A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

O que é verdade e mentira sobre o surto de febre amarela? Tire suas dúvidas

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.jan.2017 | 09h00 |

Na sexta-feira (20), o Ministério da Saúde confirmou 25 mortes por febre amarela, em Minas Gerais, sendo que a maioria pela versão silvestre da doença (em circulação em região de mata). Os outros óbitos ainda estão sendo investigados. Até o momento, existem 272 casos suspeitos notificados, sendo 71 mortes suspeitas da doença em municípios de MG.

Diante da gravidade do assunto e com o intuito de ajudar a população a se informar sobre a doença, a Lupa separou algumas frases ditas por aí e com a ajuda da Fiocruz, que disponibilizou especialistas para acompanhar este trabalho, destaca abaixo o que é real e o que é dado equivocado.

“Existem dois tipos de febre amarela”

FALSO

Não. A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos mosquitos transmissores e hospedeiro (nas cidades são humanos e na silvestre, macacos). Nas cidades, o vetor transmissor é o Aedes aegypti e em ambientes de floresta os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus.


“Uma pessoa pode transmitir febre amarela para outra”

FALSO

Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra (raramente pode haver se por contato com sangue infectado). A febre amarela é transmitida por mosquitos. Nas cidades, o vetor transmissor é o Aedes aegypti e em ambientes de floresta os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus.


“A febre amarela silvestre é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti”

FALSO

Na mata, os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus. Apesar disso, o vírus transmitido é o mesmo, assim como a doença resultante da infecção. Desde 1942, o Brasil não registrava casos de febre amarela urbana. O Ministério da Saúde confirmou, na sexta-feira (20), 25 mortes por febre amarela, em Minas Gerais, sendo que ao menos quatro confirmadas por febre amarela silvestre (em circulação em região de mata). As outras ainda estão em investigação.


“A febre amarela urbana é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti”

VERDADEIRO

Sim. Na cidade a doença é transmitida pelo mesmo mosquito que transmite a dengue. Desde 1942 não há transmissão urbana no Brasil.


“Grávidas devem tomar vacina contra a febre amarela”

FALSO

A vacinação é contraindicada. Se não for possível adiar a vacinação por questões de emergência ou viagem para área de risco, o médico precisa avaliar o risco/benefício caso a caso.


“Um macaco doente com febre amarela pode transmitir a doença para pessoas”

FALSO

A doença é transmitida somente por meio da picada de mosquitos. Quando o mosquito pica um macaco doente, ele torna-se capaz de transmitir o vírus a outros macacos e também ao homem. A doença é comum em macacos, que são os principais hospedeiros do vírus.


“Para evitar a febre amarela é necessário tomar uma vacina”

VERDADEIRO, MAS

Sim. A vacina está disponível durante todo o ano nas unidades de cuidados de saúde de forma gratuita e deve ser administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco. A vacina pode ser administrada após seis meses de idade e é válida por dez anos. Mas, medidas que evitem a picada do mosquito são efetivas também quando bem adotadas e se há uso adequado com boa adesão. É indicado o uso de repelentes e também ações para evitar a proliferação dos mosquitos, como evitar recipientes com água parada.

Outras informações sobre a doença podem ser verificadas aqui. 

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo