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Como votaram no impeachment os deputados na lista da Odebrecht?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.abr.2017 | 15h49 |

Há um ano, no dia 17 de abril de 2016, os deputados federais se reuniram na Câmara e realizaram uma sessão plenária para decidir sobre o prosseguimento do processo de impeachment da então presidente, Dilma Rousseff. Com 367 votos, a medida foi aprovada e seguiu para o Senado, que acabou cassando Dilma.

Para lembrar a data, a Lupa voltou aos discursos e às declarações de voto daquela sessão, verificou como se posicionaram os deputados presentes naquele dia nas duas principais votações do governo Temer – a PEC do Teto de Gastos e a terceirização – e ainda observou como votaram no impeachment os deputados que são hoje investigados pela Operação Lava-Jato depois de serem citados pelos executivos da Odebrecht em delações premiadas.

Confira os resultados:

Impeachment x inquéritos da Odebrecht: Dos deputados que participaram da sessão que autorizou a abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff, 37 aparecem na lista de inquéritos pedidos pelo ministro do STF Edson Fachin. Deste grupo, 22 votaram a favor da abertura do processo contra a ex-presidente, 13 foram contra e 2 se abstiveram.


Crime de responsabilidade: A expressão que identifica o crime pelo qual a ex-presidente Dilma Rousseff foi julgada só foi mencionada 32 vezes por um total de 22 deputados, no dia da abertura do processo de impeachment. Nesse grupo, os “dilmistas” foram maioria. Doze parlamentares foram à tribuna para dizer que a presidente não havia praticado esse delito. Outros 10 disseram que ela era responsável pelas chamadas “pedaladas fiscais”. Veja aqui a íntegra dos discursos e abaixo alguns exemplos:

“Vários Deputados chegaram aqui para dizer que não existe crime, e estamos convencidos de que existe, sim, uma configuração do crime de responsabilidade. Portanto, o meu voto é ‘sim’, ‘sim’, ‘sim’” – Tia Eron (PRB – BA)

“Se não há crime de responsabilidade, não há justificativa para impeachment e é golpe. O tribunal de exceção foi montado, como o inquisitor à frente, Sr. Eduardo Cunha” – Alice Portugal (PCdoB – BA)


Os deputados ‘sim, sim e sim’: Dos 367 deputados que aprovaram o início do impeachment de Dilma, 161 também votaram ‘sim’ na PEC dos gastos e na terceirização. A maioria desses parlamentares é do PSDB: 28 dos 161, ou 17%. Os peemedebistas que sempre votaram com Temer somam 22.


Os deputados ‘não, não e não’: Dos 137 que votaram contra o impeachment, apenas 76 participaram das votações que aprovaram a PEC do teto de gastos e a terceirização. Desses, 49 são petistas.

*Esta reportagem foi publicada na versão impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 18 de abril de 2017.

folha impeachment

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