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Lupa e Fiocruz checaram informações sobre combate ao mosquito da dengue | Crédito: Fiocruz
Lupa e Fiocruz checaram informações sobre combate ao mosquito da dengue | Crédito: Fiocruz

Os mitos e as verdades no combate ao Aedes Aegypti

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
09.jan.2017 | 09h00 |

Em entrevista concedida ao jornal O Globo no último dia 3, o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo, alertou para a possibilidade de metade dos cariocas – mais de 3 milhões de pessoas – contrair febre chicungunha nos próximos meses. Trata-se de das doenças que, junto com a dengue e o zika vírus, pode ser transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.

Na mesma entrevista, Carlos Eduardo afirmou que já havia feito um decreto, mostrando que a cidade está em estado de alerta para a doença que provoca febre, rachaduras cutâneas, dores nas articulações e pode gerar consequências por até 8 meses.

Diante da gravidade do momento e com o intuito de alertar a população, a Lupa separou e checou a veracidade de uma série de informações ouvidas por aí sobre o mosquito Aedes Aegypti. Com a ajuda da Fiocruz, que disponibilizou especialistas para acompanhar este trabalho, destaca abaixo o que é real e o que é dado equivocado. Confira o material também na CBN:

“Usar meias brancas afasta o mosquito”

EXAGERADO

Os mosquitos rejeitam a claridade. O uso de meias brancas poderia mantê-lo afastado, mas não sabe nem a que distância nem por quanto tempo. O Aedes Aegypti pica mesmo quando as pessoas estão protegidas por roupas.


Ar-condicionado e ventilador impedem picadas”

VERDADEIRO, MAS

A queda de temperatura e umidade em um ambiente com ar-condicionado inibe a ação dos mosquitos. O ventilador os espanta pela própria ação mecânica de interferência do vento sobre o voo. Mas nenhum dos dois mata o Aedes Aegypti nem garante que você não será picado.


“Colocar borra de café no pratinho das plantas evita que o mosquito se prolifere”

AINDA É CEDO PARA DIZER

Uma pesquisa feita pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) observou que a presença da borra de café em pratinhos de plantas, “copos” do interior de bromélias ou mesmo sobre a terra dos vasos impede que estes recipientes virem criadouros do mosquito. Segundo o estudo, a borra impede que o mosquito chegue a sua fase adulta, intoxicando a larva.

Mas a real eficácia da utilização da borra de café também é contestada por outros pesquisadores. A melhor medida até agora é eliminar o prato de água dos vasos, evitando que se torne um criadouro para o mosquito.


“Colocar água sanitária na água elimina larvas”

VERDADEIRO, MAS

A água sanitária é capaz de matar as larvas. O problema é acertar a quantidade dessa substância. Autoridades de saúde aconselham que se empregue uma colher de chá de água sanitária para cada litro de água. Mas esta dosagem não garante 100% a morte de todas as larvas.


“Basta secar os lugares onde tem água parada”

FALSO

É preciso também limpar os reservatórios de água parada. O ovo do Aedes Aegypti pode se manter viável por mais de um ano sem água. Além disso, a aderência dos ovos à parede dos recipientes é muito resistente e, por isso, é necessário esfregar.


“O mosquito não consegue atingir locais altos”

EXAGERADO

É incomum, mas não impossível encontrar focos de Aedes Aegypti em locais altos. Sua potencialidade de voo não costuma atingir um prédio de 4 andares. No entanto, o mosquito pode chegar até alturas mais elevadas usando como transporte elevadores, embalagens, brinquedos, caixas de ferramentas e uma infinidade de outros recursos que podem conduzi-lo até a cobertura de qualquer edifício. Atenção especial às calhas e caixas d’água.


“O mosquito não se distancia de onde nasceu”

EXAGERADO

Sabe-se que o mosquito pode voar até um quilômetro de distância do local onde o ovo que lhe deu origem foi posto. Ele voa em busca de alimento e de locais com água limpa e parada para colocar seus ovos – espaços onde há abundância de criadouros e de pessoas para picar. De acordo com a Fiocruz, estudos mostram que em locais de alta aglomeração humana o mosquito tende a se deslocar menos.


“O Aedes Aegypti só pica no início do dia ou no fim da tarde”

FALSO

As primeiras horas da manhã e as últimas da tarde são as horas de maior atividade dos mosquitos. Mas o Aedes Aegypti é caracterizado por um perfil oportunista: pode picar em outros horários também. Além disso, no caso de uma pessoa que fique o dia inteiro fora de casa, por exemplo, o mosquito fará a alimentação mesmo à noite.


“O mosquito também se reproduz em água suja”

FALSO

O mosquito tem hábitos diurnos, preferindo o calor (temperaturas entre 24º C e 28º C). Alimenta-se de sangue humano e sua reprodução acontece em água limpa e parada. A Fiocruz alerta que, na dúvida sobre o grau de limpeza da água, é melhor que o recipiente seja esvaziado.


Apenas a fêmea do Aedes aegypti pica”

VERDADEIRO

Ela precisa do sangue para amadurecer os cerca de 500 ovos que pode colocar durante sua vida, que costuma durar 30 dias.


“Um único mosquito pode picar mais de 100 pessoas”

VERDADEIRO

O Aedes Aegypti vive entre 30 e 45 dias, tempo suficiente para picar até 300 pessoas.


Quando o mosquito se alimenta do sangue de uma pessoa, ele não pica outras”

FALSO

O Aedes é muito arisco, tende a se deslocar assim que sente movimentos mais bruscos, sendo comum picar diversas pessoas na mesma etapa de alimentação. Por isso existem casos em que vários moradores da mesma residência podem adoecer ao mesmo tempo.


“A picada do Aedes aegypti é diferente da picada de um mosquito comum”

FALSO

A sensação de eventual coceira ou incômodo é semelhante nos dois casos.


“Dengue pode ser contraída mais de uma vez”

VERDADEIRO

Ao contrair a dengue, a pessoa fica imunizada permanentemente para aquele sorotipo do vírus. Como são quatro tipos, pode-se adquirir a doença outras três vezes.


A água de animais domésticos pode virar um criadouro”

VERDADEIRO

Mesmo o bebedouro de animais pode se tornar um criadouro. Por isso, é importante lavar com bucha o recipiente de cães, gatos, pássaros e outros bichos de estimação. Ovos de mosquito podem ter se aderido a eles.

*Todas as respostas acima foram submetidas pela equipe da Lupa à apreciação e validação da Fiocruz

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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