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Foto: Marcos Corrêa / PR
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Temer: ‘Saque do FGTS inativo levou R$ 40 bilhões ao comércio’. Será?

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.jun.2017 | 06h40 |

Na segunda-feira (26), o presidente da República, Michel Temer, sancionou a lei que regulamenta a diferenciação de preços conforme o tipo de pagamento usado (cartão de crédito, dinheiro, etc.). Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, o presidente discursou sobre a situação econômica do país e mencionou alguns dados. A Lupa conferiu:

“A liberação das verbas do FGTS injetou na economia, e particularmente no varejo, R$ 40 bilhões”

EXAGERADO

De acordo com o próprio governo federal, o saldo total das 18,6 milhões de contas de FGTS inativo era de R$ 41 bilhões quando o saque foi autorizado. Até o dia 2 de junho, já tinham sido sacados R$ 27,6 bilhões – longe do valor total disponível.

O presidente também exagera ao falar do total que teria irrigado o comércio. Quando o governo liberou os saques, fez uma estimativa de que a medida significaria uma injeção geral de R$ 30 bilhões na economia do país. Isso, somando todas as áreas possíveis.

Levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que, entre março e abril, apenas R$ 7,2 bilhões haviam chegado ao comércio varejista. Nesses dois meses, segundo a Caixa, o montante sacado em todo o país de FGTS inativo havia sido de R$ 16,6 bilhões. Isso mostra que o comércio varejista recebeu apenas 43% desses valores.


“Em 2º lugar, a absoluta ausência de qualquer redução nos direitos dos trabalhadores [na reforma trabalhista]”

AINDA É CEDO PARA DIZER

O projeto da reforma trabalhista ainda passa por análise do Senado. Ele foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos, mas reprovado na Comissão de Assuntos Sociais. Então ainda pode sofrer mudanças até ser votado no plenário do Senado.

Vale destacar ainda que o texto é alvo de diversas críticas. A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas), composta por organizações como a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), entre outras, emitiu uma nota pedindo a rejeição do projeto como ele foi apresentado. Para todas essas entidades, “não há dúvida em afirmar que se cuida do maior projeto de retirada de direitos trabalhistas já discutido no Congresso Nacional desde o advento da CLT”.

A Frentas critica a possibilidade de os acordos coletivos ou as convenções acabarem se sobrepondo à legislação, o que poderia resultar em negociações com perdas de direitos, sem a mediação de um juiz.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) também emitiu uma nota técnica em que afirmou que a reforma – como proposta – “suprime ou reduz diversos direitos sociais, como fim das  horas em trânsito para o trabalho e da integração de prêmios e abonos à remuneração”.


“[O centro da meta de inflação] era de 4%, 4,5%. Hoje, estamos a 3,52%”

VERDADEIRO

A meta de inflação fixada pelo Banco Central realmente é de 4,5%, com uma variação de 1,5 ponto percentual. De acordo com a última divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, feita pelo IBGE, realmente a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 3,6%. Segundo o instituto essa é a menor taxa em 12 meses, desde maio de 2007 (3,18%).


“Eu estive agora recentemente, em Moscou, na Rússia, e depois na Noruega, e verifiquei, interessante, verifiquei um interesse extraordinário dos empreendimentos soviéticos (…) e nós podemos verificar o interesse extraordinário dos empresários soviéticos”

FALSO

Na semana passada, o presidente esteve em visita oficial à Rússia, país que já integrou a chamada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Mas ele se tornou a Federação Russa em 1991, quando a URSS se desmembrou.

Esta não foi a primeira vez que a Presidência da República fez menções equivocadas usando o termo soviético. Na véspera da partida para a Rússia, o cerimonial da presidência divulgou na agenda do presidente que o compromisso de Temer era “Partida de Brasília para República Socialista Federativa Soviética da Rússia.”

A Lupa entrou em contato com o Palácio do Planalto, mas não obteve retorno sobre nenhuma das checagens acima até a hora de publicação desta reportagem.

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AINDA É CEDO PARA DIZER
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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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