivella oscila ao falar de estacionamento; Pedro Paulo, de ar em ônibus; e Freixo, de tarifa zero

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.set.2016 | 07h00 |

A campanha eleitoral já dura mais de um mês, e algumas das propostas que foram apresentadas aos eleitores lá atrás parecem não ter resistido – intactas – ao passar das semanas. Nos últimos dias, a equipe de jornalistas da Lupa colheu e analisou promessas flutuantes na área de transporte e mobilidade na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Veja abaixo o resultado:

Marcelo Crivella (PRB)

Entre as ideias que o candidato do PRB, Marcelo Crivella, listou em seu programa de governo para melhorar a mobilidade urbana da cidade, está prevista (proposta 37) a criação de :

“Uma PPP (parceria público-privada) para a construção e operação de nove novos estacionamentos subterrâneos na cidade até o final de 2020: três na Zona Sul (Copacabana, Ipanema e Leblon), três na Zona Norte (Madureira, Meiér e Tijuca) e três na Zona Oeste (Campo Grande, Bangu e Jacarepaguá)” 

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Em entrevistas recentes, Crivella ajustou a promessa. No dia 14 de setembro, em caminhada no Saara, no Centro da cidade, anunciou a intenção de fazer estacionamentos na região, mas não lembrou dos outros locais mencionados em seu programa. Disse:

“Outra grande reclamação das pessoas aqui (Saara) é a falta de estacionamento. Não é difícil de fazer. São apenas colunas e concreto.”

Na última terça-feira (20), afirmou em entrevista à CBN  que pretendia fazer estacionamentos em Copacabana, na região central da cidade e na Zona Portuária. Ele justificou a necessidade lembrando turistas.

“Os estacionamentos são importantes porque a gente tem turismo. Tem muitas vans. Em Copacabana, por exemplo, não tem onde parar. Então preciso fazer parceria com as pessoas para ter estacionamentos subterrâneos. A mesma coisa aqui perto no Saara. Eles estão reclamando há anos…. e não tem estacionamento no Porto Maravilha. Nós precisamos.”

Procurado, o candidato disse que mantém a proposta descrita em seu programa. Confira a nota.


Pedro Paulo (PMDB)

O candidato peemedebista, Pedro Paulo, defendeu, em seu programa de governo, uma proposta para atender a uma antiga reclamação dos cariocas. No documento, sustentou que a meta é:

“Ter 100% das viagens com ar condicionado e recursos de acessibilidade até 2017”

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O prazo para o cumprimento da proposta, no entanto, foi modificado em entrevistas recentes. Ao jornal Extra, Pedro Paulo postergou a data de entrega da promessa:

“Eu vou chegar a 100% no meu governo, até 2020, mas sem tornar a tarifa mais cara por isso e sem subsídio por parte da prefeitura”

No RJTV, ontem (22), o candidato reconheceu um “erro” no programa e manteve a data de 2020.

“O meu programa de governo ele falava sim, em 2017, mas há um erro, por isso nos corrigimos, que é até 2020. Sabe por quê? Porque se tem uma coisa que eu não vou fazer na passagem de ônibus é colocar subsídio da prefeitura”.

Procurado, o candidato não retornou os contatos da reportagem.


Marcelo Freixo (PSOL)

O candidato do PSOL, Marcelo Freixo, tem afirmado com frequência que a mobilidade urbana é uma de suas prioridades. Entre as principais propostas presentes em seu programa de governo, está a seguinte:

“Estabelecer metas, em acordo com a estrutura orçamentária do município, para a progressiva implementação de linhas e/ou zonas de Tarifa Zero (…), começando pelas regiões mais pobres e de maior fluxo”

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No SBT, no dia 14, o candidato afirmou que fará “um projeto experimental”, com “uma linha que atenda à população mais pobre” da cidade.

Em entrevista ao G1, na segunda-feira (20), o candidato afirmou que a ideia era “um projeto experimental como está no nosso programa”

programa de governo do candidato, porém, não apresenta a proposta como um projeto experimental.

Procurada, a campanha diz que se trata de “um projeto progressivo que será iniciado com uma linha experimental”. Confira a nota.


Indio da Costa  (PSD)

O candidato do PSD, Indio da Costa, disse ao jornal O Globo que usaria aplicativos como o Uber para conversar com a população e saber sua opinião sobre os serviços públicos. Indio sustentou que:

“Vou usar, inclusive, o modelo do Uber para a saúde, a habitação, a segurança, o transporte. O usuário vai me dizer qual é a dificuldade que ele tem.”

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A Lupa verificou, no entanto, que, no programa do candidato, ele não registrou nenhuma proposta no sentido de ouvir os cariocas por meio de aplicativos.

Questionada, a campanha reconheceu que a ideia é nova e que é um avanço da proposta de criação de fóruns de debate na cidade – que, sim, consta no texto apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Confira a nota.

*As duas reportagens foram publicadas na edição de 23 de setembro do jornal Folha de S.Paulo.

** A equipe da Lupa continua checando os candidatos na área de transporte e mobilidade. As reportagens poderão, portanto, ser atualizadas a qualquer momento.

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