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Políticos ignoram prevenção ao câncer de mama em seus programas

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.out.2016 | 09h20 |

O Viaduto do Chá, em São Paulo, e o Cristo Redentor, no Rio, foram iluminados de modo diferente nos últimos dias para chamar a atenção para o “Outubro Rosa”. As redes sociais também entraram na campanha pela prevenção e pelo tratamento do câncer de mama. Desde o dia 1º, a ação em favor das mulheres é uma das mais comentadas no Twitter, com 122 mil menções. Isto é o que mostra um levantamento exclusivo feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP) para a Lupa.

No período analisado, a expressão “câncer de mama” foi mencionada mais de 40 mil vezes. A hashtag #outubrorosa apareceu 23.300 vezes. Mas, se por um lado os internautas vem fazendo sua parte, comentando uma das doenças que mais mata mulheres no país, o assunto passou batido entre os que comandarão a saúde pública municipal a partir de 2017.

A Lupa analisou de perto os programas de governo apresentados por prefeitos que acabam de ser eleitos em oito capitais e também pelos candidatos que disputam o segundo turno no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. O tema não é destaque em nenhum deles. E, mais grave: cinco das cidades observadas serão governadas por políticos que sequer mencionaram a prevenção do câncer de mama ou políticas públicas relacionadas ao tema em seus programas de governo. É o caso dos prefeitos de Salvador, ACM Neto (DEM), de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), de Teresina, Firmino Filho (PSDB), de Palmas, Carlos Amastha (PSB) e de Boa Vista, Teresa (PMDB) – única mulher eleita no 1º turno, em capitais.

EM SÃO PAULO

João Doria (PSDB), prefeito eleito de São Paulo, fez uma única e simples menção ao assunto no programa que o levou à vitória. Em um dos tópicos de Saúde, mencionou a necessidade de “rastreamento de câncer de mama e do colo de útero com pesquisas de HPV”. Carlos Eduardo (PDT), prefeito eleito de Natal, prometeu – de modo vago – “ampliar o atendimento de saúde integral da mulher” com foco na “prevenção (…) do câncer cérvico uterino e de mama”. Em Rio Branco, Marcus Alexandre (PT) citou somente a indicação do exame preventivo da doença ao falar dos serviços das Unidades de Saúde da Família. Não chegou a elaborar nenhuma estratégia mais específica para a área.

NO RIO E EM BH

Entre os candidatos no 2º turno do Rio e de Belo Horizonte, o único que menciona a prevenção do câncer de mama é João Leite (PSDB), da capital mineira. Alexandre Kalil (PHS), seu adversário, não faz qualquer citação ao assunto. O mesmo ocorre nos programas de Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL), que disputam a prefeitura do Rio.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

Junto com a campanha “Outubro Rosa”, os internautas também usaram o espaço para tuitar sobre outras pautas, como o respeito aos direitos das mulheres. Foram mais de seis mil menções a termos como “luta”, “respeito” e “corpo”.

Na pauta ampliada, quando o assunto se transforma na promoção de políticas femininas, todos os prefeitos eleitos possuem alguma proposta. Entre os candidatos do 2º turno do Rio e de Belo Horizonte, somente Marcelo Crivella não mencionou o assunto.

Entre as ideias apresentadas, destaca-se o combate à violência de gênero. Dos oito prefeitos eleitos, sete apontaram propostas sobre o tema em seus programas. Entre os que ainda disputam o 2º turno no Rio e em Belo Horizonte, somente Marcelo Freixo enumerou estratégias de combate à violência contra a mulher.

*Esta reportagem foi publicada no site da Revista Época em 28 de outubro de 2016.

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