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Foto: Lula Marques / AGPT
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Temer sobre Joesley: de ‘grande empresário’ a ‘bandido notório’

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.jun.2017 | 18h08 |

Desde meados de maio, quando foi revelado o conteúdo das delações dos executivos da JBS e o áudio gravado no Palácio Jaburu, o presidente Michel Temer se posiciona de forma pública sobre as suspeitas que pairam sobre ele. Trata-se de uma série de notas oficiais, discursos e entrevistas.

Em um mês, no entanto, as falas de Temer sobre o empresário Joesley Batista mudaram de tom. Veja a seguir:

No último fim de semana, depois de a revista Época publicar uma entrevista com o dono da JBS em que ele diz que o presidente “Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”, o Palácio do Planalto emitiu uma nota bastante crítica. Em um dos trechos, lê-se:

“Os fatos elencados demonstram que o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira”

No mesmo texto, o Palácio do Planalto anuncia que abrirá processos contra o empresário devido a suas “mentiras em série”. O presidente Temer quer reparação nas esferas cível e criminal.

Nesta segunda-feira (19), ainda em decorrência da reportagem, o presidente publicou um vídeo em sua conta de Twitter. Nele, não citou Joesley, mas mandou um “aviso aos criminosos”:

“Já está claro o roteiro que criaram para justificar seus crimes. Apontam o dedo para outros, tentando fugir da punição. Aviso aos criminosos que não sairão impunes. Pagarão o que devem e serão responsabilizados pelos seus ilícitos”

CONTRADITÓRIO

Esse tom crítico nem sempre esteve presente nas falas do presidente sobre Joesley Batista.

No discurso que fez no dia 18 de maio, logo depois de vir à tona o áudio gravado pelo empresário na reunião noturna ocorrida no Jaburu, o presidente falou sem sequer citá-lo nominalmente:

“Houve, realmente, o relato de um empresário [Joesley Batista] que, por ter relações com um ex-deputado [Eduardo Cunha], auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário [Joesley Batista]”

Dois dias mais tarde, em 20 de maio, Temer voltou a comentar sobre o encontro que teve com Joesley e fez as primeiras críticas a sua figura:

“Não acreditei na narrativa do empresário [Joesley Batista] de que teria segurado juízes, etc. Ele é um conhecido falastrão, exagerado”

Em 22 de maio, o presidente deu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Dessa vez, explicou o que o havia levado a se reunir com Joesley, dessa vez classificado como um “grande empresário”:

“Ele [Joesley] é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da [Operação] Carne Fraca. Eu disse: ‘Venha quando for possível, eu atendo todo mundo’”.

Na mesma ocasião, Temer via em Joesley um “empresário sagaz”:

“Ele [Joesley] não teve uma informação privilegiada, ele produziu uma informação privilegiada. Ele sabia, empresário sagaz como é, que no momento em que ele entregasse a gravação, o dólar subiria e as ações de sua empresa cairiam”.

Em um mês, portanto, Joesley foi de “empresário sagaz” a “bandido notório”.

Procurado para comentar, o Palácio do Planalto não retornou até a publicação desta reportagem.

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