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Governador Paulo Hartung (PMDB). Reprodução GloboNews
Governador Paulo Hartung (PMDB). Reprodução GloboNews

Hartung sobre a PM-ES: ‘Argumento de 7 anos sem aumento não fica de pé’. Será?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.fev.2017 | 07h55 |

Ao falar sobre a crise de segurança pública que aflige o Espírito Santo, o governador Paulo Hartung (PMDB) repete frases que tratam dos salários que seu estado paga à Polícia Militar. Foi assim na entrevista que concedeu ao jornal Folha de S.Paulo na última segunda-feira (13) e ao programa de Miriam Leitão, na GloboNews, no dia 9 de fevereiro, por exemplo. Veja abaixo as checagens da Lupa sobre o assunto:

“Os praças (da PM-ES) receberam mais de 38% (de aumento desde 2010)”

VERDADEIRO, MAS

De acordo com o governo capixaba, em 2010, os praças do Espírito Santo recebiam R$ 1.905,70 de salário e R$ 292,35 pelas horas extras trabalhadas. As duas quantias realmente tiveram alta de 38%. Hoje o praça da PM-ES recebe R$ 2.646,12 de salário e R$ 405,91 de horas extras. Mas vale ressaltar aqui dois pontos: o último reajuste concedido à categoria ocorreu em 2014 – antes da posse de Hartung – e, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a inflação entre 2010 e 2017 ultrapassou os 50%. Isso significa que o praça do Espírito Santo não teve aumento real no período a que Hartung se refere.

Procurada, a Secretaria de Economia e Planejamento do ES ressaltou por e-mail que o atual governo aplicou a “terceira etapa da reestruturação de carreira dos servidores militares”, algo que foi fixado em lei de 2013 (também antes do governo de Hartung). De acordo com a pasta, isso teria resultado em alta na remuneração dos policiais a partir de junho de 2015.


“O argumento de 7 anos sem aumento (na PM) não fica de pé”

FALSO

Um dos argumentos mais usados pelos policiais militares do Espírito Santo para justificar sua paralisação tem base, sim, se levado em consideração o IPCA do período. De acordo com o IBGE, entre 2010 e 2017, a inflação foi de mais de 50%, ao menos 12 pontos percentuais acima do aumento de salário dado pelo governo capixaba à base da PM no mesmo período. Ou seja, na verdade, os praças do ES tiveram uma diminuição em seu poder aquisitivo desde 2010.


 

“O salário (da Polícia Militar) do Espírito Santo é o décimo na escala (nacional)”

FALSO

A assessoria do governador diz que o dado foi extraído da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada pelo IBGE em 2015. O instituto informa, no entanto, que a conclusão é equivocada. O levantamento revela uma “média de rendimento mensal” da categoria e mistura num mesmo campo as mais diversas patentes: soldado, tenente, coronel, etc. Além disso, a Pnad é feita por amostragem e tem uma margem de erro que precisa ser levada em conta. Em um estado, por exemplo, poderiam ter sido entrevistados mais coronéis do que em outro, afetando o valor obtido como “média de rendimento mensal”. Assim sendo, segundo o IBGE, qualquer ranking feito com base na Pnad precisa ser calculado considerando essa margem de erro e deve divulgá-la de forma transparente.

Segundo a Associação Nacional das Entidades Representativas dos Militares Brasileiros (Anermb), que acompanha a evolução salarial dos policiais em início de carreira, o Espírito Santo apareceu em último lugar no ranking de dezembro, com um “subsídio” de R$ 2.646,12.

Em nota, o governo do ES disse que usou dados do IBGE por se tratar de instituição isenta, não ligada a Estados ou representações de servidores.


 

“Estamos hoje com 2.000 homens, entre a Força Nacional de Segurança, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, nos apoiando (no ES)”

VERDADEIRO

Em nota emitida na sexta-feira (10), a Presidência da República informou que “ao saber da situação, (o presidente Michel Temer) determinou o imediato envio de 2.000 homens para restabelecer a lei e a ordem no Estado”.

*Esta reportagem foi publicada na versão impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 18 de fevereiro de 2017.

folha hartung

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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