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Promessas ao vento: 800 médicos, fim de multas, velocidade alta e passe livre

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.set.2016 | 03h45 |

Por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos a prefeito devem registrar no órgão um programa de governo, um documento que – em tese – reúna as diretrizes e as principais propostas do político para uma eventual gestão municipal sob seu comando.

Também em teoria, o programa de governo enviado ao TSE poderia servir de base para que o eleitor cobrasse do administrador local aquilo com que ele se comprometera ao longo da campanha. Mas, atenção, eleitor. Nos últimos dias, em busca do seu voto, a Lupa flagrou candidatos a prefeito de São Paulo fazendo promessas que não se refletem em seus programas de governo. Veja abaixo o resultado:

JOÃO DORIA (PSDB)

O candidato do PSDB apresentou no horário eleitoral do dia 24 de setembro aquelas que seriam suas principais propostas de campanha. Na ocasião, o locutor disse que:

“Na saúde, João Doria vai contratar imediatamente mais 800 médicos para atender nas periferias da cidade com melhores salários e incentivos”

DE OLHO

No entanto, no programa de governo que o candidato enviou ao TSE, ele simplesmente indicou que vai “reforçar o atendimento primário à saúde pelo preenchimento das vagas existentes nas equipes do Programa de Saúde da Família e das Unidades Básicas de Saúde, requalificando e valorizando os profissionais”.

João Doria não falou em 800 médicos, não disse que os alocaria na periferia nem que eles teriam melhores salários e benefícios.


CELSO RUSSOMANNO (PRB)

O candidato do PRB, conhecido por sua atuação na defesa dos direitos dos consumidores, afirmou na propaganda eleitoral gratuita do dia 9 de setembro, que suspenderia as multas de trânsito com recurso.

“No meu primeiro dia de governo, todas as multas com recursos, não julgadas, serão suspensas. Eu vou acabar com a indústria de multas.”

DE OLHO

A promessa feita aos motoristas de São Paulo não consta no programa de governo que Russomanno enviou ao TSE. A palavra multa, por exemplo, não aparece no texto oficial de campanha nenhuma vez. Muito menos a possibilidade de suspendê-las

No programa que consta para consulta online, há somente um trecho sobre radares e ele diz o seguinte: a meta é “revisar a política de redução de velocidade máxima nas marginais da cidade e de implantação de radares e lombadas eletrônicas, de acordo com estudos técnicos executados pela CET, que visem efetivamente a redução de acidentes e melhorem os índices de congestionamento no trânsito”.


MARTA SUPLICY (PMDB)

Na propaganda eleitoral gratuita de 9 de setembro, Marta prometeu que, se eleita, vai retirar metade dos radares e reduzir a velocidade nas marginais. A candidata disse que:

“As velocidades nas marginais voltarão a ser de 90km por hora na pista expressa, 70  na central e 60 na pista local”

Depois,  no mesmo programa, completou:

“Eu vou acabar com a indústria da multa e retirar todos os radares pegadinha, ou seja, metade de todos os radares serão desativados nos primeiros seis meses de governo.”

DE OLHO

Nenhuma dessas propostas aparecem no plano de governo registrado no TSE. No documento entregue pela candidata, existe apenas uma menção genérica a ações de “fiscalização e melhora da sinalização nos polos geradores de trânsito” e à necessidade de “levar a educação de trânsito para todas as escolas públicas, com ênfase na segurança do pedestre e no convívio com outros modais.”

A única menção de Marta à velocidade é a seguinte propostas: “investir em corredores de ônibus nas vias de grande movimentação, buscando aumentar a velocidade média, a capacidade da via e a diminuição do tempo de viagens.” A palavra radar, por exemplo, não é mencionada nenhuma vez no programa da Marta.


FERNANDO HADDAD (PT)

O prefeito e candidato à reeleição pelo PT apresentou, nos últimos debates e no horário eleitoral gratuito de televisão do dia 20 de setembro, a seguinte proposta:

“Passe livre do desempregado”

DE OLHO

Não há qualquer menção a essa promessa no documento entregue pela campanha de Haddad ao TSE. A única vez que a expressão “passe livre” foi mencionada faz uma referência ao fato de o benefício ter sido criado para os estudantes após os protestos de rua de 2013.

Sobre os desempregados, o programa de Haddad sugere apenas o seguinte: “Promover políticas públicas de economia solidária, com participação social e envolvimento do Fórum Municipal do setor. As regiões periféricas do município serão priorizadas, com concessões de crédito, parcerias internacionais, soluções tecnológicas e com formação para o empreendedor nas faixas etárias e perfis mais atingidos pelo desemprego, como mulheres e negros”.

(Com Marina Estarque)

*Esta reportagem foi publicadas na edição de 30 de setembro do jornal Folha de S.Paulo.

** As campanhas e os candidatos que quiserem se posicionar sobre o conteúdo publicado neste post deverão escrever para lupa@lupa.news

*** A equipe de jornalistas da Lupa continua checando os candidatos e suas promessas. Esta reportagem poderá, portanto, ser atualizada a qualquer momento.

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