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No Twitter, candidatos do Rio ignoraram polêmica sobre a Linha 4 do metrô

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.set.2016 | 14h19 |

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos tiveram um fim festivo no último domingo, fazendo com que parte da infraestrutura criada em torno deles caísse no colo do povo – para ser efetivamente testado. Na última segunda-feira (19), o Rio de Janeiro viu a linha 4 do metrô (que vai até a Barra da Tijuca, na Zona Oeste) ser aberta à população em geral – não apenas aqueles que dispunham de ingresso para assistir às competições esportivas. E o debate político-eleitoral travado nas redes sociais refletiu isso, repercutindo – com força – questões relacionadas ao transporte e à mobilidade. Mas, curiosamente, os principais candidatos a prefeito de Rio ignoraram o debate. Em suas redes sociais, nenhuma postagem tratou do assunto.

Levantamento exclusivo feito para a Agência Lupa pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV) mostra que a temática da mobilidade urbana gerou 70.800 comentários no Twitter entre as 22 horas do dia 14 e as 22 horas do dia 21 deste mês. Reforça ainda a preponderância do Rio de Janeiro no debate sobre transporte. A cidade se destacou com 13.800 menções, bem à frente da imensa São Paulo, que teve 10.000 menções no mesmo período.

De acordo com os especialistas em rede, o preço das tarifas de metrô – e a não existência de um sistema integrado de bilhetes com os Bus Rapid Transit (BRTs) – chacoalhou as discussões político-eleitorais da semana, ganhando preponderância. Falou-se muito de “legado” (2 mil menções), mas também de superlotação de ônibus, metrô e trens urbanos. Os principais candidatos a prefeito do Rio, no entanto, se mantiveram à margem. Vendo de longe o debate espinhoso.

Marcelo Crivella (PRB), Marcelo Freixo (PSOL) e Pedro Paulo (PMDB), os três principais candidatos na corrida eleitoral carioca não postaram no Twitter nenhum comentário sobre a Linha 4 do metrô nesta semana. É bem verdade que o sistema é mantido pelo governo estadual, liderado atualmente por Francisco Dornelles (PP), mas sua conexão com o BRT – que é municipal – inegavelmente demanda negociação entre as esferas. Jandira Feghali (PCdoB) parece ter percebido a existência desse elo. Usou as redes sociais para fazer postagens defendendo que é necessário “investir na integração dos modais”.

FORA DE FOCO

Ao falar de transporte, os candidatos do Rio preferiram outros enfoques. Crivella foi para o Twitter para dizer que o BRT já está superlotado e prometer aumento de frota. Freixo reclamou do tempo de viagem, do preço das passagens (que para ele não é calculado de forma transparente) e da qualidade do sistema de transporte municipal como um todo. Pedro Paulo defendeu a administração de Eduardo Paes, da qual fez parte. Exaltou o fato de a Prefeitura do Rio ter licitou linhas de ônibus pela primeira vez e ter criou o bilhete único. Jandira caiu de cabeça na defesa do passe livre social. Segundo ela, esse benefício deveria ser dado a todos aqueles que recebem Bolsa Família, aos trabalhadores informais e também aos desempregados.

Em São Paulo – que não teve inauguração de metrô – também se debateu mobilidade ao longo da semana virtual. No Twitter, Marta Suplicy (PMDB) adotou discurso semelhante ao de Jandira. Defendeu o passe livre, mas com outro enfoque – não o social. Para a candidata, o benefício deve ser garantido apenas a estudantes e idosos.

Celso Russomanno (PRB) aproveitou o embalo das redes e usou o transporte para alfinetar o prefeito e candidato à reeleição pelo PT, Fernando Haddad. No Twitter e no Facebook, atacou a redução do limite de velocidade nas marginais, apontou uma suposta precariedade das ciclovias e a qualidade da mobilidade como um todo na capital paulista. Também voltou a falar do Uber. Foi taxativo ao dizer que não pretende acabar com o aplicativo.

João Doria (PSDB) focou suas queixas no tempo que o morador de São Paulo perde se deslocando pela cidade. Ao tratar de transporte e mobilidade, o tucano prometeu: “Vamos reduzir o tempo gasto em trânsito”. Só não detalhou como.

*Esta reportagem foi publicada no site da Revista Época em 22 de setembro de 2016.

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