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Foto: ACNUR / Andrew McConnel
Foto: ACNUR / Andrew McConnel

Alguns mitos e algumas verdades sobre o Dia Mundial do Refugiado

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.jun.2017 | 06h30 |

Vinte de junho é o Dia Mundial do Refugiado e, nesta data, é comum que as organizações que trabalham na assistência aos que fogem de conflitos divulguem dados sobre o tamanho do problema.  Na segunda-feira (19), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) lançou a mais nova edição do relatório “Tendências Globais”. O documento mostra que, ao final de 2016, havia cerca de 65,6 milhões de pessoas no mundo que tinham sido forçadas a sair de suas casas pelas mais diversas razões. A cifra representa 300 mil pessoas a mais do que em 2015.

Para qualificar o debate e jogar luz sobre essa temática, a Lupa verificou algumas informações que circularam pelo Twitter nos últimos dias. Veja o resultado:

“28 milhões de crianças no mundo foram expulsas de seus lares”

VERDADEIRO, MAS

Esse número aparece no relatório “Desenraizados: a crescente crise de crianças refugiadas e migrantes”produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em setembro de 2016. Mas esse número refere-se apenas aos 28 milhões de meninos e meninas com menos de 18 anos de idade que fugiram de seus lares por questões de violência ou insegurança. 

Ao todo, de acordo com o estudo, cerca de 50 milhões de crianças no mundo tiveram que migrar no ano de 2015.


“Muçulmanos no Brasil: 13 navios, 2 milhões de refugiados [chegando]”

FALSO

Circula nas redes sociais e em grupos de Whatsapp um vídeo do “Canal LN 421” em que se diz que 13 navios estariam trazendo um grande número de refugiados para o Brasil. A informação é atribuída a postagens no Facebook. A Lupa entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores, e a pasta confirmou que a informação não é verdadeira.


“[Albert] Einstein chegou aos EUA como refugiado”

VERDADEIRO

Nem mesmo a conquista do Prêmio Nobel com a Lei do Efeito Foto Elétrico*, em 1921, evitou que Albert Einstein fosse perseguido. Como judeu alemão, o físico enfrentou grandes dificuldades para trabalhar em seu país durante a ascensão do Partido Nazista e do antissemitismo. Resultado: em 1932, ele aceitou uma oferta da universidade de Princeton e ganhou asilo nos Estados Unidos, mantendo também sua cidadania suíça. O cientista foi acusado de traição e teve obras destruídas na Queima de Livros de 1933.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Einstein e sua esposa “trabalharam incansavelmente em favor dos judeus alemães”, requerendo vistos e testemunhando pessoalmente para vários solicitantes.

*Atualização feita às 7h04 do dia 20 de junho de 2017: O prêmio Nobel de Einstein não foi pela Teoria da Relatividade, conforme publicado originalmente, mas sobre a Lei do Efeito Foto Elétrico. Agradecemos os leitores pelo alerta.

** Esta checagem poderá ser atualizada nas próximas horas.

*** Hellen Guimarães sob a coordenação de Juliana Dal Piva.

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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