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Candidatos a prefeito de Rio e SP ignoram debate sobre MP do Ensino Médio

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
01.out.2016 | 08h30 |

Na última quinta-feira (22), o governo Michel Temer surpreendeu o país, enviando ao Congresso uma medida provisória capaz de modificar radicalmente o ensino médio brasileiro. A MP 746 saiu do Ministério da Educação e apareceu numa edição extra do Diário Oficial da União naquele mesmo dia, provocando um imenso debate nacional que foi parar nas redes sociais. Entre outros pontos polêmicos, a medida ampliou a carga horária das escolas – de 800 horas para 1.400 horas – e tornou Educação Física e Artes disciplinas não obrigatórias. Desde então, a Lupa monitorou os candidatos a prefeito de Rio de Janeiro e São Paulo, buscando saber a opinião deles sobre esse assunto. Curiosamente, enquanto a internet debatia as alterações no ensino médio e a vida escolar dos jovens, a maioria dos políticos em campanha preferia falar de creche.

Levantamento exclusivo feito a pedido da Lupa pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV) mostra que, entre os dias 21 e 28 de setembro, a educação foi o principal tema político-eleitoral no Twitter. No período, foram registradas 608 mil postagens sobre o assunto, com especial destaque para a noite de quinta-feira, quando o governo Temer anunciou as mudanças no ensino médio. Foram feitas 392  menções em menos de 24h.

A ampliação da carga horária proposta pelo governo federal fez com que a expressão “ensino integral” fosse citada 7 mil vezes, três vezes a mais do que na semana anterior. Foi ainda maior a discussão virtual sobre a alteração no quadro de disciplinas, com 11 mil menções.

Houve ainda 6 mil menções a creches – e foi aí que a maior parte dos candidatos às prefeituras de Rio e São Paulo se ativeram. É bem verdade que não é da alçada do prefeito atuar no ensino médio. Mas daí a se manter em silêncio sobre um tema de comoção nacional, é outro assunto. Nenhum dos candidatos falou abertamente sobre a mudança proposta pelo governo Temer em seus perfis oficiais de campanha no Twitter.

No Rio, os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto falaram, nesta semana, em suas redes sociais, sobre as propostas para educação. O foco de Marcelo Crivella (PRB), Pedro Paulo (PMDB) e Marcelo Freixo (PSOL) foi a educação infantil.

Pedro Paulo foi o que mais se pronunciou. Falou de creche em cinco de um total de dez tuítes sobre educação. Neles, prometeu aumento no número de vagas disponíveis na cidade e ensino integral. Vale lembrar que o candidato é deputado federal licenciado e que o assunto nacional poderia tê-lo mobilizado.

Freixo aparece em segundo no total de postagens sobre educação. Fez sete, e falou de creche em três delas. Para ele, as creches têm que ser integradas “com programas de esporte, arte e cultura”. Também criticou a quantidade de crianças aguardando vagas em creche no município do Rio.

Crivella fez quatro tuítes sobre educação – um sobre creche. O candidato do PRB lançou uma proposta: fazer parcerias público-privada para gerar 20 mil vagas para atender às crianças da cidade. Crivella é senador licenciado. O debate sobre a MP da educação chegou ao Senado na sexta-feira (23), mas passou longe do discurso do político.

Em São Paulo, assim como no Rio, a discussão em torno das medidas adotadas pelo governo federal também não colou na campanha eleitoral.

Nem Marta Suplicy, senadora pelo PMDB, nem Celso Russomanno, deputado pelo PRB, aderiram ao debate que os eleitores travavam no Twitter. Ela falou sobre educação oito vezes. Para creche, prometeu abrir 50 mil vagas. Ele seguiu a mesma linha. Também prometeu mais vagas e ainda a construção de creches.

João Doria, candidato do PSDB, fez um único tuíte em toda a semana sobre educação. Nele, prometeu “criar vagas para cerca de 103 mil vagas”. Só deixou de especificar em que segmento(s) seria(m).

* Esta reportagem foi publicada no site da Revista Época em 30 de setembro de 2016

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