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Grafites na Avenida 23 de Maio. Foto: Divulgação Prefeitura de SP
Grafites na Avenida 23 de Maio. Foto: Divulgação Prefeitura de SP

Quanto já foi gasto com a polêmica do grafite na cidade de São Paulo?

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.mar.2017 | 07h00 |

Em janeiro, o prefeito de São Paulo, João Doria, mandou pintar com tinta cinza parte dos grafites feitos na avenida 23 de Maio durante a gestão de seu antecessor, Fernando Haddad. A medida, que fez parte do programa de zeladoria urbana Cidade Linda, gerou polêmica e foi alvo de críticas no meio cultural. Doria anunciou então que criaria o Museu de Arte de Rua (MAR), um projeto para incentivar a arte urbana, e, no último dia 11, lançou o edital do programa. A Lupa decidiu checar quanto de dinheiro público está em jogo no vaivém da “guerra do grafite”. Veja as checagens a seguir:

Nota emitida pela gestão Haddad, em dezembro de 2014, sobre os grafites da 23 de Maio:

“O investimento na elaboração do corredor de arte urbana na Avenida 23 de Maio é de cerca de R$ 1 milhão”

VERDADEIRO, MAS

Segundo dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, o mural de grafites custou à cidade R$ 1,25 milhão – 25% acima do anunciado inicialmente. Com esse valor, o ex-prefeito Fernando Haddad contratou os curadores e os artistas envolvidos no projeto e pagou pela infraestrutura necessária à realização das pinturas. Não há dados públicos sobre quanto a administração João Doria gastou para cobrir esse mural com tinta cinza. Em nota, a prefeitura informa que pintou “apenas os painéis deteriorados ou pichados” e que a operação, por fazer parte do programa Cidade Linda, não gerou gastos aos cofres públicos. “As ações (desse programa) são feitas em parcerias com empresas privadas por meio de doações”. A Prefeitura, no entanto, não divulgou o nome de seus doadores nem o que foi repassado por eles.

Atualização: No dia 23 de março, a Prefeitura enviou à Lupa uma nota de esclarecimento. Nela, afirma que os dados solicitados pela agência são públicos e que “não seria possível usar uma equipe de assessores de imprensa – limitada em número – para fazer a compilação destes dados, que (foram) publicados em Diário Oficial e (que pode ser) facilmente acessados via Internet, para atender a uma demanda específica”.


Nota emitida pela gestão Doria, neste mês, sobre o lançamento do Museu de Arte de Rua:

“Serão selecionados oito projetos e ações de pintura de rua que receberão investimento total inicial de R$ 200 mil, que virão de recursos de patrocinadores”

CONTRADITÓRIO

Apesar de dizer que usaria apenas recursos de empresas privadas para tirar o MAR do papel, a Prefeitura de São Paulo publicou no Diário Oficial do último dia 11 um edital que prevê investimentos da Secretaria Municipal de Cultura. “O valor máximo do prêmio aos projetos selecionados neste edital será de R$ 200.000,00 oriundos de recursos provenientes de patrocinadores e da Secretaria Municipal de Cultura, para o exercício de 2017”. Procurada, a prefeitura não respondeu quanto desse total ficará a cargo dos cofres públicos e quanto será doado pela iniciativa privada. A secretaria, por sua vez, afirmou que só divulgará o nome das empresas envolvidas no projeto do MAR depois do dia 13 de abril, quando termina a seleção.

*Esta reportagem foi publicada na edição impressa do jornal Folha de S.Paulo do dia 23 de março de 2017.

folha grafite

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
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INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
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