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Premiados e presos: Que títulos os empresários de ônibus receberam?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.jul.2017 | 12h00 |

A Polícia Federal prendeu no início desta semana dez empresários e políticos que, há ano, operam concessionárias de transporte público no Rio de Janeiro. Após as delações premiadas feitas pelo ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes de Carvalho Júnior e pelo doleiro Álvaro Novis, o Ministério Público Federal denunciou o grupo que estaria usando seu poder econômico “para corromper a máquina pública em prejuízo da sociedade fluminense” e, com isso, aumentar os seus lucros. O líder da quadrilha, segundo as investigações, era o ex-governador Sérgio Cabral, já preso. De acordo com o MPF, ele era premiado cada vez que a passagem de ônibus aumentava e sua propina teria alcançado R$ 122,85 milhões. (Confira detalhes aqui e aqui)

Entre os presos acusados de integrar a quadrilha, suspeita de pagar mais de R$ 260 milhões a políticos e agentes públicos, ao menos três já foram premiados com diferentes títulos justamente por seu trabalho no setor. Veja a seguir o levantamento feito pela Lupa.

JOSÉ CARLOS REIS LAVOURAS

Presidente do Conselho de Administração da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) e da Viação Flores, Lavouras foi premiado quatro vezes. Ele recebeu:

Moção de congratulação da Câmara dos Vereadores do Rio – 2013; pedida por Tio Carlos, então vereador do Solidariedade;

Moção de aplausos da Assembleia Legislativa do Rio – 2002; pedida por Délio Leal, então deputado estadual;

Medalha do Mérito do Transporte – 2000, prêmio da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos;

Título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio – 1992 – pedido por Délio Leal, então deputado estadual, e concedido pela Alerj.

“O homenageado e sua trajetória de vida são símbolos da vontade humana de trazer à sociedade a esperança de dias melhores e uma convivência voltada para o futuro”, vereador Tio Carlos (Solidariedade), em 2013

DE OLHO

As investigações do Ministério Público Federal apontam que José Carlos Reis Lavouras atuava no esquema de corrupção desde 1990, ou seja, há pelo menos 26 anos. Segundo o doleiro Álvaro Novis, era ele quem ordenava o recolhimento de propina e a escolha dos beneficiários do dinheiro. Também teria sido Lavouras o responsável pela organização do recolhimento da propina nas garagens das empresas de ônibus.

Em entrevista à Lupa, Tio Carlos (Solidariedade), atualmente deputado estadual, informou que, hoje, não proporia a homenagem a José Carlos Reis Lavouras. Segundo o parlamentar, seu primeiro contato com o empresário se deu há mais de vinte anos. “Eu sou animador de festas infantis há mais de 30 anos. E eu conheci o José Carlos Lavouras quando animava as festas das filhas dele, há mais de vinte anos. O acompanhei antes de me tornar vereador e político”.

Em nota, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (ANTU) que deu medalhas a Lélis Teixeira, Jacob Barata Filho e José Carlos Lavouras, informou que “há previsão de cancelamento de comendas”. De acordo com o capítulo IV do regulamento da Medalha do Mérito do Transporte Urbano Brasileiro, as honrarias podem ser canceladas nos casos de “atos ilícitos devidamente comprovados por meio de sentença judicial transitada em julgado”.

Délio Leal não foi encontrado para comentar esta reportagem.


JACOB BARATA FILHO

Ele é dono do Grupo Guanabara (formado por 53 empresas, incluindo a maior parte das companhias rodoviárias do RJ), presidente da Riopar Participações (Bilhete Único/Riocard) e membro do conselho de administração da Concessionária do VLT Carioca. Barata Filho recebeu duas premiações:

Ordem do Mérito do Transporte (Medalha JK), concedido pela Confederação Nacional do Transporte – 2015

Medalha do Mérito do Transporte, concedido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) – 1999;

Na cerimônia da entrega da medalha JK, em 2015, Barata Filho chegou a dizer que “ao longo desses 30 anos (…) viemos contribuindo com novas propostas, novos formatos, tudo para chegar nesse momento hoje, em que o transporte vai dar uma grande virada”.

DE OLHO

O empresário foi preso na noite de domingo no Aeroporto Internacional Tom Jobim, quando tentava embarcar para Portugal. O ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes, afirmou em delação premiada que ele era um dos responsáveis “por oferecer vultosas quantias aos conselheiros e ao governo do Rio de Janeiro, em nome da Fetranspor e das empresas de ônibus” e assim garantir análises favoráveis no TCE. Segundo a denúncia, Barata Filho, entre 2010 a 2016, movimentou R$ 27,7 milhões em propinas.  Além das vantagens políticas, ele teria recebido de volta “créditos” que chegariam a  R$ 23,4 milhões.

Atualização às 15:15 do dia 05/07/2017:

Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Jacob Barata Filho negou que o empresário tenha recebido recursos ilícitos e classificou a acusação de “incoerente”.

Procurada, a Confederação Nacional de Transportes não retornou aos questionamentos da reportagem. 


LÉLIS MARCOS TEIXEIRA

Presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Ele recebeu dois prêmios:

Empreendedor do Ano pela Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca – 2015

Troféu Dom Quixote da Imprensa, concedido pela Editora Justiça e Cidadania – 2015

DE OLHO

Lélis foi acusado de receber R$ 1,57 milhão em propinas, entre 2010 e 2016. O empresário foi apontado ainda como um dos organizadores da distribuição da propina para políticos, junto de José Carlos Reis Lavouras, por serem ambos parte do quadro administrativo da Fetranspor.

Em depoimento de delação premiada anexada à denúncia do MPF, o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio, Jonas Lopes de Carvalho, afirmou que cabia a Lélis o pagamento de propinas aos conselheiros do tribunal, para que fizessem vista grossas às irregularidades no sistema de transporte.

A defesa de Lélis Teixeira afirmou que ele foi surpreendido com o pedido de propina feito pelo ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado e que repudiou tal pedido com veemência.

A Associação Comercial da Barra da Tijuca e a Editora Justiça e Cidadania não responderam aos questionamentos feitos pela reportagem.

*Hellen Guimarães sob a supervisão de Leandro Resende.

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