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Divulgação/MBL
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Enquanto redes falam da prisão de Cunha, aliados silenciam ou atacam o PT

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.out.2016 | 08h00 |

Quarta-feira, 20 de outubro. Foram necessários apenas alguns segundos para que a notícia da prisão preventiva do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sacudisse o cenário político brasileiro. Em seguida, as redes sociais foram inundadas com comentários de internautas sobre a decisão do juiz Sérgio Moro. De um lado, críticos de Cunha vibraram com o feito. Na outra ponta, entre aliados e parlamentares que mantinham relações mais amenas com o deputado cassado, a cautela foi evidente. Muitos ignoraram o assunto em suas redes. Outros transformaram o episódio em motivo de novos ataques ao PT.  

Levantamento exclusivo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP), feito a pedido da Agência Lupa, mostra que desde às 15h de quarta-feira, quando foi noticiada a prisão, até às 13h do dia seguinte, o episódio foi o mais comentado no Twitter. Ao total, foram 244 mil postagens sendo que 36 mil delas associavam o evento com outras temáticas como “corrupção” ou a “Operação Lava-Jato”. Uma possível delação premiada de Cunha, considerado um dos que mais conhecia as bastidores políticos de Brasília, também foi comentada pelos internautas com 10.600 menções. Por isso, a hashtag #delatacunha foi a principal do dia, com 3.200 menções e superando outras como #cunha e #lavajato.

Depois de Cunha, o juiz Sérgio Moro foi o personagem mais destacado no episódio: 46 mil postagens mencionaram o magistrado. As discussões na internet em torno da prisão de Cunha chegaram até à próxima sucessão presidencial. O levantamento encontrou três mil menções sobre a disputa eleitoral de 2018 –  sendo que o pleito municipal deste ano ainda não se encerrou em algumas cidades. São Paulo e Rio de Janeiro foram as capitais com mais tuítes sobre assunto. Confira:

 

Nas postagens, internautas não pouparam figuras públicas que mantiveram alguma proximidade com Cunha. Em uma das imagens mais compartilhadas na quarta-feira, o ex-presidente da Câmara aparece cercado de parlamentares e lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) na entrega de um pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em maio de 2015. A Lupa monitorou como os integrantes dessa foto se posicionaram.

Entre os congressistas que estavam na foto, o silêncio foi preponderante. Mendonça Filho (DEM-PE), Bruno Araújo (PSDB-PE), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Alberto Fraga (DEM-DF), Nilson Leitão (PSDB-MT), Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e João Gualberto (PSDB-BA) não fizeram qualquer menção ao episódio em suas páginas pessoais. Os dois primeiros são, atualmente, ministros da Educação e de Cidades, respectivamente. Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo de cassação de Cunha na Câmara, e Vitor Lippi (PSDB-SP) restringiram-se a divulgar a detenção de Cunha.

Os deputados federais Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Eduardo Cury aproveitaram a prisão para criticar as acusações feitas pelo PT de que haveria perseguição ao partido e a Lula. O filho de Bolsonaro foi além do deboche com os petistas e escreveu que não iria “sapatear na cara do Cunha para pagar de ‘isentão’” e que seguia “apoiando a PF, MPF, Moro e a Lava-Jato”.  Ele ainda sugeriu: “Lula vem aí”.

Kim Katiguiri, representante do MBL, fez uma série de compartilhamentos com postagens do grupo criticando petistas, mas também ressaltou uma coluna de sua autoria em que ratifica que o encontro com Cunha em 2015, ilustrado nas fotos compartilhadas, foi somente para a entrega do pedido de impeachment e que não defende o deputado.

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