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Ministro da Defesa anuncia fim da GLO em Brasília, mas erra ao defender ação

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.maio.2017 | 11h31 |

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, anunciaram na manhã desta quinta-feira (25) a suspensão da missão de Garantia da Lei da Ordem (GLO) que havia sido autorizada pelo presidente Michel Temer no fim da tarde de quarta-feira. A Lupa está analisando algumas das frases ditas nessa coletiva:

“Nunca aconteceram incidentes graves [durante missões GLO] que viessem a manchar essa atuação das Forças Armadas”

CONTRADITÓRIO

Em 2008, uma missão GLO* foi realizada no Morro da Providência, na zona portuária do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir a segurança das obras do projeto Cimento Social, do então senador e hoje prefeito Marcelo Crivella. No período em que o Exército ocupou a favela, três jovens foram entregues à morte – por uma facção criminosa rival – por integrantes das Forças Armadas.

Na época, o hoje ministro Raul Jungmann era presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara e chegou a se reunir com os familiares para lamentar o ocorrido e pedir desculpas. Reclamou publicamente que uma GLO não poderia ter sido feita sem a devida regulamentação.

Um grupo de trabalho formado por deputados – entre eles Jungmann – também contestou em documentos oficiais (páginas 7 e 8) a decisão de usar uma GLO para acompanhar a realização de uma obra social em uma comunidade carioca. Na época, os parlamentares localizaram nos arquivos do Exército documentos que comprovavam que a ação feita na Providência havia sido tratada como uma missão de Garantia da Lei e da Ordem.

Em  nota,  a assessoria do ministério afirma que “a ação envolvendo militares naquela comunidade se deu exclusivamente no apoio militar a engenheiros do Exército que realizam obras” e que “a atuação ali não foi ação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO)”. Encaminhou nota do então ministro da Defesa, Nelson Jobim, para comprovar que, na Providência, não houve uma GLO.

A Lupa ressalta que a informação sobre a prática militar no Morro da Providência foi extraída do relatório produzido pela comissão que Jungmann criou em 2008 para estudar o caso e também de documento interno e confidencial do Exército, vazado para a imprensa. Por fim, ressalta que a missão GLO foi fartamente noticiada na época.

*Atualização às 16h30 do dia 26 de maio de 2017: Tendo em vista que há registros oficiais dúbios sobre a ação do Exército na Providência, a Lupa optou por trocar sua etiqueta de classificação de “falso” para “contraditório”. Em 2008, o então deputado Jungmann questionou diversas vezes e de forma pública os desfechos violentos da operação que ele enxergava como sendo uma GLO.


“A decisão [de convocar as Forças Armadas] foi do Presidente da República, depois de ouvidos os ministros da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional. O senhor Rodrigo Maia não tem responsabilidade pelo emprego das Forças Armadas”

CONTRADITÓRIO

Na tarde da quarta-feira (24), ao anunciar o início da missão GLO em Brasília, o ministro Raul Jungmann atribuiu ao presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), a convocatória das Forças Armadas. Diante dos jornalistas, afirmou: “O senhor presidente da República decretou, por solicitação do presidente da Câmara, uma ação de garantia da lei e da ordem”.

Na Câmara, Maia foi pressionado por outros deputados e acabou mostrando o ofício em que pedia a presença da Força Nacional de Segurança – e não das Forças Armadas – na contenção dos distúrbios observados na Esplanada dos Ministérios.

Na coletiva desta manhã, Jungmann afirmou que foi um mal entendido. A assessoria do  ministro acrescentou em nota que a decisão de acionar as Forças Armadas foi mesmo do presidente Temer, que Jungmann já conversou com Maia e que “o assunto está encerrado”.


“No governo anterior [de Dilma Rousseff], entre os dias 20 e 21 de outubro, foram empregadas Forças Armadas pela então presidente, no Rio de Janeiro, quando do leilão do poço de Libra, do pré-sal”

VERDADEIRO

De acordo com dados do Ministério da Justiça, realmente houve uma missão GLO durante o leilão do Campo de Libra, do pré-sal. O objetivo da operação foi garantir segurança na primeira rodada de licitação para exploração do petróleo na camada pré-sal.

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